 Santa Sé
Papa consternado pelas consequências das inundações em Madeira
Envia um telegrama de pêsames através do cardeal Bertone
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- O Papa se mostrou “consternado com as graves consequências das recentes inundações na Ilha da Madeira, que provocaram dezenas de mortos e enormes danos materiais aos seus habitantes”.
Ele o fez em um telegrama de pêsames enviado com data de 22 de fevereiro, ao bispo de Funchal, Dom Antônio José Carrilho, através do cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone.
“O Sumo Pontífice deseja assegurar a toda a comunidade local a sua solicitude, confiando as vítimas à misericórdia de Deus e suplicando consolo e apoio para suas famílias, para os feridos e para os que perderam seus bens”, indica o telegrama.
Bento XVI também os abençoou e invocou “reconfortantes graças divinas” para “todos provados por este drama, sem esquecer as pessoas que já participam na obra de socorro e assistência”.
Enquanto isso, a Cáritas diocesana de Funchal continua trabalhando com força, apoiando os atingidos pelo temporal do sábado.
Neste momento, acolhe 400 pessoas em diversos locais de alojamento, segundo informa seu site.
Também organizou um sistema de arrecadação e entrega de produtos de primeira necessidade, como remédios, roupas, alimentos etc.
Por outro lado, um grupo de aproximadamente 100 escoteiros do Movimento de Escoteiros Católicos está colaborando com a prefeitura de Funchal nas tarefas de limpeza.
No começo da tarde de hoje, Dom Carrilho presidiu, no Cemitério de Santo Antônio, um funeral pelas vítimas.
Posteriormente, na Igreja do Monte, presidiu o funeral de um bombeiro falecido por causa do temporal.
Mundo
O abuso de menores “é sempre um crime atroz”
Presidente da Conferência Episcopal Alemã pede desculpas em nome da Igreja
FRIBURGO, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org). – “Peço desculpas em nome da Igreja Católica da Alemanha a todas as vítimas desse crime”, disse Dom Robert Zollitsch, arcebispo de Friburgo e presidente da Conferência Episcopal Alemã, na segunda-feira passada. Dom Zollitsch falou a veículos de comunicação por ocasião da abertura da Assembléia Geral de primavera dos bispos alemães.
Na agenda dos debates estarão, entre outros assuntos, os casos de abuso de menores ocorridos em escolas mantidas pela Companhia de Jesus na Alemanha.
“Sempre que houver uma suspeita, deve ser buscada uma explicação clara e transparente”, declarou o prelado durante a coletiva de imprensa, lembrando que a Conferência Episcopal do país “respondeu imediatamente” ao tomar conhecimento dos fatos.
“Para ser perfeitamente claro, afirmo que o abuso sexual de menores é sempre um crime atroz”. “Peço desculpas a todos aqueles que tenham sido vítimas deste crime”.
“No contexto da Igreja, o abuso é particularmente grave, porque as crianças e adolescentes nutrem uma confiança especial pelo sacerdote”, enfatizou Dom Zollitsch.
Neste sentido, disse que “os jesuítas assumiram suas próprias responsabilidades e souberam tirar suas lições” dos erros de alguns de seus sacerdotes.
O prelado sublinhou que já há oito anos foi estabelecida pelos bispos uma série de diretrizes para prevenir e combater os casos de abuso, e que estas disposições foram concebidas tendo em vista acima de tudo a “preocupação com as vítimas”.
“As diretrizes têm demonstrado sua eficácia”, afirmou, uma vez que possibilitaram às autoridades públicas “agirem os mais rapidamente possível”, tendo acesso “a todo tipo de informação”.
Em todo caso, explicou o prelado, estão previstas para a próxima sessão plenária discussões sobre possíveis revisões ou aperfeiçoamentos destas diretrizes, orientadas principalmente para a prevenção.
Em particular, serão discutidas medidas para avaliar a idoneidade dos futuros sacerdotes relativamente à sua maturidade psicológica e sexual. Tais medidas serão estendidas também aos agentes pastorais e ao corpo docente, e serão divulgadas ao público ao final da Assembléia.
Dom Zollitsch acrescentou que a questão é de “tamanha importância”, que será abordada em sua próxima visita a Roma, prevista para março.
Índia: retrato blasfemo de Cristo reacende conflitos religiosos
Bispos do país lançam apelo pela paz
ROMA, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org). – A Índia voltou a ser palco de confrontos entre diferentes grupos religiosos. O estopim da crise foi a publicação de um livro contendo uma imagem de Jesus com uma lata de cerveja numa mão e um cigarro na outra.
A imagem, de acordo com o "L'Osservatore Romano", foi divulgada por diversos veículos de comunicação por todo o país, enquanto que em Punjab foi também exposta em cartazes distribuídos pelas ruas. A tentativa de remoção de alguns destes cartazes por cristãos provocou reações violentas de alguns fundamentalistas hindus.
