 Santa Sé
Exercícios espirituais do Papa: mistério do chamado de Deus
A vocação ao sacerdócio no centro das reflexões
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Amanhã terminarão, com a celebração das Laudes e uma última meditação, os exercícios espirituais pregados ao Papa e à Cúria Romana pelo salesiano Enrico Dal Covolo, que neste ano se centraram no tema da vocação sacerdotal.
“Mais uma vez, o pontífice dá exemplo aos fiéis sobre a atitude que se deve ter neste tempo particular de oração, de reflexão e de conversão”, sublinha o Pe. David Gutiérrez, diretor da programação em espanhol da Rádio Vaticano e encarregado de comentar os exercícios espirituais deste ano.
Gutiérrez sublinha a profunda vivência destes exercícios por parte do Papa, durante toda a semana.
Como o próprio Dal Covolo explicou em uma entrevista com Zenit, cada um dos dias da semana constituiu um marco específico a partir do qual consideraram esta vocação ao sacerdócio, em harmonia com o Ano Sacerdotal convocado por Bento XVI.
Assim, a segunda-feira foi um dia de “escuta”, centrado na Lectio divina de uma passagem bíblica muito conhecida como paradigma do chamado vocacional, o de Deus ao profeta Samuel (1 Re, 19, 1-21).
O pregador propôs várias figuras bíblicas e dos Padres da Igreja sobre esta atitude de escuta do chamado divino, especialmente o modelo de Santo Agostinho, um santo muito querido pelo Papa Bento XVI.
A terça-feira foi dedicada a refletir sobre a resposta do homem ao chamado divino. Segundo comenta Gutiérrez, nesse dia, “Enrico Dal Covolo centrou suas reflexões na resposta que o homem dá a esse chamado de Deus, revisando algumas histórias bíblicas, especialmente a referida no Evangelho de São Mateus, em que Jesus fala sobre construir sobre a areia dos nossos interesses ou construir sobre a rocha de Deus”.
“Uma ênfase especial foi dada ao sentido que a vocação e a resposta representam para a missão. Este segundo dia terminou com uma reflexão sobre o exemplo sacerdotal do Santo Cura de Ars.”
A quarta-feira foi dedicada à penitência e, segundo explica o comentarista da Rádio Vaticano, o propósito foi refletir, depois de fazê-lo acerca do chamado divino e sobre a resposta do homem, sobre “os aspectos humanos que estão envolvidos nesse processo, especialmente os referidos ao que podemos chamar de ‘resistências’ que o ser humano apresenta diante da vontade de Deus, que o chama”.
“As tentações, as dúvidas, as resistências fazem parte da nossa história, o que gera a consciência de que sempre somos pecadores, mas também convidam a uma abertura à graça do Deus que sempre nos perdoa. É a atitude permanente de conversão que a Igreja pede aos seus fiéis neste tempo da Quaresma e que o Papa, com seus exercícios espirituais, está vivendo de maneira profunda”, explica.
A quinta-feira, seguindo a tradição da Igreja de consagrar este dia ao culto eucarístico e à veneração do sacerdócio ministerial, foi um dia “cristológico”, isto é, dedicado à reflexão sobre a pessoa de Jesus Cristo, aprofundando no chamado aos primeiros discípulos.
“Tanto a Lectio divina quanto as meditações da manhã seguiram este texto para compreender o papel de Jesus na vida de cada chamado, de cada sacerdote”, explica o responsável pela programação espanhola da Rádio Vaticano.
A figura sacerdotal apresentada neste dia por Dal Covolo foi a do salesiano italiano Giuseppe Quadri, cuja vida sacerdotal foi um exemplo pela sua humildade e simplicidade.
“Seu lema era ‘buscarei ser santo’. Este lema é a mensagem que o pregador dos exercícios do Papa deixou: que todos busquem ser santos no exercício do seu ministério sacerdotal”, sublinha Gutiérrez.
Hoje, sexta-feira, a meditação se centrou na Virgem Maria, modelo de resposta ao chamado divino. Como explica o Pe. Gutiérrez, “o Santo Padre e seus colaboradores meditaram, seguindo os textos do Magnificat e da Anunciação, ambos tomados do Evangelho segundo São Lucas, sobre a figura da nossa Mãe celestial, vendo n’Ela o exemplo da confirmação de Deus quando faz um convite a algum dos seus filhos”.
