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Notícias da Igreja do Brasil e no Mundo

Santa Sé

Papa recebe convite oficial para visitar Galícia em 2011

Papa felicita Bartolomeu I pelos seus 70 anos

Cardeal Antonelli pede reconhecimento econômico do trabalho doméstico


Mundo
Portugal: visita do Papa, preparar-se no horizonte da fé

Chile: ajuda da Igreja chega às vítimas do terremoto

Iraque: dia de oração em resposta aos homicídios de cristãos

Bispos pedem respeito pelas minorias católicas nos países do Leste

Em foco

Declaração histórica católico-muçulmana contra justificação da violência

Indiferença ocidental ante violência contra cristãos


Entrevistas

O absurdo destino dos embriões congelados

Padre Loring, aos 89 anos, faz da internet seu púlpito
     Santa Sé



Papa recebe convite oficial para visitar Galícia em 2011

Na audiência com Alberto Núñez Feijóo, presidente da Junta da Galícia

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- O presidente da Junta da Galícia, Alberto Núñez Feijóo, convidou hoje o Papa a visitar sua comunidade autônoma em 2011, ano em que se celebra o 8º centenário da consagração da catedral de Santiago de Compostela.

O convite do presidente do governo autônomo galego foi feito durante uma audiência no Vaticano, na qual esteve acompanhado pelo arcebispo de Santiago de Compostela, Dom Julián Barrio. Seus hóspedes apresentaram ao Papa as atividades do Ano Santo Compostelano 2010 e lhe entregaram a primeira medalha comemorativa.

Em declarações aos jornalistas após a audiência, Nuñez Feijoó manifestou o desejo de que “possamos ter boas notícias” com relação ao convite apresentado ao Santo Padre. “Simplesmente o espero como galego e como presidente da Junta”, indicou.

“Esta notícia deve ser confirmada pelo Papa e pelos seus colaboradores”, revelou.

Segundo relatou, no encontro ele teve a oportunidade de comunicar ao Papa a importância que tem para a Galícia e para toda a Espanha a celebração do Ano Santo Compostelano, que só se repetirá em 2021, e ratificou o significado deste evento a partir das raízes cristãs da Europa.

A delegação galega entregou ao Papa uma miniatura do famoso incensário da catedral compostelana e uma cópia em galego do Códice Calixtino, o manuscrito do século XII sobre as peregrinações ao túmulo do apóstolo.

O político galego anunciou que em maio se inaugurará uma exposição no Braço de Carlos Magno, em uma lateral da Praça de São Pedro, no Vaticano, sobre o primeiro arcebispo de Santiago, Dom Diego Gelmírez (ou Xelmírez, 1059-1139), que impulsionou a construção da catedral.

O Bispo de Roma prevê visitar a Espanha em agosto de 2011, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude de Madri. No dia 17 de fevereiro, o Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, confirmou que se está analisando também o convite que o Papa recebeu para consagrar o templo da Sagrada Família de Gaudí, em Barcelona.





Papa felicita Bartolomeu I pelos seus 70 anos

Envia um telegrama ao patriarca de Constantinopla

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- Por ocasião do 70º aniversário do patriarca ecumênico de Constantinopla, Sua Santidade Bartolomeu I, Bento XVI lhe enviou um telegrama de felicitação por este “feliz evento”.

O aniversário do patriarca – lê-se no texto – oferece ao Papa “uma boa oportunidade para agradecer a Deus, Pai do nosso Senhor Jesus Cristo e dador de todos os bens, pelas abundantes bênçãos que concedeu a Sua Santidade”.

Ao mesmo tempo, dá ao pontífice a possibilidade de oferecer a Bartolomeu I seus “ferventes e fraternos desejos, acompanhados das minhas orações, para que nosso único Senhor o sustente com sua força e sua graça no desenvolvimento do seu alto ministério de pastor, pregador do Evangelho e mestre de vida espiritual”.

O Papa evoca as “agradáveis lembranças” dos encontros com o patriarca, referindo-se sobretudo à sua visita a El Fanar (bairro de Istambul em que o patriarcado ecumênico tem sua sede), para a festa de Santo André, de 28 de novembro a 11 de dezembro de 2006.

Em um encontro com o patriarca na Igreja de São Jorge, na cidade de Istambul, durante esta viagem (cf. Zenit, 30 de novembro de 2006), o Papa desejou “que nosso encontro de hoje nos sirva de estímulo e de antecipação gozosa do dom da plena comunhão”.

A mensagem de Bento XVI, divulgada no sábado passado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, inclui o envio de “um santo abraço”.

Finalmente, o Papa expressa a “esperança na fé em que o Espírito de Deus continue iluminando e guiando nosso caminho rumo à plena comunhão desejada por Cristo para todos os seus discípulos”.

Na semana passada, o presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper, enviou também uma mensagem de felicitação ao patriarca de Constantinopla, pelos seus 70 anos (cf. Zenit, 26 de fevereiro de 2010).