Os confrontos rapidamente se espalharam. Duas igrejas protestantes foram incendiadas e completamente destruídas, e uma terceira ficou gravemente danificada.
Neste contexto, os bispos indianos fizeram um apelo pela paz, endereçando uma carta oficial de protesto ao ministro nacional da educação, na qual pedem por um maior controle sobre os conteúdos dos livros didáticos.
Padre Babu Joseph, porta-voz da Conferência Episcopal indiana, disse à agência Fides que “não se pode dizer” que o material ofensivo publicado pela editora Skyline Pubblications represente a “opinião direta dos movimentos integralistas hindus”, mas que é certo que a editora é ligada a movimentos de cunho extremista.
“Os bispos condenam este ato blasfemo e renovam seu apelo pela paz em Punjab e em toda a Índia”. Os prelados pediram ainda que o governo da província de Punjab libertasse os 25 cristãos detidos após os confrontos.
“A disseminação das imagens blasfemas pela cidade foi uma operação conduzida por grupos integralistas hindus com o objetivo de criar tensões. O governo da província garantiu que perseguirá os responsáveis”. Thomas Menamparampil, arcebispo de Guwahati, disse esperar por uma “solução pacífica” para a questão.
Em Guwahati será realizada em 3 de março, pela primeira vez na história da Índia, a Assembléia da Conferência Episcopal da Índia (CBCI).
“Os cristãos protestaram pacificamente a nível político e jurídico contra as ofensas” – disse Dom Menamparampil , acrescentando que “o diálogo e a oração são as nossos meios de tratar da questão”.
Para o prelado, “e necessária sempre grande sensibilidade para tratar de símbolos religiosos”, lembrando do caso das charges sobre Maomé na Europa, segundo ele “um caso semelhante”.
“Acredito que a maioria dos fiéis hindus não apoia tais atos. A civilização hindu nutre um profundo respeito pelos símbolos religiosos próprios e de outras religiões. Muitos líderes religiosos hindus condenaram a divulgação da imagem blasfema, bem como diversos líderes muçulmanos. Acredito estes eventos não trarão consequências mais graves”.
Na assembléia do episcopado indiano em Guwahati, ainda de acordo com o "L'Osservatore Romano", será discutido, entre outros, o tema da ideologia da hindutva e suas consequências para a convivência pacífica entre as diferentes comunidades religiosas da Índia.
Em particular, os bispos pretendem analisar a ideologia do Sangh Parivar, um movimento fundamentalista hindu que rejeita a igualdade de direitos entre as diferentes religiões.
Para os prelados, é fundamental distinguir as diferenças entre os princípios do hinduísmo e as crenças do hindutva: o hinduísmo é uma religião, enquanto que o hindutva é um movimento político nacionalista que recorre à religião para legitimar suas posições.
“Esta ideologia fundamentalista se opõe fortemente à liberdade religiosa garantida pela Constituição indiana”, “negando a realidade multirreligiosa e multi-cultural do país”, acrescentam os bispos.
Diante desta realidade, os bispos propõem “promover o diálogo inter-religioso”, um empenho que segundo eles deve ser “constante para todos os cristãos”.
México: exposição sobre obra do arquiteto beneditino Chávez de la Mora
Pioneiro na reforma da arquitetura religiosa do século XX
Por Gilberto Hernández
MÉXICO, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org - El Observador).- Até o dia 30 de maio deste ano, estará aberta ao público, no Museo Nacional de Arquitectura del Palacio de las Bellas Artes – na Cidade do México –, a exposição 55 años de arquitectura: Fray Gabriel Chávez de la Mora. Mística y arte, com a qual se celebra a trajetória deste renomado arquiteto e monge beneditino.
Chávez de la Mora é reconhecido internacionalmente por ter contribuído na reforma da arquitetura religiosa: existem obras suas que são pioneiras no mais amplo sentido do termo, tanto porque apresentaram uma nova forma de abordar a solução do gênero religioso, como por terem sido as primeiras, adiantando-se às disposições que emanaram do Concílio Vaticano II no âmbito litúrgico, concretamente no que se refere aos espaços sagrados.
Profundo conhecedor da liturgia, Frei Gabriel Chávez se distinguiu por ser um destacado criador que desenvolveu a ourivesaria, a pintura, a escultura, o desenho de vitrais, telas e o desenho gráfico, entre outros.
Ele realizou obras nos Estados Unidos, Canadá, Itália e no Vaticano, França, Espanha, Colômbia, Costa Rica e Guatemala. Entre suas principais obras, encontra-se a nova Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, em colaboração com o arquiteto Pedro Ramírez Vásquez, e a capela Guadalupana no Vaticano.