“O pregador apresentou hoje para a reflexão a figura do Papa João Paulo II, uma pessoa que viveu seu ministério sacerdotal, episcopal e petrino sempre confiando em Nossa Senhora”, explica.
Cardeal Kasper felicita patriarca de Constantinopla
Bartolomeu I faz 70 anos neste final de semana
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- O presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper, enviou nesta semana uma mensagem de felicitação, recolhida pelo L’Osservatore Romano em sua edição de hoje, ao patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, pelos seus 70 anos.
O purpurado, que felicita o patriarca “de coração”, recorda as ocasiões em que ambos se encontraram, no Fanar (bairro de Istambul em que se situa o patriarcado ecumênico) e em Roma, destacando a “amizade, a confiança mútua e a franqueza” que se manifestaram em tais encontros.
Isso constitui, segundo o cardeal Kasper, “um grande dom e um sinal de progresso nas relações” entre ortodoxos e católicos.
Neste sentido, deseja que o patriarca “possa continuar contribuindo, com incansável empenho, para um conhecimento cada vez mais profundo e para uma colaboração cada vez mais proveitosa entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, oferecendo ao mundo um testemunho comum da fé em nosso único Senhor, Jesus Cristo”.
Erigida nova província eclesiástica em Madagascar
Dom Tsarahazana, nomeado primeiro arcebispo metropolitano
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Bento XVI erigiu a província eclesiástica de Toamasina (Madagascar), elevando a “igreja metropolitana” a sede episcopal do mesmo nome, designando-lhe como subordinadas as dioceses de Ambatondrazaka, Moramanga e Fenoarivo-Atsinana.
Assim divulgou a Santa Sé em um comunicado de hoje, no qual se afirma que o Papa nomeou como primeiro arcebispo metropolitano de Toamasina Dom Désiré Tsarahazana, até agora bispo da mesma diocese.
A nova província eclesiástica está formada por 4 dioceses: 2 delas, Toamasina e Fenoarivo-Atsinanana, desprendem-se da província eclesiástica do Norte (Antsiranana); outras 2, Ambatondrazaka e Moramanga, desprendem-se da província eclesiástica do Centro (Antananarivo).
A diocese de Toamasina, criada em 14 de setembro de 1955, tem uma superfície de 23.690 km2 e uma população de quase 2 milhões de habitantes.
Os católicos são mais de 600 mil e representam 31% dos habitantes. Os cristãos não católicos são 500 mil (25%), enquanto os não cristãos são 850 mil (43%).
Toamasina tem 18 paróquias, 8 delas urbanas; 42 sacerdotes, dos quais 19 são diocesanos e 23, religiosos; 88 religiosas, pertencentes a 9 congregações religiosas, e 1.250 catequistas.
Mundo
Quem se pronunciar contra a Ficha Limpa é um defensor da ficha suja?
Questionamento do presidente da Conferência episcopal brasileira
BRASÍLIA, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Geraldo Lyrio Rocha, questionou nessa quinta-feira os parlamentares que têm colocado resistência ao projeto da Ficha Limpa no Congresso brasileiro.
“Não dá para imaginar um parlamentar que se coloque contra o projeto Ficha Limpa. Alguém que se pronunciar contra a Ficha Limpa é um defensor da ficha suja?”, disse Dom Geraldo Lyrio, em coletiva de imprensa após a reunião do Conselho Permanente da CNBB.
O arcebispo questionaou ainda: “e quem se posicionar contra a Ficha Limpa, como é que vai disputar eleições? É um assunto que nos deixa pensativos. Não consigo imaginar alguém que seja contra esse projeto”.
Já o secretário geral da CNBB, Dom Dimas Lara, afirmou que aumentaram as expectativas da CNBB pela aprovação do projeto Ficha Limpa, após a audiência pública realizada na Câmara dos Deputados nessa quarta-feira.
“Estamos com esperança de que o projeto seja aprovado ainda nesse semestre e aplicado nas eleições de outubro”, disse.
