 Santa Sé
Infelicidades da vida não são castigo divino, diz Papa
Encontra-se com peregrinos para a oração dominical do Angelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 7 de março de 2010 (ZENIT.org). – Deus, que é bom, não pode desejar o mal. Por isso, não se devem considerar as infelicidades da vida como castigo divino. Os seguidores de Jesus devem vivenciar os infortúnios como momentos de reflexão e conversão, afirmou neste domingo Bento XVI, aos peregrinos reunidos na praça de São Pedro para a oração do Angelus.
De volta de sua visita à paróquia romana de São João da Cruz, em Roma, o Papa falou da janela de seus aposentos sobre as leituras dominicais aos fiéis e peregrinos presentes.
Em suas reflexões, o Santo Padre partiu da narrativa bíblica da sarça ardente, lembrando como Deus chama Moisés a “tomar consciência de sua indignidade”, ordenando-o a tirar as sandálias por estar em um lugar santo.
“Deus se manifesta das mais diversas maneiras na vida de cada um de nós”, disse o Papa, mas, “para poder reconhecer sua presença, no entanto, é necessário que nos acheguemos a Ele conscientes de nossa miséria e com profundo respeito”.
Retomando em seguida à passagem do Novo Testamento na qual Jesus fala sobre o assassinato de galileus no templo por ordem de Pôncio Pilatos e a tragédia da queda da torre de Siloé sobre viajantes, o Papa sublinhou que “em face à conclusão fácil de considerar tais eventos como uma punição divina, Jesus restitui a verdadeira imagem de Deus, que é bom e não pode desejar o mal”.
Advertindo contra a ideia de que tais infortúnios poderiam ter origem na própria conduta dos que sofrem, Jesus nos convida a “a fazer uma leitura diferente daqueles fatos, posicionando-os na perspectiva da conversão”.
De fato, o pontífice observou depois que “os infortúnios, os eventos trágicos, não devem despertar em nós sentimentos de culpa, mas sim representar ocasiões para refletir, para superar a ilusão de que é possível viver sem Deus, e para reforçar, com a ajuda do Senhor, nosso empenho em mudar nossas vidas”.
Todavia, destacou o Papa, a possibilidade da conversão “exige que aprendamos a interpretar os fatos da vida na perspectiva da fé, animados pelo temor a Deus”.
“Em face do sofrimento e do luto, a verdadeira sabedoria está em reconhecer a precariedade da existência e ler a história humana com os de Deus, o qual, desejando sempre o bem a seus filhos, por um desígnio inescrutável de seu amor, permite às vezes que estes sejam provados pela dor para que possam ser conduzidos a um bem maior”.
Ao final do Angelus, o Papa se dirigiu aos peregrinos franceses presentes na Praça São Pedro e expressou sua solidariedade para com as vítimas do furacão Xynthia, que atingiu recentemente o sul da França, deixando 53 mortos e provocando graves danos materiais.
“Que a Virgem Maria” – concluiu ele – “ajude todas as famílias, especialmente aquelas que se encontram em dificuldades, para que não percam jamais a esperança no amor de seu Filho!”.
Papa pede que se supere a própria “preguiça espiritual”
Em visita à paróquia de São João da Cruz, em Roma
ROMA, domingo, 7 de março de 2010 (ZENIT.org). – Um convite a superar a própria “preguiça espiritual” para que nos tornemos autênticos missionários de Cristo: foi essa a mensagem deixada por Bento XVI ao visitar, na manhã deste domingo, a paróquia de São João da Cruz, em Roma.
Este foi o segundo encontro da paróquia com um Pontífice – em 27 de março de 2004, representantes da comunidade foram recebidos em audiência por João Paulo II na Sala Paulo VI, junto com representantes de outras paróquias italianas.
A comunidade foi fundada em 1989 por seu atual pároco, Enrico Gemma, hoje com 68 anos, que, quando jovem, viveu a experiência do carmelo e decidiu dedicar a paróquia a são João da Cruz.
Antes de entrar, o Papa, acompanhado pelo cardeal vigário Agostino Vallini, deteve-se por um tempo para cumprimentar os muitos fiéis reunidos do lado de fora dos portões paroquiais.
Em sua saudação inicial a Bento XVI, o padre Gemma disse: “Padre santo, hoje gostaríamos de dar muita alegria a seu coração de padre e pastor, apresentando-lhe um povo em festa, uma comunidade unida no amor de Cristo, uma assembléia santa convocada à presença de seu pastor”.