Carrdeal Antonelli pede reconhecimento econômico do trabalho doméstico

Intervenção do presidente do Conselho Pontifício para a Família

ROMA, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- O cardeal Ennio Antonelli, presidente do Conselho Pontifício para a Família, evocou a importância de reconhecer economicamente o trabalho doméstico e de criar facilidades financeiras e profissionais para estimular as famílias.

O prelado falou sobre o tema “família e empresa, células vitais da sociedade”, em uma reunião da União Católica de Empresários e Executivos (UCID), em Roma. Suas propostas foram recolhidas no dia 26 de fevereiro, pela edição diária em língua italiana do L'Osservatore Romano.

Durante sua intervenção, o cardeal italiano destacou que “o trabalho doméstico merece um reconhecimento econômico”.

Também disse que “as famílias numerosas merecem reduções especiais e facilidades financeiras”. Para ilustrar isso, deu o exemplo da França e da Alemanha, onde “as famílias com três filhos pagam dois ou três mil euros a menos”.

O cardeal Antonelli afirmou que “o trabalho da mulher e a procriação dos filhos são compatíveis”.

Convidou a desenvolver serviços para as famílias: para as crianças, creches familiares, de bairro, de empresa; para os idosos e deficientes, serviços de assistência. Mas também indicou a importância de oferecer às mulheres uma “variedade de oportunidades no trabalho profissional: tempo reduzido, teletrabalho, flexibilidade de horários e férias”.

Frente aos membros da UCID, o presidente do Conselho Pontifício para a Família também chamou a atenção sobre os efeitos negativos da falta da figura paterna, que repercute em toda a sociedade.

Segundo Antonelli, entre as principais causas se encontra “a evolução do trabalho, que leva os dois pais para fora de casa” e sobretudo “a presença feminina, cada vez mais importante no mundo do trabalho”.

“A autorrealização buscada pela mulher em seu trabalho, em sua carreira e em seu êxito social, tem como preço a renúncia ao casamento e aos filhos”, deplorou.

O cardeal Antonelli também denunciou a ideologia de gênero, para a qual não conta o sexo biológico, mas a orientação que cada um escolhe livremente, constrói para si e muda segundo seus desejos.





Mundo



Portugal: visita do Papa, preparar-se no horizonte da fé

CEP divulga Nota Pastoral sobre a viagem pontifícia

LISBOA, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- “A visita do Papa Bento XVI a Portugal é um acontecimento de singular importância”, enfatiza a CEP (Conferência Episcopal Portuguesa).

Por isso, a visita “deve ser preparada condignamente, não apenas no brilho exterior e no ambiente festivo, mas sobretudo no horizonte da fé, da construção da unidade eclesial e de uma sociedade mais justa e fraterna”, destaca o organismo episcopal, em Nota Pastoral divulgada nesta segunda-feira.

Ao citar elementos de uma preparação adequada para o encontro com o Santo Padre, o episcopado lembra que há “uma feliz coincidência” entre o tempo que antecede a visita do Santo Padre e a vivência litúrgica da Quaresma e do Tempo Pascal.

Na Quaresma, os bispos indicam que os fiéis reflitam sobre a mensagem de Bento XVI para este tempo, um texto que enfoca a questão da justiça.

“A justiça será possível na medida em que se der ao homem o que ele verdadeiramente requer: Deus. Isto acontecerá através do testemunho de comunidades que se deixaram converter pelas interpelações de um anúncio fiel do Evangelho”, afirma a CEP.

“Comprometer-se com a justiça exige trabalho interior para afastar uma ‘força de gravidade estranha’ que permanentemente nos impele para o egocentrismo, a afirmação pessoal e o individualismo. Só vivendo em conversão permanente, a Igreja poderá apresentar se com credibilidade, num mundo em que se pretende impor o relativismo e o indiferentismo.”

Segundo a CEP, a Páscoa “pode e deve tornar-se tempo favorável para mostrar ao mundo um ‘rosto de gente salva’, feliz, porque infinitamente amada por Deus”.

“O dinamismo da Páscoa de Cristo precisa de encarnar em atitudes e gestos de esperança perseverante e de amor criativo.”

Preparar a visita do Papa a Portugal e acolher os seus desafios deverá desenvolver nos fiéis alguns “dinamismos”.

“Reavivar a nossa fé através de um encontro mais consciente com a Palavra de Deus, dando às nossas comunidades um rosto missionário”; “dinamizar a nossa esperança, para podermos abrir caminhos de solução às dificuldades e crises que a nossa sociedade atravessa.”

“Revigorar a nossa caridade, dando maior consistência aos inúmeros espaços de solidariedade e ação social, como resposta aos dramas da sociedade, particularmente as novas formas de pobreza”; “fortalecer a nossa unidade através de um projeto de pastoral comum, acolhido por todas as comunidades, com o intuito de poder responder às alterações civilizacionais em que vivemos.”

O episcopado indica ainda algumas ações concretas a se promover no âmbito da preparação da visita pontifícia.