A exposição apresenta painéis, maquetes, vitrais e um conjunto de mais 70 obras originais que evidenciam a variedade e qualidade do trabalho deste singular beneditino.
Frei Gabriel Chávez de la Mora nasceu em Guadalajara (Jalisco, México) no dia 26 de novembro de 1929. Estudou na Escola de Arquitetura da Universidade de Guadalajara. Ingressou na Ordem de São Bento, no mosteiro de Santa Maria da Ressurreição, em 1955.
Depois de estudar teologia no Seminário Conciliar do México, foi ordenado sacerdote pelo bispo Sergio Méndez Arceo, em 1965. No final de 1967, mudou-se para a Cidade do México, onde lhe foi confiado o desenho da Abadia do Tepeyac, seu mosteiro de residência. Recebeu numerosos prêmios e reconhecimentos no âmbito internacional.
Anglicanos refletem sobre seu futuro
Escolheram a festa da Cátedra de São Pedro como dia de “discernimento”
LONDRES, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- O bispo anglicano de Ebbsfleet e o grupo Forward in Faith convidaram os anglicanos ontem a celebrarem a festa da Cátedra de São Pedro, preferivelmente junto com os católicos romanos, para discernir a via a seguir, depois que Bento XVI lhes abriu o caminho rumo à plena comunhão com Roma.
“Não é um dia para decidir”, escreveu o bispo Andrew Burnham nos materiais para a oração proporcionados por Forward in Faith.
“A constituição apostólica (Anglicanorum Coetibus) não é um ponto de crise, mas a abertura permanente de um novo caminho rumo à unidade com a Sé de Pedro”, indicou.
“Decisões sobre o como e sobre se isso deveria acontecer para cada um de nós serão tomadas de diferentes maneiras e em diferentes momentos”, destacou, acrescentando: “Agora é hora de rezar e discernir”.
Anglicanos do mundo inteiro estão discernindo sua resposta ao documento do Papa, que lhes oferece a possibilidade de estabelecer ordinariatos pessoais, expressando plena comunhão com Roma, ainda mantendo a tradição anglicana.
A constituição apostólica responde aos desejos expressados por muitos anglicanos descontentes com o movimento da Comunhão com relação à aceitação da conduta homossexual e a ordenação ministerial de mulheres.
Esse dia de oração, realizado ontem, foi qualificado pelo bispo Burnham como “uma oportunidade para refletir, rezar e discernir o caminho do futuro para cada um de nós, nossos sacerdotes e nossas paróquias”.
Anglocatólicos
No material oferecido para o dia de oração estava a carta pastoral do bispo, de fevereiro, dedicada à unidade.
Nela, Burnham reflete sobre o significado da palavra “anglocatólico”.
Indica que, no começo do século XIX, o uso inicial da palavra em inglês se centrou na “continuidade da Igreja da Inglaterra com a Igreja dos tempos apostólicos”.
Depois, o bispo considera o crescente impulso rumo à unidade em Cristo, especialmente entre anglocatólicos, ortodoxos e católicos.
A Anglicanorum Coetibus é outro passo neste caminho, indica.
“Ainda que se dirija aos anglicanos em geral, a Anglicanorum Coetibus está focada particularmente, é claro, nos anglocatólicos”, indica o bispo Burnham.
“Nós somos os que desejaram a reunião da Igreja Católica – afirma. Somos nós que, com velas, orações, incenso, música, orações e vestimentas estivemos tão perto quanto pudemos da prática romana católica.”
E continuou: “E o que é mais importante: somos nós que, em questões de fé e moral – o que cremos sobre o Evangelho, os credos, o ministério e os sacramentos – e na maneira como vivemos, sempre afirmamos ser ‘católicos’”.
“Estamos falando sério? Então, se é assim, o que estamos fazendo a respeito disso? Individualmente e em grupo – concluiu. Isso é o que estamos dizendo sobre nossas orações.”
200 mil pessoas visitam corpo de Santo Antônio de Pádua em cinco dias
“Continua estando vivo e segue capaz de enriquecer a cultura”
PÁDUA, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Cerca de 200 mil pessoas foram à Basílica de Santo Antônio de Pádua de 15 a 20 de fevereiro para acompanhar a ostensão excepcional do corpo do santo.
“O surpreendente é que todas essas pessoas – era uma procissão interminável – tinham a percepção clara, não de encontrar-se diante de um morto, um esqueleto ou alguns ossos, mas perante uma pessoa que está viva”, explicou à Rádio Vaticano o vigário geral da diocese de Pádua, Dom Paulo Doni.
As oitenta horas de exposição dos restos mortais de Santo Antônio provocaram “um movimento espontâneo por parte de muitas pessoas, e não só da cidade e da diocese, mas de muitos outros lugares da Itália e também do exterior”, disse.
Para o bispo, a resposta à ostensão excepcional mostra que “as pessoas têm uma grande necessidade de ter um ponto de referência espiritual, de uma pessoa”.