O Ficha Limpa, projeto de lei de iniciativa popular do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), prevê regras de inelegibilidade de candidatos condenados ou denunciados por crimes graves.
Timidez e amabilidade do Papa realçadas no cartaz da visita a Portugal
Dom Carlos Azevedo falou sobre o projeto gráfico de divulgação da viagem
LISBOA, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- O coordenador da comissão organizadora da viagem do Papa a Portugal, Dom Carlos Azevedo, afirmou que o cartaz de apresentação da visita pontifícia realça “a timidez e a amabilidade de Bento XVI”.
A fotografia do cartaz “captou a timidez e a amabilidade de Bento XVI”, bem como a “forma sublime como mostra a mão que nos acena, abençoa e saúda”, disse nesta sexta-feira, em coletiva de imprensa, segundo informa Agência Ecclesia.
O bispo auxiliar de Lisboa sublinhou ainda a referência à cruz, que está presente como sinal gráfico e na disposição das letras.
“Ao dedicar esta conferência de imprensa à divulgação da imagem, queremos comunicar o sentido da visita”, apontou o bispo auxiliar de Lisboa. A unificação da “gramática visual”, será aplicada ao site oficial, cartaz, estandartes, medalhas, lenços e t-shirts, entre outros meios.
A concepção gráfica foi escolhida entre três propostas. De acordo com a equipe que apresentou o design vencedor, a disposição visual, as formas e as cores procuram induzir uma “experiência espiritual”. Pretende-se, por outro lado, valorizar a missão do Papa como “chefe da Igreja”.
O logotipo, que se aproxima de uma configuração circular, faz referência à forma redonda, representação ancestral do sagrado.
O tema “Contigo caminhamos na esperança – Sabedoria e Missão” orientará a presença do Papa em Portugal, entre os dias 11 e 14 de maio.
A principal motivação da vinda de Bento XVI é a evocação dos 10 anos da beatificação dos Pastorinhos. Os momentos mais “emblemáticos” serão as missas em Lisboa, Fátima e Porto.
“Quando um Papa visita um país, dirige-se com uma proposta humilde e sólida a todos os habitantes”, disse Dom Carlos Azevedo.
Sobre os encargos financeiros da visita pontifícia, o bispo explicou que ainda não foram totalmente definidos. Para os custeios, haverá parcerias entre as dioceses e o Estado, além da participação de benfeitores.
“Queremos que os custos sejam mínimos, simples e sem gastos supérfluos, tendo em conta a atual situação social”, sublinhou o prelado.
Bispos de Cuba pedem que não se repitam casos como o da morte de Zapata
Solicitam que sejam criadas condições para o diálogo
Por Nieves San Martín
HAVANA, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).– O Comitê Permanente da Conferência Episcopal de Cuba divulgou um comunicado no qual trata da morte do preso político Orlando Zapata. No texto, pedem que casos como esse não se repitam e que sejam criadas condições para o diálogo.
O dissidente cubano Orlando Zapata, morto na prisão após uma longa greve de fome, foi sepultado nesta quinta-feira, sob forte esquema de segurança, enquanto dezenas de outros opositores foram detidos.
Zapata foi preso em março de 2003 durante a operação de repressão conhecida como “Primavera Negra”, sendo condenado em maio de 2004 a três anos de prisão por “falta de respeito”, “desordem pública” e “resistência”. Posteriormente, foi novamente julgado acusado de “desobediência” e “desordem em centro penal”, sendo condenado a uma pena de 36 anos.
O ativista político de 42 anos, pedreiro de profissão, entrou em greve de fome em 3 de dezembro do ano passado no presídio de Kilo 8, em Camagüey, para exigir o cumprimento de seus direitos como preso.
Em seu comunicado, a Conferência dos Bispos Católicos de Cuba destacou ter sido informada dos fatos pela “imprensa internacional”.
“Soubemos do ocorrido pela imprensa internacional” – afirma o comunicado – “que o preso Orlando Zapata Tamayo, de 42 anos, residente do município de Banes, pedreiro de profissão, e que acumulava uma pena total de 36 anos de prisão, veio a falecer em Havana após 83 dias em greve de fome. Era considerado um preso de consciência, e a greve de fome que lhe custou a vida”.