“Colocar esta visita nas intenções da oração pessoal e comunitária”; “aproveitar as asções de formação que a Igreja costuma promover para abordar temas relacionados com o Papa: Igrejas particulares e Igreja universal; Missão do Bispo de Roma e Pastor da Igreja universal; Catolicidade e diversidade, obediência e liberdade na Igreja; Temas fundamentais do magistério do Papa Bento XVI, etc.”

Indica também que se promova e facilite a participação nas celebrações eucarísticas presididas pelo Santo Padre em Portugal (Lisboa, Fátima e Porto).

“Queremos apelar a todos, para que não deixem que esta visita do Santo Padre se esgote num mero acontecimento passageiro, porventura muito participado e festivo, mas que seja antes uma semente que germine e dê frutos de renovação espiritual, apostólica e social”, afirma a CEP.







Chile: ajuda da Igreja chega às vítimas do terremoto

Tempo de oração e união, diz presidente do episcopado

SANTIAGO, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- "É tempo de oração e de nos unirmos como família que somos”, afirmou Dom Alejandro Goic, presidente da Conferência Episcopal do Chile, após o terremoto de sábado.

Cáritas Chile se mobilizou, através de sua rede local presente nas 23 dioceses desse país andino, para prestar ajuda de emergência às vítimas do devastador sismo que deixou ao menos 711 mortos. As missas desse domingo foram uma oração conjunta do país a favor das vítimas e seus entes queridos.

Segundo informa o diretor da Cáritas nacional, Lorenzo Figueroa, a entidade assistencial está-se coordenando com o governo e outras organizações civis “para estabelecer uma rede nacional de ajuda que nos permita superar as grandes dificuldades que temos nas comunicações”.

“Cáritas Chile está recolhendo alimentos em todo o país para enviá-los imediatamente às comunidades que ficaram mais danificadas pelo terremoto e onde já começa a se registrar escassez de produtos de primeira necessidade”, afirma Lorenzo.

“Neste momento, todos os nossos sistemas de comunicação interna e nossa capacidade logística para armazenamento e distribuição da ajuda estão completamente operativos”, acrescentou, ao tempo que reconhece que dada “a magnitude e alcance da catástrofe, que afetou as regiões mais pobres do país, será necessário apoio da rede Cáritas, ainda que, sobretudo, do que mais necessitamos é esperança para nosso atribulado povo”.

Dom Goic confirmou que todas as paróquias e centros locais de Cáritas no Chile estão somando esforços para atender as vítimas desta catástrofe, e informou que tanto em Maule como em Bio Bio, as regiões mais afetadas, os voluntários das paróquias já começaram a distribuir ajuda.

Cáritas Internationalis enviou a Santiago do Chile uma equipe de especialistas com objetivo de colaborar nas operações de ajuda às vítimas. Entre os membros da equipe figura o diretor de assuntos humanitários da Cáritas Internacionalis, Alistair Dutton, que viaja ao Chile desde o Haiti, assim como os membros da equipe de resgate da Cáritas México, que há algumas semanas participaram nos trabalhos de resgate de vítimas em Porto Príncipe.





Iraque: dia de oração em resposta aos homicídios de cristãos

Organizado por Dom Louis Sako, arcebispo de Kirkuk

KIRKUK, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- Frente à onda de violência anti-cristã que está assolando o Iraque, com várias vítimas, Dom Louis Sako, arcebispo de Kirkuk, organizou nesta segunda-feira um dia de oração e jejum.

A iniciativa do prelado católico caldeu responde ao assassinato de ao menor oito cristãos em Mossul nas últimas duas semanas, uma série de crimes que levou a um novo êxodo de fiéis da cidade histórica ao norte do Iraque.

“Tomar como objetivo cristãos inocentes, sobretudo nestes dias em Mossul, de modo bárbaro, em coincidência com as eleições, é um ato vergonhoso”, afirmou o arcebispo na homilia que pronunciou nesse domingo na catedral de Kirkuk, segundo informa AIS (Ajuda à Igreja que Sofre.

O prelado afirmou que quis organizar o dia de oração e jejum porque “apagar o cristianismo da região, ou forçar os fiéis a seguir a bandeira do Islã, só conduzirá a tornar o país mais radical”.

“Por isso decidimos jejuar e rezar, para protestar contra estes atos atrozes e em solidariedade com nossos irmãos, confiantes em que a justiça de Deus é inevitável”, disse.

O último homicídio em Mossul se registrou a 23 de fevereiro, quando um homem armado entrou na casa de uma família cristã, matou o pai e dois filhos, diante da mulher e outra filha.





Bispos pedem respeito pelas minorias católicas nos países do Leste

Termina em Quichinau (Moldova) um encontro dos episcopados europeus

Por Inma Álvarez

Quichinau, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- “As palavras se convertem em fatos!”: com esta admoestação, terminou ontem o 10º encontro dos presidentes das conferências episcopais dos países do Sudeste europeu, em Quichinau (República da Moldova), sobre os direitos e deveres das minorias religiosas.

Neste encontro, estiveram presentes os representantes de 6 conferências episcopais (Albânia, Bósnia-Herzegóvina, Bulgária, Romênia, a Conferência Internacional de São Cirilo e São Metódio – que engloba os bispos da Macedônia, Montenegro e Sérvia – e Turquia), além do arcebispo maronita do Chipre e do bispo de Quichinau.

