 Exmo. Sr. Presidente,
Exmos. Senhores Vereadores
Irmãos e irmãs,
Para mim é uma honra e uma alegria estar aqui, como outros anos, para apresentar brevemente a Campanha da Fraternidade deste ano, que tem como tema Economia e Vida e como lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”.
A campanha da fraternidade quer ajudar a construir novas relações,apontando princípios de justiça, denunciando ameaças e violações da dignidade e dos direitos, abrindo caminhos de solidariedade. A vida em fraternidade é expressão do Evangelho e testemunha a nossa condição de filhos e filhas de Deus. A fraternidade e a solidariedade suscitam uma sociedade em que todos se sintam como família, em paz, harmonia e segurança.
A Quaresma é tempo propício para a conversão, momento favorável, dia da salvação.
A CF contribui para a vivência do espírito quaresmal, promovendo a conversão da pessoa em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e social.
ECONOMIA
A palavra economia vem do grego (oikos + nomos) e significa literalmente “administração da casa”, isto é, providenciar tudo que é necessário à sobrevivência;
Uma constante no pensamento social cristão é o caráter humano da economia, como atividade realizada por pessoas, orientada ao serviço das pessoas. Inclusive, a economia deve ser integralmente orientada para a construção do Bem Comum.
Bem comum é o conjunto de condições sociais que permitem e favorecem às pessoas o desenvolvimento integral da personalidade.
O bem comum abrange a existência dos bens necessários para o desenvolvimento da pessoa e a possibilidade real de todas as pessoas de ter acesso a tais bens.
O bem comum envolve todos os membros da sociedade, ninguém sendo isentado de cooperar, participar e desenvolver, de acordo com as possibilidades específicas de cada um.
Para conciliar o bem comum e o bem particular,é indispensável o exercício de duas virtudes: a caridade e a justiça. A primeira ensina a vencer o egoísmo e incute a consciência de sociedade que une as pessoas; a segunda estabelece o reconhecimento e o respeito aos direitos do ‘outro’, seja este o individuo, um grupo ou a própria sociedade.
Objetivo geral da CF é: “colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, com a finalidade de construir o bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”.
Objetivos específicos são:
- sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas;
- buscar a superação do consumismo, onde o “ter” tem mais importância do que as pessoas;
- mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática da justiça.
Para se atingir os objetivos da CF, são adotadas as seguintes estratégias:
• Denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte.
• Educar para a prática de uma economia de solidariedade.
• Conclamar as Igrejas , religiões e toda a sociedade para ações sociais e políticas, que visem justiça para todas as pessoas.
Esses objetivos e estratégia devem ser trabalhados em 4 níveis: social, eclesial,comunitário e pessoal.
Falei de Igrejas, porque esta CF, pela 3ª vez (2000, 2005 e agora), não é organizada só pela Igreja católica, mas também pelas Igrejas Cristãs no Brasil, presentes co CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil).
A parceria ecumênica demonstra unidade no essencial da fé e no empenho pela construção de um mundo melhor para todas as pessoas.
E aqui lanço um desafio: em Coxim, embora nenhuma das Igrejas presentes participe do CONIC, seríamos capazes de fazer algo em comum, como um encontro de oração em praça pública, sobre o tema da CF?
Seria uma boa ocasião para acabar com o proselitismo estéril ou, pior, com a concorrência desleal e anti-evangélica.
O desafio é lançado; fico aguardando alguma resposta dos irmãos evangélicos.
Encerrando, exorto a acolher o convite de Jesus: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. Sirvamos-nos do dinheiro, mas não façamos dele um ídolo.
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