E se deve “à presença de uma pessoa – neste caso Antônio – que não é do passado, mas do presente”, segundo “a grande verdade que é a comunhão dos santos”, que “supera o tempo e o espaço”.
Segundo o vigário geral de Pádua, Santo Antônio de Pádua representou, em seu tempo e ainda hoje, o amor aos pobres, à justiça e à lei.
Os restos mortais de Santo Antônio foram expostos na Capela das Relíquias da Basílica Pontifícia do santo em Pádua.
O Corpo de Santo Antônio esteve visível em uma urna de vidro, depois de 29 anos de seu último reconhecimento canônico e médico-científico, em 1981, 750 anos depois da morte do santo.
A ostensão da semana passada coincidiu com a festa litúrgica do traslado de Santo Antônio, que se celebra a 15 de fevereiro. A festa recorda o primeiro traslado do corpo do santo, que teve lugar a 8 de abril de 1263, por obra de São Boaventura (que encontrou naquela ocasião a língua incorrupta), e a de 15 de fevereiro de 1350, quando a tumba do santo ocupou seu lugar definitivo na atual Capela da Arca.
Portugal: Cáritas recebe donativos pelas vítimas do temporal
LISBOA, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- A Cáritas Diocesana do Funchal continua a receber material de apoio às vítimas do temporal de sábado passado na Ilha da Madeira.
A instituição pede que sejam oferecidas roupas, cobertores, lençóis, além de alimentos e material de higiene pessoal.
Em comunicado divulgado nessa segunda-feira, a Cáritas do Funchal assinala que têm “chegado inúmeros e-mails e telefonemas de madeirenses, continentais, do Canadá, Estados Unidos América e Alemanha, pedindo informações e ajudando com donativos importantíssimos”.
A Cáritas Portuguesa enviou 25 mil euros à congénere do Funchal para ajudar a fazer face às primeiras necessidades causadas pelo temporal.
Na Ilha da Madeira, a população tenta, em meio a muitas dificuldades, retomar a vida normal três dias depois das fortes chuvas que mataram pelo menos 42 pessoas. Nesta terça-feira, prosseguiam as buscas de 13 desaparecidos.
Na internet: http://www.caritas.pt/
Não optar pelo consumo desenfreado, indica bispo
Dom Carlos Azevedo fala sobre a Semana Cáritas
LISBOA, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- O bispo auxiliar de Lisboa, Dom Carlos Azevedo, convidou os fiéis a não serem consumidores desenfreados.
O prelado, que é presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social do episcopado português, falou hoje em entrevista a Agência Ecclesia sobre a Semana Cáritas. Este evento celebra-se na semana que antecede o terceiro domingo da Quaresma e tem como tema “Erradicar a Pobreza. Radicar a Justiça”.
Questionado sobre alto índice de pobreza na União Europeia e o desemprego em Portugal, o bispo afirmou que “a conjectura internacional - mas também a uma opção econômica e o modelo de desenvolvimento - não tem em conta a disparidade de salários, não tem em conta que o emprego falha, não só pela mobilidade das empresas, mas também pelos recursos tecnológicos que vão dispensando pessoas”.
“O emprego vai ser escasso no futuro, por isso é preciso repensar a forma como a pessoa se relaciona com o seu trabalho e com a remuneração inerente”, disse.
Dom Carlos Azevedo indicou que o “equacionamento” entre a realidade e a forma como as pessoas estão habituadas a fazer a sua vida exige, “quer da parte dos que governam, como das empresas, mas também do país, tanto do ponto de vista econômico como político, uma regulação exigente do poder político sobre o poder econômico. Esta regulação tem sido inexistente e por isso se caiu nesta crise”.
“Também as pessoas necessitam reorientar as suas opções de vida – não optar pelo consumo desenfreado. Vive-se acima das possibilidades e isso tem de terminar.”
“Não se pode viver de empréstimos, porque quando falha o emprego, cai-se no desespero. O ‘primeiro gasto, depois pago’, o incitamento verdadeiramente diabólico ao consumo tem de ser repensado”, afirmou.
Ao comentar sobre o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social, Dom Carlos Azevedo assinalou que a iniciativa é uma oportunidade para sensibilizar as pessoas.
“Depende depois de como cada um fica sensibilizado e altera os seus comportamentos, quer associativos quer pessoais.”
“O combate contra a pobreza e a exclusão social depende muito de comportamentos pessoais, na relação com o outro, mas também de empresas para que assumam com mais atenção a sua responsabilidade social.”
“Será nestes dois níveis que poderá advir fecundidade e realismo resultante das campanhas, que são positivas porque despertam as pessoas. O fato de estarmos a falar nisso é já uma consequência desta iniciativa internacional”, disse.