Também estiveram presentes o núncio na Romênia e na República da Moldova, Dom Francisco Javier Lozano, e o Observador Permanente da Santa Sé no Conselho da Europa, Dom Aldo Giordano.

O tema do encontro, realizado entre os dias 25 e 28 de fevereiro, foi a situação das minorias católicas nesses países. Segundo o comunicado final, divulgado hoje, os bispos sublinham que “ainda há muito por fazer” na questão do reconhecimento das minorias religiosas.

Apesar de terem transcorrido quase 20 anos desde a queda dos regimes totalitários e de terem sido assinados concordatas com a Santa Sé (exceto a Turquia), ainda não se chegou a um reconhecimento pleno dos direitos da minoria católica.

“Frequentemente, os acordos e/ou concordatas ficaram como carta branca e foi preciso lutar para colocá-los em prática. Portanto, o instrumento jurídico não significa automaticamente a justiça e a proteção dos direitos das minorias católicas”, sublinha o comunicado.

Em alguns casos, “várias comunidades nem sequer estão protegidas contra a própria violação dos direitos humanos, especialmente dos direitos ligados à liberdade de religião e os direitos institucionais das igrejas”.

Na maioria dos países, acrescentam os bispos, “um problema importante que continua existindo, não somente para os católicos, mas também para outras comunidades religiosas, é a restituição ou compensação dos bens nacionalizados durante a era comunista”.

Durante os trabalhos da reunião, esteve presente o próprio primeiro-ministro da Moldova, Vlad Filat, quem sublinhou o papel que a minoria católica deve representar na “reconstrução do tecido social e dos valores” do país.

Contribuir para o bem comum

Por outro lado, os bispos insistem em que a Igreja Católica, ainda em situação de minoria, “não sente menos o dever de contribuir para o bem comum e para o desenvolvimento integral das sociedades nas quais está presente”.

Esta contribuição se dá especialmente em duas áreas: na caritativa e na participação da Igreja nos debates sobre temas éticos.

“Em alguns países, busca-se frequentemente a participação e a intervenção da Igreja nos temas de debate público, de maneira que se possa debater sobre temas de natureza ética. O compromisso da Igreja ao serviço dos povos locais é somente a medição estatística da consciência de ser parte vida dos âmbitos nos quais cada dia os sacerdotes, religiosos e leigos empregam seus próprios recursos materiais e espirituais para que os povos das nações possam crescer e redescobrir, na solidariedade de todo o mundo católico, motivos de grande esperança.”

Nas conclusões, os bispos sublinham que a situação de minoria dos católicos constitui “um desafio a viver a fé de uma forma cada vez mais responsável”, procurando “resolver o problema da identidade religiosa e do pluralismo sem renunciar às verdades da nossa fé, e sim tornando-nos capazes de acolher tudo o que existe de positivo nos demais credos religiosos”.

“A atitude pluralista não torna as nossas convicções relativas, e sim retira delas o veneno do absolutismo e da intolerância”, sublinham.

Ao mesmo tempo, ser minoria constitui um compromisso, “o do fermento na massa. Trata-se de transformar, fazer crescer, fermentar, mas a partir de dentro, como testemunhas e mártires”.

O próximo encontro acontecerá de 3 a 6 de março de 2011, no Chipre, a convite do arcebispo maronita do Chipre, Dom Youssef Soueif.





Em foco



Declaração histórica católico-muçulmana contra justificação da violência

Emitida por representantes vaticanos e da voz acadêmica mais prestigiosa para o mundo sunita

Por Jesús Colina

CAIRO, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- Representantes muçulmanos e católicos do mundo assinaram uma histórica declaração comum para rejeitar a manipulação da religião com o objetivo de justificar interesses políticos, a violência ou a discriminação.

O documento recolheu as conclusões da reunião anual realizada no Cairo, nos dias 23 e 24 de fevereiro, do Comitê Permanente de Al-Azhar para o Diálogo entre as Religiões Monoteístas e o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso da Santa Sé.

A declaração está assinada pelos presentes no encontro: o xeique Muhammad Abd al-Aziz Wasil, wakil (representante nos assuntos jurídicos) de Al-Azhar e presidente do Comitê para o Diálogo de Al-Azhar, assim como pelo cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho vaticano.

Al-Azhar, fundada em 975, é considerada a universidade mais antiga com funcionamento ininterrupto e é vista pela maioria dos muçulmanos sunitas como a escola mais prestigiosa.

O comitê, com a ajuda de documentos apresentados por Dom Bernard Munono Muyembe e pelo professor Abdallah Mabrouk al-Naggar, analisou o tema “O fenômeno da violência confessional: compreender o fenômeno e suas causas e propor soluções, fazendo referência particular ao papel das religiões neste sentido”.