“A morte nestas condições constitui uma grande tragédia para todos, porque se trata de vida de uma pessoa, que é sempre o bem maior a ser protegido e conservado”.
Os bispos explicam que “a Igreja Católica, em situações semelhantes, procura desencorajar tais métodos de protesto, que constituem uma violência exercida pela pessoa contra si mesma”.
O comunicado diz ainda que “a Igreja solicitou, em várias ocasiões, visitar o senhor Zapata” na prisão, o que não foi permitido.
Em relação ao ocorrido, a Igreja, afirma o texto “tem pedido e reitera seu pedido às autoridades que têm em suas mãos a vida e a saúde dos prisioneiros, que tomem medidas adequadas para que situações como esta não tornem a se repetir, e, ao mesmo tempo, que sejam criadas as condições de diálogo e entendimento idôneo para evitar que se chegue a situações tão dolorosas, que não beneficiam a ninguém e fazer muitos sofrerem”.
Os bispos enviaram “à mãe do senhor Zapata, seus familiares e entes queridos nossas condolências e a certeza de nossas orações”.
E concluem pedindo “a Deus para que todos saibam atender ao chamado de Jesus Cristo para trabalhar pelo bem comum, como se fosse nosso próprio bem. Que a Virgem da Caridade com sua presença benevolente faça com que todos nós cubanos nos sintamos e sejamos irmãos”.
França: alerta contra iniciativa de confissões pelo telefone
Não estão respaldadas pela Igreja Católica
PARIS, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Em um comunicado divulgado nos sites de várias dioceses francesas, o porta-voz da Conferência Episcopal da França, Dom Bernard Podvin, alerta os fiéis contra uma iniciativa privada intitulada “Com o fio do Senhor, confesse-se pelo telefone”.
“Este passo não está respaldado de forma alguma pela Igreja Católica na França”, indica o comunicado de18 de fevereiro.
“A solidão de pessoas idosas e deficientes é um drama humano e espiritual”, afirma Dom Podvin.
O porta-voz dos bispos da França destaca que “um serviço permanente de acolhimento pelo telefone é algo necessário e benéfico”.
“Numerosos organismos religiosos e não confessionais já fizeram um investimento forte nisso”, recorda, e declara: “Os voluntários e profissionais da escuta são, mais que nunca, indispensáveis”.
No entanto, continua Dom Podvin, “é inadmissível criar uma confusão sobre a noção de confissão”.
“Para o fiel católico, esta tem um sentido sacramental que requer a presença efetiva de um sacerdote”, sublinha.
“A coincidência do lançamento desta linha com o início da Quaresma aumentou mais ainda a confusão”, lamenta.
As paróquias, os santuários e as capelanias estabeleceram numerosos plantões de acolhimento para o sacramento da confissão.
E conclui: “Todos nós queremos, evidentemente, neste Ano Sacerdotal, que haja mais sacerdotes para estar perto e disponíveis para ouvir as pessoas”.
JMJ espera as pessoas com necessidades especiais
MADRI, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Os organizadores da JMJ 2011 em Madri não só levam em conta os diversos idiomas, mas também as pessoas com necessidades especiais. A JMJ facilitará a comunicação com pessoas com deficiência.
Algumas pessoas surdas têm dificuldades para ler textos largos, por esse motivo, começou-se a publicar no website da JMJ informação em vídeo para esse grupo.
O conteúdo que inicialmente se preparou é uma reportagem de 20 minutos em que se explica o principal sobre o evento. Até agora, interpretou-se em linguagem de sinais espanhola e internacional.
A coordenação e acolhida das pessoas surdas estão integradas na equipe de necessidades especiais da JMJ. Esta comissão se compõe de representantes de vários grupos: visual, auditivo, motor e psíquico.
A equipe de necessidades especiais trabalha há vários meses para preparar a logística perante as diferentes solicitações das pessoas deficientes que participarão da JMJ.
Os vídeos em linguagem de sinais também estão disponíveis no canal do YouTube da JMJ de Madri: http://www.youtube.com/2011madrid.