Nicarágua: bispos de Bluefields pedem garantia sobre votos de todos
Orientações para as próximas eleições regionais
Por Nieves San Martín
BLUEFIELDS, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Os bispos do Vicariato Apostólico de Bluefields, Nicarágua, fizeram uma declaração pública na qual orientaram sobre as eleições e pediram às autoridades que garantam o voto de todos os habitantes da região.
Os bispos Pablo Schmitz, OFM Cap., bispo de Bluefields, e David Zywiec, OFM Cap., bispo auxiliar de Bluefields, atendem primeiro aos municípios e comunidades da Região Autônomas do atlântico Norte (RAAN) e por segundo as regiões Autônomas do Atlântico Sul (RAAS).
Em sua declaração, recordam que, no mês de março, serão realizadas as eleições regionais nas regiões autônomas que estão no Vicariato Apostólico de Bluefields: a RAAN e a RAAS.
A respeito disso, afirmam que “depende de nós se vamos ter bons ou maus governantes, se nossos governantes serão medíocres ou comprometidos”.
“Votar nas eleições é um direito e um dever de todos –afirmam. Todos os nicaraguenses de 16 anos ou mais têm o direito e dever de conseguir sua cédula e votar nos candidatos de sua preferência. As autoridades do Conselho Eleitoral têm a obrigação de vigiar e garantir que os cidadãos terão suas cédulas e poderão votar”.
Pedem para “votar com os critérios que aprendemos de Jesus. Ele buscava o bem de todos, especialmente dos mais necessitados”.
“As autoridades devem ser responsáveis com o povo que as elegeu –afirmam. Devem escutar as opiniões e as necessidades do povo. O povo paga o governo na forma de impostos. As autoridades devem prestar contas ao povo sobre esse dinheiro e das doações que recebem. Por isso, o povo tem direito de exigir que suas autoridades prestem contas de sua administração. Além disso, muitos pensam que somente veem os políticos em tempo de eleições. Temos o direito de encontrar com eles todo o tempo que estão em seus postos públicos”.
Eles denunciam que “nessas regiões temos sentido a grande tentação à violência, chantagem, mentira, ao engano e roubo. Cristo nos deu um exemplo de diálogo, respeito e confiança em seu trato com os demais. Daremos testemunho aos outros que somos verdadeiros seguidores de Jesus”.
Os bispos concluem lembrando que “é importante que pensemos e nos expressemos para que nossas regiões sejam melhores”. “Estas eleições nos oferecem uma oportunidade de formar um melhor governo. Aproveitemos essa oportunidade!”.
Em foco
Patriarca de Constantinopla: não ter medo de dialogar com Roma
Critica os grupos que se opõem ao ecumenismo
Por Inma Álvarez
ISTAMBUL, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, defende o diálogo ecumênico empreendido com as demais confissões cristãs, especialmente com a Igreja Católica, em sua mensagem por ocasião do Domingo da Ortodoxia, celebrado no último dia 21 de fevereiro, primeiro domingo da Quaresma.
A unidade entre os cristãos, afirma o patriarca, é “vontade do próprio Cristo” e “condição necessária” para o diálogo com o mundo. Por isso, critica os círculos que se opõem a este diálogo, acusando-os de distorcer a realidade para inquietar os fiéis.
Por isso, convida os cristãos ortodoxos a confiarem na Igreja, pois “a Ortodoxia, para se proteger, não necessita de qualquer fanatismo ou intolerância”.
“Aquele que crê que a Ortodoxia tem a verdade, não teme o diálogo, pois a verdade jamais foi ameaçada pelo diálogo”, afirma Bartolomeu I.
Necessidade do diálogo
O patriarca explica que a Ortodoxia “não é um tesouro de museu que deva ser apenas conservado; mas um sopro de vida que deve ser estendido a todos, para que leve vida aos homens”.
Se a Ortodoxia se fechar em si mesma, afirma, corre o risco de converter-se em um “grupo fechado e autocomplacente, um ‘gueto’ à margem da história”.
No entanto, sublinha, este diálogo “não alcançará o mundo exterior se não passar primeiro por todos aqueles que levam o nome de ‘cristãos’”, com o fim de “resolvermos nossas diferenças, para que o nosso testemunho no mundo seja crível”.
Neste sentido, afirmou que estes esforços pela unidade “são a vontade e o mandato do Nosso Senhor”.
“Não é possível, portanto, que permaneçamos indiferentes ao pedido de unidade dos cristãos feita pelo Senhor. Isto constituiria uma traição criminosa e uma transgressão ao seu divino mandamento.”
Distorções
Por isso, lamentou a atuação de certos círculos, denominados por ele como “fanáticos”, que “reclamam exclusivamente para si mesmos o título de ‘zelosos defensores da ortodoxia’” e que se opõem à decisão de “todos os patriarcas e santos sínodos que compõem as diversas igrejas ortodoxas em todo mundo, por unanimemente apoiarem a continuação destes diálogos”.