No final do encontro, os participantes concordaram em oferecer estas recomendações: “prestar maior atenção ao fato de que a manipulação da religião com objetivos políticos ou de outro caráter pode ser fonte de violência; evitar a discriminação em virtude da identidade religiosa; abrir o coração ao perdão e à reconciliação recíprocos, condições necessárias para uma convivência pacífica e fecunda”.

Muçulmanos e católicos pediram “reconhecer as semelhanças e respeitar as diferenças como requisito de uma cultura de diálogo, baseada em valores comuns; afirmar que ambas as partes se comprometem novamente no reconhecimento e no respeito da dignidade de todo ser humano, sem distinção de pertença étnica ou religiosa; opor-se à discriminação religiosa em todos os campos (leis justas deveriam garantir uma igualdade fundamental); promover ideais de justiça, solidariedade e cooperação para garantir uma vida pacífica e próspera para todos”.

O encontro bilateral concluiu com o compromisso de “opor-se com determinação a qualquer ato que tenda a criar tensões, divisões e conflitos nas sociedades; promover uma cultura do respeito e do diálogo recíprocos através da educação na família, na escola, nas igrejas e nas mesquitas, difundindo um espírito de fraternidade entre todas as pessoas e a comunidade; opor-se aos ataques contra as religiões por parte dos meios de comunicação social, particularmente nos canais de satélite, levando em consideração o efeito perigoso que estas declarações podem ter na coesão social e na paz entre as comunidades religiosas”.

Por último, católicos e muçulmanos exigiram “assegurar que a pregação dos responsáveis religiosos, assim como o ensino escolar e os livros de texto não emitam declarações ou referências a eventos históricos que, direta ou indiretamente, possam suscitar uma atitude violenta entre seguidores das diferentes religiões”.

O comitê estabeleceu que sua próxima reunião será em Roma, no dias 23 e 24 de fevereiro de 2011.





Indiferença ocidental ante violência contra cristãos

Denúncia do porta-voz vaticano

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- O porta-voz da Santa Sé denuncia a perseguição que muitas comunidades cristãs estão sofrendo em países como Iraque, Índia, Paquistão ou em áreas da África, na condição de minorias, e afirma que no Ocidente, onde são maioria, alguns fazem todo o possível para acabar com sua presença.

O padre Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, apresenta essa breve análise no editorial da última edição de Octava Dies, semanário do Centro Televisivo Vaticano, do qual também é diretor.

"De novo, nestes dias, reacendeu a violência contra os cristãos – começa informando. Há algum tempo, tive em minhas mãos panfletos com ameaças terríveis que eram distribuídos sistematicamente em Mossul (Iraque), nas casas particulares de cristãos, convidando-os a deixar a cidade.”

“Os recentes e brutais homicídios confirmam a mesma estratégia sistemática, contra a qual as autoridades parecem não ser capazes de apresentar soluções eficazes. Como podem sobreviver as comunidades cristãs nestas condições?”, questiona o porta-voz vaticano.

“No entanto, são comunidades autóctones, perfeitamente integradas na cultura e na história local, da qual constituem um componente vital. Não é ódio contra o ocidente ou o estrangeiro, mas contra a comunidade cristã.”

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé esclarece que o Iraque é hoje o caso mais comum de violência anti-cristã, mas há episódios em muitos outros lugares. “O fundamentalismo religioso gera ódio, e as minorias religiosas pagam o preço.”

“Com frequência, fazem-se chamados à comunidade internacional para que se mobilize. Mas no panorama atual do mundo ocidental, muitas forças estão trabalhando para contestar ou acabar com a presença cristã e sua influência nas áreas onde é, ou era, majoritária”, denuncia pe. Lombardi.

“É realista esperar uma autêntica defesa de sua parte, ali onde é minoritária e não conta muito do ponto de vista dos interesses políticos ou econômicos? Os cristãos – conhecedores do destino de seu Mestre – não podem se assustar por ser perseguidos, mas a justiça e o direito deveriam valer em todas as partes, também para eles.”





Entrevistas



O absurdo destino dos embriões congelados

Entrevista com o professor de direito Brian Scarnecchia

Por Andrea Kirk Assaf

ROMA, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- João Paulo II pediu aos técnicos da fertilidade que deixassem de criá-los. Donum Vitae, publicada em 1997 pela Congregação para a Doutrina da Fé, falou do “absurdo destino” ao qual haviam sido condenados. O programa Baby Snowflake, lançado em 1997, facilitou sua adoção ou “resgate”.

Hoje, existem ao redor de 400.000 embriões humanos criados através da fertilização in vitro, com suas vidas suspensas em recipientes de nitrogênio líquido, aos que o falecido presidente da Pontifícia Academia para a Vida, doutor Jerôme Lejeune, chamava de “latas de concentração”.

Dado que o pedido da Igreja Católica de não criar este dilema bioética foi desatendido por muitas companhias biofarmacêuticas, o Vaticano se vê agora obrigado a fazer um juízo moral sobre centenas de milhares de vidas congeladas.

Brian Scarnecchia, presidente do International Solidarity and Human Rights Institute e professor de Direito da Ave Maria Law School, proferiu recentemente uma conferência sobre este cada vez mais complexo assunto, no Conselho Pontifício “Justiça e Paz”.