Na internet: http://www.jmj2011madrid.com/
Profanação de igrejas na França: “se for preciso gritar, gritaremos”
Bispo lamenta pouca atenção dada aos ataques
EVRY, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Após a profanação da igreja de Morangis, em Essones, na França, o bispo de Evry-Corbeil-Essonnes, Dom Michel Dubost denunciou a “passividade” do poder público.
Em um comunicado divulgado em 19 de fevereiro no website da diocese, Dom Dubost denunciou os “atos de vandalismo” que “profanaram o Santíssimo Sacramento”.
Enquanto “as autoridades, a imprensa e a opinião pública condenaram energicamente os recentes ataques a uma mesquita e a uma sinagoga”, "ninguém se manifestou acerca do ataque à igreja", lamenta o bispo de Evry em comunicado.
Após uma série de furtos e profanações, o prelado propôs a criação de uma comissão para visitar as igrejas e propor medidas concretas visando a melhorar sua segurança contra furtos e atos de vandalismo.
Entretanto, afirmou “ter sido informado de que, juridicamente, não tem esse direito” e que a única resposta aceitável seria “a formação de uma comissão oficial”.
Enquanto isso, “os abusos continuam”, disse o bispo francês, acrescentando que “o poder público passa a ser o único responsável” por sua “passividade”.
“Pessoalmente, não posso aceitar tais profanações. Se for preciso gritar, gritaremos. Afinal, também nós somos cidadãos”.
Em foco
Destino une imagens da Imaculada de Nagasaki e Guernica
As cabeças das “Marias bombardeadas” serão expostas no Museu da Paz
Por Patricia Navas
GUERNICA, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- No dia 26 de abril de 1937, o primeiro bombardeio contra uma população civil, levado a cabo pela Legião Condor sobre Guernica (Espanha), atingiu a capela da Imaculada da igreja de Santa Maria, da cidade espanhola.
Da figura da Virgem que lá se venerava, só sobraram restos da cabeça, explica a Zenit o pároco de Guernica, Iñaki Jáuregui.
Oito anos depois, em 9 de agosto de 1945, a bomba atômica destruiu a catedral de Urakami, na cidade japonesa de Nagasaki.
A escultura de madeira, inspirada na Imaculada Conceição de Murillo, que se encontrava no centro do altar da catedral, sofreu um destino similar ao da Virgem de Guernica.
Entre as cinzas a que ficou reduzido o templo, foi achada a cabeça da Imaculada com as órbitas oculares vazias, as bochechas e o cabelo carbonizados e uma fissura junto ao olho esquerdo, que muitos interpretam como uma lágrima. Atualmente, a imagem é conhecida no lugar como “Maria bombardeada”.
As duas “Marias bombardeadas” se encontrarão no próximo mês de abril e serão expostas juntas temporariamente, no Museo de la Paz de Guernica.
O encontro será possível graças a uma “peregrinação de paz” de Nossa Senhora de Urakami à cidade basca, por ocasião do 65º aniversário do bombardeio no Japão.
O arcebispo de Nagasaki, Dom Mitsuaki Takami, encabeçará a peregrinação e presidirá a Missa pelos defuntos na paróquia de Guernica, no dia 26 de abril, aniversário do bombardeio da cidade basca, segundo informou a Zenit o responsável pela organização dos eventos de Guernica, Luis Iriondo.
Também está prevista uma apresentação de músicos do grupo de peregrinos japoneses no teatro da cidade, um evento no cemitério e uma exposição sobre os bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki no Museo de la Paz.
Guernica foi destruída durante a Guerra Civil Espanhola, quando foi bombardeada por aviões alemães, acontecimento que Pablo Picasso plasmou em uma de suas pinturas mais famosas.
Para Iriondo, sobrevivente daquele bombardeio, agora todos – atacantes e vítimas – “poderão compreender-se e caminhar juntos e em paz”.
Por sua parte, o arcebispo Takami, cujos familiares mais próximos morreram devido à bomba atômica, declarou à agência Ucanews que “a paz nunca pode ser estabelecida com violência”.
“A eliminação das armas nucleares não progrediu muito – lamentou. Espero que a peregrinação não só permita que mais pessoas conheçam o sofrimento causado pelo bombardeio atômico, mas que também se converta em um apelo de paz, com o uso de métodos não violentos.”