Mas lamenta particularmente que estes setores críticos “nem sequer hesitam em distorcer a realidade, semeando enganos entre os fiéis”, silenciando “o fato de que os diálogos teológicos são levados a cabo por decisão unânime de todas as igrejas ortodoxas”.
“Propagam falsos rumores de que a união entre ortodoxos e católicos romanos é iminente, embora saibam muito bem que as diferenças discutidas nesses diálogos teológicos são numerosas e que demandarão ainda um longo tempo de discussão.”
Também desmentiu que o Papa quisesse “submeter os ortodoxos” e rebateu a acusação de “heresia”, afirmando que não existe prova alguma de que, em seus contatos com os não ortodoxos, “a Igreja Ortodoxa tenha deixado ou negado os dogmas dos Santos Concílios Ecumênicos e dos Padres de nossa Igreja”.
Convite à unidade
O patriarca insiste em que a unidade querida por Cristo é a razão pela qual, com o “mútuo acordo entre todas as Igrejas ortodoxas locais, o Patriarcado Ecumênico vem, há décadas, conduzindo diálogos teológicos oficiais (pan-ortodoxos) com as diversas igrejas e confissões cristãs históricas”.
“O objetivo destes diálogos é a discussão, em espírito de amor, de todas aquelas coisas que nos separam, tanto na fé, como na organização e na vida da Igreja”, sublinha.
Também afirma que, “com sentimento de dever e de responsabilidade, apesar dos obstáculos e desavenças, o Patriarcado Ecumênico, na qualidade de primeira Igreja entre as igrejas ortodoxas, preocupa-se em resguardar e consolidar a unidade da Igreja Ortodoxa, para que num só coração e numa só voz seja confessada a fé ortodoxa de nossos Santos Padres, em cada época e, em especial, em nossos dias”.
Por isso, convida os fiéis a terem “plena confiança em vossa Mãe Igreja! Esta Igreja que se manteve incorruptível ao longo dos séculos e que transmitiu a ortodoxia da fé a outros povos. E segue hoje sua luta em meio a circunstâncias adversas, para manter a Ortodoxia viva e respeitada em toda a oikoumene”.
O documento completo (em inglês) pode ser lido em
www.patriarchate.org/documents/sunday-orthodoxy-2010.
Camilla Battista Varano: de princesa a mística e santa
Será canonizada no dia 17 de outubro
Por Carmen Elena Villa
ROMA, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- O mosteiro das Irmãs Pobres de Santa Clara, de Camerino (Itália), celebrou a canonização de Camila Battista Varano (1458 - 1524), que será realizada no dia 17 de outubro. Bento XVI assinou o decreto no último dia 19.
Ao meio-dia, ouviram-se todos os sinos de Camerino, enquanto no mosteiro se realizava uma vigília de oração de ação de graças por este acontecimento.
A Madre Chiara Laura Seroboli, abadessa do mosteiro, em uma carta enviada a Zenit, contou que “a última canonização que a região das Marcas recorda foi a de Santa Maria Goretti, há 60 anos, um evento que, apesar de não haver naquela época tantos meios de comunicação como agora, teve uma ressonância grandiosa”.
Tanto a abadessa como o ministro provincial dos Irmãos Menores, Pe. Valentino Natalini, instituíram um comitê organizador com o objetivo de promover eventos e iniciativas para sensibilizar as paróquias, escolas, jovens, famílias e associações sobre a futura santa.
Princesa santa
Camilla nasceu na corte de Varano. Seu pai, Giulio Cesare da Varano, era o príncipe de Camerino. Ela passou a juventude entre festas, bailes e vida social. Estudou latim, leis, aprendeu a pintar e a montar a cavalo.
Cresceu em um suntuoso palácio. Em sua autobiografia, ela contou que, quando tinha 9 anos, em uma Sexta-Feira Santa, escutou uma homilia na qual o irmão Domenico da Leonessa pediu aos presentes que derramassem pelo menos uma lágrima cada sexta-feira, por amor a Jesus. Ela fez disso um voto, que seguiu durante a vida inteira.
Ainda jovem, intuiu a vocação à vida religiosa, mas foi-lhe difícil aceitá-la. Porém, depois decidiu abandonar-se nas mãos de Deus e entendeu que Ele a chamava, mas seu pai queria que ela se casasse. Sua nova luta foi superar os obstáculos para poder entrar no mosteiro.
Foi assim que, aos 23 anos, ingressou no mosteiro de Santa Clara de Urbino, um dos lugares mais representativos do movimento da observância.
“Fazei, Senhor, que minha vida sempre vos louve, bendiga, glorifique e edifique meus irmãos”, dizia a futura santa, em um dos seus escritos.