Nesta entrevista a ZENIT, o professor explicou as complexas questões morais implicadas no debate sobre o destino dos embriões congelados.

–Como chegou a ser convidado a falar sobre embriões congelados no Vaticano?

–Scarnecchia: Estive aqui no Fórum de Roma, num congresso de organizações não governamentais católicas, patrocinado pela Secretaria de Estado do Vaticano e vários dicastérios. Eles tinham previsto um plano de estudos que incluía conferências sobre economia, desenvolvimento, direitos humanos e bioética. Eu ia apresentar duas conferências para o Fórum de Roma sobre os direitos humanos fundamentais.

A secretária do Fórum de Roma, a doutora Fermina Alvarez, pediu-me que apresentasse uma conferência no Conselho Pontifício “Justiça e Paz”, no Palácio São Calixto, e também convidou a participar diferentes pessoas que trabalham com Congregações e Pontifícios Conselhos do Vaticano reunidas nesse palácio. Assim, quando me dei conta que estaria falando principalmente a pessoas que já trabalham com a Santa Sé, quis investigar e obter informação sobre um tema no qual há questões doutrinais ainda em consideração.

–Está tudo ainda sujeito a debate, dado que a questão ainda não foi fechada pela Congregação para a Doutrina da Fé?

–Scarnecchia: Não, certamente não – desde o momento em que a Donum Vitae foi apresentada em 1987, condenou-se o congelamento de embriões humanos, condenou-se a fertilização in vitro, e a maternidade sub-rogada foi declarada ilícita e condenada. Pode-se pensar que aquilo teria resolvido o problema, mas, naturalmente, não se abordavam todas as questões.

Por exemplo, a Donum Vitae dirigia-se principalmente à chegada de um ser humano através de uma concepção que não foi o fruto de um ato de amor conjugal entre um esposo e uma esposa, mas que se produziu in vitro, isto é, em uma placa de Petri de vidro. Esse procedimento foi claramente condenado, como também o congelamento de embriões “extra” ou “sobrantes”.

No entanto, criaram-se milhares de embriões congelados, e a pergunta que parte de muitas pessoas bem intencionadas é se uma mulher, diferente da mãe, pode levar um embrião congelado transplantado em seu seio sem se converter em uma mãe sub-rogada.

Alguns especialistas em bioética fiéis ao Magistério, e que não são dissidentes em absoluto, que estavam preocupados com o destino destes embriões congelados, argumentaram que o resgate ou a adoção de um embrião congelado não é maternidade sub-rogada. Uma sub-rogação, segundo este argumento, seria o caso de alguém que, por amor ou por dinheiro, toma um embrião em seu ventre com a intenção de dá-lo a outro – “estou fazendo por minha irmã, estou fazendo por minha filha, eu faço por 20.000 dólares”. Uma mulher não se converte em mãe substituta, argumentaram, se ela não tinha a intenção de dar o filho depois do nascimento, mas de adotá-lo.

Este enfoque foi criticado porque implicaria o colapso dos motivos no ato moral. Bioéticos críticos com a adoção de embriões se opuseram e disseram que mais importante que a motivação pessoal é o ato moral, que eles entendem que é o ato de ficar grávida de uma criança de outra pessoa.

Estes especialistas em bioética argumentaram que se a transferência de um embrião congelado no ventre de uma mulher era sub-rogação em si, seria intrinsecamente mau e não poderia fazer-se sob nenhum bom motivo, nem sequer para salvar a vida do embrião congelado.

–Houve alguma resolução sobre esse debate na Igreja?

–Scarnecchia: Bem, esse debate continuou durante 20 anos, entre 1987-2008. Então, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a Dignitas Personae. Em seu parágrafo 19, oferecia uma resolução deste debate. Minha fala voltava-se onde Dignitas Personae o havia deixado e sobre o que não completava ainda.

O parágrafo 19 diz que quem é geneticamente estranha ao embrião, quem através da transferência heteróloga de embriões fica grávida de uma criança que geneticamente não é sua, participa de ato similar à fecundação in vitro heteróloga e/ou aluguel de ventre, e portanto não era um ato lícito. Assim, não é lícito adotar um embrião para aumentar o tamanho de sua família.

Nos Estados Unidos, existe o Programa Baby Snowflake, promovido pelo National Right to Life, como uma alternativa à pesquisa destrutiva destes embriões. Certamente, este era um movimento bem intencionado. Nesse momento, entre a Donum Vitae e a Dignitas Personae, os católicos podiam, em boa consciência, depois de pesar ambos lados do debate, adotar um embrião congelado. Após a publicação de Dignitas Personae, esta não parece ser uma opção que um católico possa realizar de boa fé.

Alguns especialistas em bioética que se opuseram à transferência heteróloga de embriões disseram que seria equivalente a um adultério tecnológico, que o fato de uma mulher ficar grávida com o filho de outro casal violaria o bem unitivo do matrimônio.

–Que questões ficaram sem resolver nesses dois documentos?