“Acolha, Padre Santo, a vida e as esperanças de todas as nossas crianças. Abençoa o trabalho e o amor de seus pais. Conforte nos sofrimento nossos doentes e queira confirmar nossos tão numerosos colaboradores no serviço generoso à comunidade”, continuou.
“Permitam-se envolver-se cada vez mais pelo desejo de anunciar a todos o Evangelho de Jesus”, disse o Papa aos fiéis em sua homilia. “Não esperem que outras venham trazendo outras mensagens, que não conduzam à vida. Façam de vocês mesmos missionários de Cristo para os irmãos, onde vivem, trabalham e estudam”.
Abordando em seguida o tema referente ao período litúrgico que estamos vivendo, o Pontífice lembrou que “na Quaresma, cada um de nós é convidado por Deus a reorientar a própria existência, pensando e vivendo segundo o Evangelho, corrigindo o modo de falar, de agir, de trabalhar e de se relacionar com os outros”.
“Jesus nos faz este apelo não com severidade, mas porque está preocupado como nosso bem, nossa felicidade, nossa salvação” – enfatizou Bento XVI. “Cabe a nós responder com um sincero esforço interior, pedindo que nos ajude a entender os pontos que devemos nos converter”.
Ao final, o Papa parabenizou as iniciativas de caridade da comunidade, que fazem frente aos problemas sociais da região. De fato, a paróquia atua com voluntários da Cáritas e da Comunidade Sant'Egídio na assistência de mais de 80 famílias necessitadas.
“Minha visita tem a intenção de encorajá-los a realizarem sempre o melhor por essa Igreja de pedras vivas que são vocês”.
“Exorto agora a fazerem desta Igreja um lugar no qual se aprende a escutar sempre melhor ao Senhor que nos fala nas Sagradas Escrituras”, concluiu.
Após a missa, antes de retornar ao Vaticano, Bento XVI reuniu-se com os membros do conselho paroquial, pedindo que continuassem a “construir a Igreja de pedras vivas, sendo assim também um centro de irradiação da Palavra de Deus em nosso mundo, que tanto dela necessita.”
As mensagens que Bento XVI levará a Barcelona e Compostela
De acordo com o porta-voz vaticano
CIDADE DO VATICANO, domingo, 7 de março de 2010 (ZENIT.org). – De surpresa, a Santa Sé anunciou que Bento XVI viajará em novembro deste ano para Santiago de Compostela e Barcelona. Dois destinos “fascinantes”, incluídos pelo Papa em sua agenda para aprofundar o diálogo entre a fé e a arte e evidenciar as raízes cristãs da Europa, disse o porta-voz vaticano.
No editorial da última edição de "Octava Dies", publicação semanal do Centro Televisivo Vaticano, o padre Federico Lombardi S.J., diretor do Gabinete de Informação da Santa Sé, reconhece que o anúncio foi dado “de última hora”, considerando o que significa preparar uma viagem desta natureza, que representará um marco na história deste pontificado.
“Pensávamos que a agenda de viagens internacionais do Papa para 2010 já estivesse definida com o número habitual de quatro, mas, surpreendentemente, Bento XVI atendeu a dois outros convites na Espanha. O número de viagens previstas para este ano passa a ser então de cinco – além de Malta, Portugal, Chipre e Grã-Bretanha, cobrindo o Mediterrâneo, o Oriente Médio, a Península Ibérica e o norte da Europa. Não são distâncias muito grandes, mas são ambientes muito diferentes. Teremos oportunidade de escutar, participar e aprender”.
“Particularmente, os dois últimos destinos na Espanha são fascinantes” – diz o porta-voz – Barcelona e a Igreja da Sagrada Família, definida pelo cardeal Lluís Martínez Sistach como ‘um templo de significado artístico, bíblico, teológico, espiritual e catequético, único no mundo.’ Esta síntese tão original de arte e fé nascida do gênio de Gaudí dará ao Papa uma oportunidade de retomar a discussão sobre o diálogo com a arte, proposto por ele com entusiasmo em seu encontro com artistas na Capela Sistina”.
“Santiago de Compostela, destino final dos peregrinos que há séculos chegam das mais diversas partes do mundo, é um lugar onde o tema das raízes cristãs da Europa demonstra ser muito mais que uma teoria abstrata, e sim a experiência concreta de todo tipo de pessoa, das mais diversas procedências, que convergem movidas por uma espiritualidade comum”.