Dois anos mais tarde, Camilla fez sua profissão religiosa com o nome de Sor Battista, junto com outras 8 irmãs de Urbino e, assim, entrou no novo mosteiro de Camerino.
Seu pai e seus irmãos foram assassinados em uma perseguição sofrida por sua família, em 1502. Camilla foi obrigada a refugiar-se na cidade de Atri, uma pequena localidade dos Abruzzos, na zona meridional da Itália.
Em 1505, o Papa Júlio II a enviou a fundar um mosteiro de clarissas em Fermo e, nos anos 1521 e 1522, viajou a San Severino delle Marche para formar as clarissas locais que haviam assumido a regra de Santa Clara naquele período.
Camilla teve diversas experiências místicas – que se refletem nos numerosos escritos –, nas quais revela seu ardente amor por Cristo crucificado.
Ela morreu no dia 31 de maio de 1524, durante uma peste. “Vós me ressuscitastes em vós, verdadeira vida que dais a vida a cada vivente”, escreveu Camilla.
Atualmente, seu corpo é custodiado e exposto ao culto em uma cripta dedicada a ela, na igreja do mosteiro de Camerino.
O milagre ocorrido para a sua canonização aconteceu em 1877. Trata-se da cura inexplicável de uma menina chamada Clelia Ottaviane, de Camerino, que sofria de raquitismo. Devido a alguns problemas do postulador anterior, a causa se deteve durante 100 anos. Foi retomada em 1998 e, em dezembro de 2009, o Papa Bento XVI assinou o decreto no qual se aprovava o milagre para a sua canonização.
As obras de Camilla foram recopiladas em alguns livros que estão sendo reeditados pelas irmãs clarissas por ocasião da sua canonização: “As lembranças de Jesus”, “As dores mentais da Paixão de Jesus”, “Autobiografia”, “Instruções ao discípulo”, “Tratado da pintura do coração” e “Considerações sobre a Paixão do Nosso Senhor”.
“Serve-o por puro amor, porque Ele é o Senhor que só merece ser servido, amado, louvado por cada criatura”, disse Camilla em um dos seus escritos.
Análise
Por amor aos animais
Cresce a tendência a sua humanização
Por padre John Flynn, LC
ROMA, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).– No período que precede o dia de São Valentino, foi divulgada uma pesquisa surpreendente, segundo a qual um quinto dos adultos entrevistados afirmava preferir comemorar a data ao lado de seu animal de estimação ao invés de comemorá-la com seu parceiro. Participaram da pesquisa 24.000 pessoas de 23 países, conforme referiu a Reuters em 8 de fevereiro. O estudo evidenciou diferenças mais pronunciadas entre as diferentes faixas etárias do que entre diferentes nacionalidades ou gêneros. Cerca de 25% dos entrevistados com menos de 35 anos afirmaram preferir seu animalzinho a seu par. Entre os adultos na faixa de 35 a 54 anos, apenas 18% sustentaram esta posição; 14% dos entrevistados com mais de 55 anos responderam da mesma forma.
Aqueles que disseram preferir um animal de estimação a uma pessoa pertenciam, de maneira geral, à categoria de menor renda.
Os resultados da pesquisa confirmam a crescente tendência à humanização dos animais. Em 23 de janeiro, um artigo do jornal britânico Telegraph tratava da retomada de uma antiga prática pagã - de sepultar pessoas junto aos seu animais de estimação. De acordo com o jornal, foi aprovado, em Lincolnshire, o último de uma série de cemitérios unificados para animais e seres humanos.
O artigo cita Penny Lally, administrador do “Woodland Burial Place” em Penwith. Lally declamo ao Telegraph ter sepultado mais de 30 pessoas juntamente aos seus animais de estimação, e que outros 120 sepultamentos já estariam agendados.
“Para muitas pessoas, o luto por seu animal de estimação não difere daquele vivenciado com a perda de um familiar, especialmente se considerarmos que os animais proporcionam uma vida mais estruturada para muitas pessoas que vivem sós”, observou Elaine Pendlebury, veterinária que atua na instituição de caridade PDSA.
A ideia de cemitérios conjuntos deriva do uso já difundido de cemitérios destinados a animais. Em 26 de outubro do ano passado, o Chicago Tribune pubicou um artigo no qual comentava que um dos cemitérios para animais mais antigo dos EUA, o Hindsdale Animal Cemetery, de Willowbrook, no Illinois, já contava com mais de 15.000 animais sepultados.
Como familiares
Segundo Micheal Schaffer, autor do livro “One Nation Under Dog”, as inscrições nas lápides têm mudado ao longo do tempo, refletindo a elevação, concedida aos animais, à condição de “plenos membros da família”.