–Scarnecchia: Certos casos de “resgate” altruísta de embriões congelados. No paráfrago 19, afirma-se que, apesar da nobre intenção de salvar sua vida, resgatar os embriões congelados não seria muito diferente da fecundação in vitro heteróloga (que combina os gametas dos cônjuges) e a sub-rogação.

Minha fala foi sobre a situação de uma mãe que se arrepende do pecado da fertilização in vitro e quer recuperar seus próprios embriões congelados. Quando me foi pedido que assessorasse sobre esta questão no caso legal Evans v. UK, pendente do Tribunal Europeu de Direitos Humanos desde 2006, minha resposta foi que a mãe genética poderia resgatar seus próprios embriões congelados, sem se converter em uma sub-rogação e, assim, os membros católicos do Parlamento Europeu poderiam advogar por este resultado, em boa fé. Não esqueçamos que já nos anos 90 o doutor Jerôme Lejeune testificou ante tribunal que a mãe genética tem o dever de adotar medidas razoáveis para salvar ser “filhos pequenos” congelados nas “latas de concentração”.

Creio que o princípio que sublinha a objeção da Donum Vitae contra a fertilização in vitro é o caráter relacional da pessoa humana e, em particular, o dom de si que os esposos se prometem e que têm o dever de cumprir. Esta entrega mútua dos pais tem três fases. Em primeiro lugar, a mútua entrega está concedida e garantida na fase genética, quando os cônjuges, com alegria e livremente, entregam-se um ao outro em um ato de intimidade conjugal, que continua através da concepção natural: toda criança tem direito de ser concebida junto ao coração de sua mãe, à raiz de um ato livre de mútua entrega dos cônjuges. A segunda fase da entrega dos pais produz-se entre a concepção e o nascimento. Pode ser denominada fase de gestação: toda criança tem direito de ser criada no seio de sua mãe. E a fase final é a da formação: cada criança, depois do nascimento, tem direito de ser criada por seus pais até seu amadurecimento.

Em meu livro de próxima publicação, Bioética, Direito e Pensamento Social Católico (Scarecrow Press, 2010), argumento que quando a mãe genética toma seu embrião congelado de novo em seu seio, através da transferência homóloga do embrião, esse ato afirma o direito da criança à paternidade gestacional junto ao coração de sua mãe. Por outro lado, se um estranho genético faz isso, a criança sofre uma segunda violação de seus direitos através da transferência heteróloga de embriões, que a Dignitas Personae deixa claro que é análoga à fecundação in vitro heteróloga e a sub-rogação.

Outros especialistas em bioética sustentam pelo contrário que se cada concepção deve ser o resultado de um ato conjugal entre marido e mulher, como a Donum Vitae afirma,

então cada gravidez também deve surgir de um ato de união conjugal entre os esposos. Portanto, se a mãe genética fica grávida através de atos técnicos, eles argumentam que esta transferência do embrião homóloga suporia uma segunda violação dos direitos do embrião, e que a mãe, paradoxalmente, converter-se-ia em uma mãe sub-rogada de seu próprio filho. Parece-me que se, por analogia, uma gravidez ectópica tubárica se poderia resolver com êxito transferindo o embrião de seu lugar de implantação nas trompas de Falópio de sua mãe ao útero de sua mãe, poucos objetariam que a criança sofreria violação de seus direitos se sua vida se salvasse através de uma gravidez uterina iniciada por terceiros através de um ato de transferência embrionária homóloga.

Isso, a licitude da transferência homóloga do embrião, segue aberto e constitui uma lacuna importante que a Congregação para a Doutrina da Fé tem de abordar e resolver de uma maneira ou outra.







Padre Loring, aos 89 anos, faz da internet seu púlpito

Onde publica sobre respostas e perguntas da fé e vida

MADRI, segunda-feira, 1 de março de 2010 (ZENIT.org).- O padre Jorge Loring S.J. é incansável. Aos seus quase 89 anos, tem feito da internet seu púlpito. Trabalha 12 horas por dia.

Nesse último ano esteve seis meses na América dando palestras e conferências pela metade do continente, além de participar de programas de rádio e televisão.

Acaba de publicar “Mais de 200 respostas de perguntas que você tem feito sobre a fé, a moral e a Doutrina católica” (Vozdepapel), onde aborda as principais e repetidas preocupações e dúvidas, e suas adequadas respostas às mais de 50 mil perguntas que lhe fizeram através da internet nos últimos anos. E continua a responder a todas as perguntas em jorgeloring@gmail.com.

–Quando e por que o senhor viu a necessidade de utilizar as novas tecnologias para a evangelização?

–Padre Loring: Porque penso que devemos aproveitar os avanços da tecnologia para evangelizar. Por isso comecei a utilizar a internet assim que começou, faz uns 10 anos. Quando, nos jogos Olímpicos de Atlanta (EUA), um terrorista colocou uma bomba, eu descobri que ele aprendeu a fazer bombas pela internet, e eu disse: “A internet serve para fazer terroristas, por que não serviria para fazer católicos?”. E assim foi. Tenho recebido e-mails de ateus e protestantes que abraçaram a fé católica depois de ler meu livro. Com a ajuda de Deus!