Com estas duas viagens na Espanha, conclui o porta-voz, “o Papa Bento XVI continuará sua peregrinação, para falar de Deus a todo homem de nosso tempo disposto a buscar sua face”.
Em foco
Defender direitos humanos, também para resolver crise financeira
Intervenção da Santa Sé no Conselho de Direitos Humanos da ONU
Por Anita S. Bourdin
GENEBRA, domingo, 7 de março de 2010 (ZENIT.org).- A defesa dos direitos humanos pode contribuir para resolver a crise financeira atual, afirmou a Santa Sé na ONU, convidando a superar “a dicotomia obsoleta” entre as esferas econômica, social e ecológica.
Dom Silvano Tomasi, representante permanente da Santa Sé nas Nações Unidas e outros organismos internacionais em Genebra, interveio na 13ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, nessa quarta-feira.
“A delegação da Santa Sé quer reafirmar sua convicção de que a perspectiva dos direitos humanos oferece uma contribuição positiva para uma solução da crise financeira atual”, declarou Dom Tomasi.
E explicou: “se é certo que parecem visíveis alguns sinais de recuperação, a crise continua piorando a situação de milhões de pessoas em seu acesso a necessidades fundamentais da vida” e “compromete os planos de aposentadoria” de muitos.
Oportunidade única
Em resumo, falta uma “nova regulação” e um “sistema mundial de governo” para assegurar a todos um desenvolvimento “duradouro e global”.
Dom Tomasi vê uma “oportunidade única” de atacar as “raízes da crise”, aplicando os direitos humanos nos âmbitos “econômico, civil e político”.
O representante da Santa Sé deteve-se no Informe das Nações Unidas sobre as consequências negativas da crise financeira: o escândalo da fome, crescentes desigualdades no mundo, milhões de desocupados, milhões de novos pobres, fracasso das instituições, falta de proteção social para as pessoas vulneráveis”.
Citando a encíclica social de Bento XVI, Caritas in Veritate, destacou que estes desequilíbrios se produzem ao separar a gestão econômica, à qual corresponderia unicamente produzir riqueza, da ação política, que teria o papel de conseguir a justiça mediante a redistribuição (cf n. 36).
Prioridades
“A igualdade e a justiça são os critérios essenciais para gerir a economia mundial”, disse Dom Tomasi.
Ele acrescentou que será possível desfrutar dos direitos humanos “quando os Estados traduzirem os princípios em leis e fizerem realidade das mudanças sobre o terreno”.
Porque o Estado constitui “o primeiro ator” da aplicação dos direitos humanos.
Não deve faltar no entanto a “colaboração com os demais atores da sociedade civil e com a comunidade internacional, neste mundo globalizado e interdependente”.
Dom Tomasi recorda que “o objetivo comum é a proteção da dignidade humana, que conecta toda família humana”, uma unidade “enraizada nestes quatro princípios fundamentais: caráter central da pessoa humana, solidariedade, subsidiariedade e bem comum”.
O representante da Santa Sé exortou a dar prioridade à mudanças “sobre o terreno” e à “aplicação concreta” dos direitos humanos.
E deu uma pista, também a partir da Caritas in Veritate: superar a dicotomia obsoleta entre as esferas econômica, social e ecológica, fazendo respeitar os princípios de honestidade, justiça e solidariedade, de reciprocidade e de dom.
Pessoa
O prelado alertou contra as soluções à crise que consideram a “reforma do sistema financeiro ou dos modelos econômicos sem ter em conta as necessidades das pessoas.
Ao contrário, há que garantir “o acesso aos recursos para melhorar suas condições de vida e permitir-lhes por seus talentos ao serviço de sua comunidade local e do bem comum universal”.
Esse sempre tem sido “o objetivo da doutrina social da Igreja, com uma preocupação particular pelos membros mais vulneráveis da sociedade”, disse Dom Tomasi.
O representante da Santa Sé também disse que, para “dar prioridade aos seres humanos e criar uma ordem que os apoie em sua viagem pela terra”, há que “modificar as regras que governam o sistema financeiro”, em vistas a “mudanças concretas”.
Neste sentido, pediu modificação nas “velhas formas de avareza que produziram a crise atual” e promoção de um “desenvolvimento integral efetivo e a aplicação dos direitos humanos”, porque “o homem, a pessoa, em sua integridade, é o primeiro capital a proteger e valorizar”.