Em referência à cabeça de Nossa Senhora atingida pelo bombardeio de Guernica, o arcebispo exclamou: “Nós também temos uma aqui: é incrível!”.
A Virgem de Urakami saiu do Japão duas vezes, mas a deste ano será a primeira peregrinação.
Ainda que o programa não esteja totalmente definido, está previsto que o grupo de fiéis japoneses que acompanhará a Imaculada em sua viagem visite também outros lugares da Espanha, como a Basílica do Pilar, de Zaragoza, e o Templo da Sagrada Família, de Barcelona.
A peregrinação, sugerida por um católico japonês, poderia incluir também visitas a Lourdes e Roma, assim como a participação em uma audiência com o Papa Bento XVI no Vaticano.
Entrevistas
Como redescobrir a vocação
Entrevista com Stefano Fontana, diretor do Observatório “Van Thuan”
Por Antonio Gaspari
ROMA, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org). – Para muitos jovens de hoje, a vocação é algo que diz respeito apenas aos que pretendem se tornar sacerdotes.
A aspiração por realizar no trabalho e na vida os próprios ideais e expectativas é contraposta pelo materialismo cru, pela sensação de que a única relação possível com a realidade é da velocidade supersônica com que se consomem relações, amizades, produtos, diversões.
Por outro lado, está cada vez mais distante a ideia de que, ao se decidir o futuro de cada um, opera um desígnio do Criador. Para explicar o sentido da vocação e da espera, Stefano Fontana, diretor do Observatório “Van Thuan” sobre a Doutrina Social da Igreja http://www.vanthuanobservatory.org/), publicou recentemente um ensaio intitulado “Palavra e comunidade política”.
No prefácio de seu livro, Fontana, que é também consultor do Conselho Pontifício Justiça e Paz, escreve que “a crise da vocação é muito preocupante”, porque inibe “a convivência: o acolhimento, a gratidão, a gratuidade”.
Falando sobre seu ensaio, Fontana explicou que “o objetivo deste livro é assinalar o caminho para uma inversão de tendências, porque o homem surdo para sua vocação não sabe mais para onde ir”.
A fim de compreender o sentido profundo da vocação de cada um e o porquê do mundo moderno parecer desejar afastar-se de Deus, ZENIT entrevistou Stefano Fontana.
- O que é a vocação?
Fontana: A vocação é um chamado, uma palavra que vem ao nosso encontro, pedindo por uma adesão. Ao comunicar-se, a vocação nos convida a construir nossa identidade. Na reposta ao sentido que a interpela nós nos construímos em nosso próprio sentido. Quando encontramos um sentido que não produzimos, estamos diante de um chamado, um apelo, uma vocação. A vocação é a manifestação do incondicionado.
- Em seu livro recentemente publicado, o senhor sustenta que a falta de vocação impede o desenvolvimento humano, limita a convivência social e política, penaliza toda a família e empenho solidário no trabalho e nas relações com os demais. Por quê?
Fontana: O fenômeno mais preocupante de nossos dias é o da crescente dificuldade de identificar nas coisas e em nossas vidas uma palavra dirigida a nós, um apelo.
O matrimônio e a família são vistos sempre como opções ou convenções, não como uma realidade contida numa proposta de sentido importante para nossa humanidade, uma beleza que nos atrai e apaixona. Em nossa própria natureza íntima é possível encontrar um discurso sobre como devemos ser, a indicação de um caminho a ser percorrido.
Ser homem e ser ainda um tal homem representam uma vocação diante do subjetivismo e de uma cultura que pretende englobar em si mesma a própria natureza? Muitos hoje não veem na identidade sexual uma vocação, mas uma escolha.
Toda nossa dimensão física recebe grande atenção na sociedade do bem-estar, mas como algo que deve ser moldado, planejado, desconstruído e reconstruído, exibido, mas não como uma vocação a ser valorizada. O pudor nasce da percepção de que o corpo é palavra, mas nossos corpos já não têm quase mais nada a dizer; a primeira e a última palavra a seu respeito presumimos encontrar nos cremes e nos comprimidos, nas academias e no bisturi, no silicone e nos chips.