–Então, poder-se-ia dizer que o senhor foi um dos primeiros sacerdotes a utilizar a internet?

–Padre Loring: Possivelmente. Mas não me consta ser o primeiro.

–Quantas perguntas e preocupações foram respondidas nesses anos?

–Padre Loring: Mais de cinquenta mil.

–Quantas horas dedica ao dia para respondê-las?

–Padre Loring: Quando não estou viajando, umas dez horas ao dia. Muitas perguntas eu respondo assim que chego. Outras tenho de pensar quando me dirijo à missa, pois em meu escritório não paro de escrever. Não sei tudo. Às vezes consulto os companheiros jesuítas de minha comunidade ou mesmo pergunto para algum especialista do tema. Muitas vezes já tenho escritas: copio, colo e mando. Pois muitas perguntas se repetem.

–Quais são as dúvidas mais comuns: fé, moral ou doutrina?

–Padre Loring: As de moral. Muita gente têm preocupações de consciência. Precisam de orientação. Talvez o anonimato da internet as ajude. Também são frequentes as perguntas sobre textos bíblicos. Por isso publiquei um livro chamado “Os Evangelhos com 2.000 dúvidas resolvidas” (Planeta+Testimonio).

–Qual é a preocupação comum e mais “universal” que já perguntaram?

–Padre Loring: As relacionadas com acusações de protestantes sobre a Igreja Católica. Muitos internautas são da América Latina, e ali estão invadidos por seitas que os enganam com mentiras.

–Qual a resposta mais difícil de responder?

–Padre Loring: As dos casados na Igreja, divorciados, e que voltaram a se casar que desejam comungar. Nem sempre se pode dizer o que eles gostariam de ouvir.

Outra questão é o controle da natalidade. Existem muitos matrimônios nos quais não querem mais ter filhos, e quando é dito a eles que a solução é o método de Billings, não confiam. Contudo, está provado que o método de Billings é o mais seguro, saúdavel, barato, simples e mais moral.

–O senhor tem 88 anos, e em breve completa 89. Na sua idade não gostaria de estar felizmente aposentado?

–Padre Loring: De forma alguma. O que peço a Deus é ser útil até a última hora.

–O que mantém o senhor com essa vitalidade?

–Padre Loring: Creio que o sacerdote deve evangelizar enquanto não está impossibilitado. Agora tenho vários projetos apostólicos que acredito ser de muita glória para Deus. Peço a Deus que me mantenha vivo até que os realize.

Entre outros estou gerenciando a tradução para o chinês de “Para Salvar-te”, por um professor de Xangai. Quando estiver pronta, penso em colocá-la na internet para que todos os chineses possam ler gratuitamente. Certamente que alguns, ao se informar sobre a religião católica, abraçarão nossa fé.

–Quando viu que em sua vocação sacerdotal estava também sua vocação de divulgador?

–Padre Loring: Desde quando eu era um jovem estudante jesuíta comecei a falar em quartéis e prisões. Como jesuíta, me mandaram falar para quinze soldados de um quartel. Minhas pernas tremiam debaixo da batina. Hoje, se eu estiver diante de três mil homens ou de câmeras de televisão fico tão tranquilo como quando eu escrevo.

–Quantos livros foram vendidos de seu famoso “Para Salvar-te”?

–Padre Loring: Mais de 1,3 milhão na Espanha. Além de ter edições no México, Equador, Peru e Chile. E foi traduzido para o inglês em Los Angeles (Califórnia), para o árabe no Cairo e para o hebreu em Jerusalém, hoje está sendo traduzido para o russo em Moscou e para o chinês em Xangai.

–Continuam convidando o senhor para conferências na América?

–Padre Loring: Há muito tempo vou todos os anos. Em 2009 dediquei à América seis meses, e dentro de dois meses voltarei. Será minha 77ª travessia do Atlântico. O ano passado dei conferências em Miami, San Diego, doze cidades do México, Bogotá, Medellín e Lima. Agora volto a repetir algumas e participarei em novas cidades.

–Quantas pessoas o senhor calcula que já falou diretamente ao longo de sua vida?

–Padre Loring: Creio que centenas de milhares, pois fiz milhares de palestras e em muitas delas foi superado o número de mil espectadores. Tenho fotos de enormes auditórios e teatros, universidades, fábricas, etc. Durante vinte e cinco anos fiz palestras mensais em três grandes fábricas navais da Baia de Cadiz, de 3 a 4 mil trabalhadores em cada uma, com participação de 90% dos trabalhadores.

–Qual é para o senhor a atividade apostólica mais importante que já teve?

–Padre Loring: Minhas intervenções na televisão norte-americana EWTN, da Madre Angélica, onde gravei quarenta episódios de meia hora, que se repetem faz anos, são transmitidos semanalmente e, segundo me disseram, 80 milhões de pessoas assistem em toda a Hispanoamérica.




Data :- 02/03/2010


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