“Ao se visitar os antigos cemitérios para animais, as inscrições que se encontram dirão coisas como ‘Aqui jaz Fido, servo fiel’, ou ainda ‘Aqui jaz Fido, o melhor amigo do homem’”, diz Schaffer. “Hoje, ao contrário, se lê: ‘Minha pequena menina’, ou “Sentimos sua falta, Mamãe e Papai’. As pessoas desenvolveram uma concepção a respeito dos próprios animais como se estes fossem seus filhos – um desenvolvimento um tanto dramático”.
Não se trata apenas de sentimentos. As pessoas estão dispostas a gastar somas cada vez maiores de dinheiro com os próprios animais. O artigo do Chicago Tribune conta o caso de um homem que gastou mais de 2.000 dólares no funeral de seu cachorro, após ter gasto mais de 7.000 dólares em tratamentos médicos na esperança de salvar sua vida.
De fato, as despesas com animais têm aumentado notavelmente nos últimos anos. Em 8 de fevereiro deste ano, o American Pet Products Manufacturers Association (APPA) divulgou seu último relatório anual, citando que as despesas com animais domésticos nos EUA aumentaram 5,4% no último ano, passando de 43,2 bilhões de dólares ao ano para mais de 45,5 bilhões de dólares em 2009. A indústria prevê que estas despesas ultrapassem os 47 bilhões de dólares em 2010.
A maior parte desta tendência deve-se ao aumento com despesas médico-veterinárias, que registraram um incremento de 8,5% ao longo do último ano. O relatório observa que os serviços médicos aplicados a animais domésticos incluem hoje tomografias computadorizadas, tratamentos de canal, remoção de tumores e antidepressivos.
O presidente da APPA, Bob Vetere, observou que com esta tendência de humanização dos animais, os padrões de qualidade de vida de homens e animais estão cada vez mais próximos, não apenas no campo da saúde, mas também da alimentação e do vestuário.
Um outro recente informe, publicado pelo Global Industry Analysts em 8 de fevereiro, examina o mercado de acessórios para animais de estimação. Calcula-se que este mercado movimentará, em nível mundial, algo em torno dos 17,2 bilhões de dólares em 2015.
“A humanização dos animais é o principal fator responsável pelo crescimento do mercado de acessórios para animais de ‘pets’, afirma o comunicado do Global Industry Analysts. “Os donos veem seus animais como seus mais fiéis companheiros, e demonstram a intenção de lhes dar tanto afeto quanto aos seus cônjuges e filhos”, acrescenta.
Pessoas?
Margaret Somerville, diretora do Center for Medicine, Ethics and Law da McGill University, no Canadá, abordou a questão da humanização dos animais domésticos em um artigo publicado na internet em 27 de janeiro.
Ela observa que alguns especialistas em ética defendem conferir aos animais o status de pessoa. Isto, entretanto, não seria desejável, uma vez que significaria abolir a ideia de que os seres humanos teriam algum valor especial, representando uma ameaça a seus direitos fundamentais.
“Em outras palava, se os animais se tornassem pessoas, as pessoas se tornariam animais”, observou Somerville - devemos, ao contrário, sustentar que a condição de pessoa é exclusiva dos seres humanos.
Esquecer Deus
A aparente contradição, evidenciada por Somerville, entre a perda do respeito pela vida humana e elevação dos animais a uma condição quase humana, apresenta um aspecto teológico de fundo.
Bento XVI fez uma breve referência ao tema numa audiência geral em 11 de janeiro de 2006. O contexto era o de um comentário ao Salmo 144.
No texto, lê-se: “Senhor, o que é o homem para que se manifeste a ele?... Grande felicidade para o homem, conhecer o próprio Criador. Nisto nos diferenciamos das feras e outros animais, porque sabemos que temos um Criador, enquanto eles não sabem”.
O Papa em seguida retomou um comentário sobre o Salmo feito por um dos Padres da Igreja, Orígenes: “Vale a pena medita sobre estas palavras de Orígenes, que vê a diferença fundamental entre o homem e os animais no fato de que o homem é capaz de conhecer a Deus, seu Criador, de que o homem é capaz da verdade, capaz de um conhecimento que se converte em amizade”, disse o Papa.
“É importante, em nosso tempo, que não nos esqueçamos de Deus, juntamente com todos os demais saberes que conquistamos, e que são tantos!”, observou. “Estes podem se tornar até perigosos, se nos falta o conhecimeto fundamental que confere significado e orientação a tudo: o conhecimento do Deus Criador”, concluiu.
Efetivamente, uma das tendências de nossa sociedade moderna é a de, tendo perdido Deus de vista, desenvolver uma mentalidade que também perde de vista a dignidade da pessoa humana. Assim, há uma conexão entre a falta de respeito pela vida humana, cada vez mais considerada sob uma perspectiva utilitarista, e a humanização dos animais. Um passo a mais em direção ao retorno à cultura pagã.
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