Também o ambiente natural diante de nós – a natureza no sentido naturalista do termo – é visto prevalentemente como um conjunto de objetos funcionais. Já não é mais a “criação”, um discurso do Logos criador, palavra em atuação, uma mensagem a ser comunicada.
- Vivemos em uma sociedade onde a auto-exaltação do ego é cada vez mais exagerada. Parece que, para alcançar a felicidade, é necessário haver um poder total sobre a realidade e sobre as coisas, é necessário dispor das pessoas e de seus corpos, é necessário aderir a um pleno e total hedonismo. Seriam estes os motivos que levaram ao ofuscamento da vocação e ao desespero daqueles que não encontram mais um sentido para as próprias vidas?
Fontana: A crise na vocação é algo muito preocupante, também em termos sociais e políticos, uma vez que inibe três atitudes fundamentais para a convivência: o acolhimento, a gratidão e a gratuidade.
Em primeiro lugar, está o acolhimento. A crise demográfica que atinge hoje muitos países e os debilita moralmente e economicamente é devida a esta dificuldade cada vez mais disseminada em acolher. As leis sobre o “suicídio assistido” denunciam uma falta de acolhimento da própria vida.
O multiculturalismo e sua falência mostram que a tolerância indiferente não é verdadeiro acolhimento. Acolher o outro torna-se impossível se não formos capazes de acolher a nós mesmos e de viver, também nós, a experiência de sermos acolhidos.
Em segundo lugar está a gratidão. Se outras pessoas e experiências não nos tocam, jamais nos descobriremos em débito e não poderemos viver a gratidão. Nossa família, nossa cultura, nossa condição de homem ou mulher... tudo pode ser objeto de gratidão, se formos capazes de encontrar uma herança de palavras, um sentido desvelado que de algum modo nos orienta.
Há, por outro lado, a negação de tudo isso, a prontidão em nutrir vergonha e ódio por ter sofrido uma série de imposições e violências, quando não a prontidão em repudiar ou mesmo apostatar de si mesmo e do próprio passado. Mesmo nossa própria identidade pode não ser vivida com gratidão. O ocidente parece estar hoje particularmente acometido desta síndrome da vergonha de si mesmo e da ingratidão.
Se não nos sentimos gratos para com aqueles que nos transmitiram determinados valores, não nos sentiremos na obrigação de transmiti-los às próximas gerações. A falta de gratidão rompe com a continuidade entre as gerações e é responsável pela atual “emergência educacional”.
Em terceiro está a gratuidade. A vocação nos é dada com um dom. Perder o sentido da vocação significa perder o senso de doação. Se meu passado, minha natureza e os outros nada me dizem, isto implica que quem estabelece seu significado sou eu, ou nós, se considerarmos as estruturas sociais e culturais.
Gratuito, portanto, é simplesmente tudo aquilo que é recebido como graça. A vocação comporta tudo isso, uma vez que não é uma palavra pronunciada por nós, mas uma palavra pronunciada através de nós. Portanto, uma palavra doada.
- Qual é a proposta do livro? De que modo a fé cristã e a Doutrina Social da Igreja podem resolver estes problemas enfrentados hoje pela humanidade?
Fontana: A palavra “vocação” ocorre ao menos vinte vezes na Caritas in Veritate de Bento XVI – se não contarmos os sinônimos. Se as coisas, as pessoas e acontecimentos nada nos dizem; se pensamos ser fruto de determinismos, então de fato nenhum acontecimento novo pode ocorrer, e permanecemos vítimas de nós mesmos.
Sem vocação o homem não sabe para onde ir, pois ser impelido detrás ao invés de ser atraído pelo que está à frente não o satisfaz. A fé cristã tem essa proposta de ser uma “amiga do homem”, de corresponder aos seus anseios. O mesmo pode ser dito a respeito da Doutrina Social da Igreja, que corresponde aos anseios do mundo, assim como a fé corresponde aos anseios da razão e a caridade aos anseios da justiça. É por esse motivo que a fé cristã não é algo acrescentado ao homem, mas algo que remete à sua própria constituição. A fé cristã é uma vocação, presente desde o início na forma de um anseio.
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