Os tempos estão maduros para um quinto dogma mariano?
“Vatican Forum” acolhe um debate sobre a Festa da Anunciação
Por Robert Moynihan
WASHINGTON, D.C., domingo, 7 de março de 2010 (Zenit.org).- Desde que, na Sexta-feira Santa, em que Jesus, falando da cruz quando estava prestes a morrer, disse ao apóstolo João “Eis tua mãe”, o papel maternal de Maria tem sido um elemento central da fé e da devoção cristã.
As representações da dor de Maria em obras de arte como a Pietà de Michelangelo sugeriram uma profunda verdade emocional: quando um crente é confrontado com uma grande dor ou sofrimento, podemos recorrer a Maria, nossa mãe espiritual, em busca de consolo, porque ela experimentou um sofrimento imenso.
As grandes aparições marianas, especialmente em Lourdes em 1858 e em Fátima em 1917, sugerem aos observadores atentos da vida mística que Maria segue “aproximando” os “pequenos”, as crianças, para incentivar e compartilhar com eles uma mensagem de consolo materno e exortação.
Ao longo dos séculos, a reflexão teológica da Igreja tem premiado títulos particulares e especiais a Maria, para explicar quem ela é, e porque é merecedora de nossa devoção filial.
Até agora, a Igreja proclamou quatro dogmas sobre a Mãe de Jesus: (1) seu papel materno no nascimento de Cristo, o Filho de Deus, se tornando verdadeiramente a Mãe de Deus (Theotokos, Concílio de Éfeso, 431); (2) sua Virgindade Perpétua (primeiro Concílio de Latrão, 659); (3) sua Imaculada Conceição (Pio IX, proclamação ex cathedra, 1854); e (4) sua Assunção ao céu (Pio XII, proclamação ex cathedra, 1950).
Durante quase um século, houve um movimento pequeno, mas crescente na Igreja a favor da proclamação de um quinto dogma mariano, que se refere ao papel da Beata Virgem como Mãe Espiritual de toda a Humanidade.
Em 25 de março, o Vatican Forum da revista Inside the Vatican e do St. Thomas More College, em um local próximo à Praça de São Pedro, convidará um grupo internacional de bispos e teólogos para debater se agora é o momento apropriado para pronunciar uma quinta definição ou “dogma” sobre a Virgem Maria.
Anos de preparação
O movimento na Igreja por um quinto dogma sobre o papel da Virgem Maria em nossa salvação tem mais de 90 anos. O líder ecuménico católico belga cardeal Désiré-Joseph Mercier iniciou em 1920, com o apoio do então padre Maximiliano Kolbe.
Desde então até o presente, mais de 800 cardeais e bispos pediram para diferentes Papas uma definição do papel especial de Maria na salvação da humanidade.
Além disso, os promotores dessa devoção recolheram mais de sete milhões de pedidos de fiéis de todo o mundo.
Os Papas que promulgaram os dois recentes dogmas marianos, Papa Pio IX (1846-1878) e Pio XII (1939-1958), reconheceram de forma positiva o papel dos pedidos de membros da hierarquia e dos leigos.
Ao longo de 2009, cardeais e bispos de todos os continentes pediram que o Papa Bento XVI considere o dogma da Maternidade espiritual de Maria, em três aspectos essenciais, como co-redentora, mediadora de todas as graças e como “advogada”. Isso aconteceu depois de cinco cardeais terem escrito aos bispos do mundo requerendo pedidos ao Santo Padre para o quinto dogma mariano.
Entre os que assinaram a petição estão o cardeal Telesphore Toppo, arcebispo de Ranchi (Índia); cardeal Luis Aponte Martínez, arcebispo emérito de San Juan (Porto Rico); cardeal Varkey Vithayathil, arcebispo de Ernakulam-Angamaly (Índia); cardeal Riccardo Vidal, arcebispo de Cebu, (Filipinas) e o cardeal Ernesto Corripio y Ahumada, arcebispo emérito da Cidade do México.
Alguns bispos, particularmente no Ocidente, veem uma definição Mariana potencialmente contraproducente para o ecumenismo. Dois dos cinco cardeais que em 2009 escreveram aos bispos do mundo todo sobre esse potencial quinto dogma mariano, os cardeais indianos Telesphore Toppo e Vithayathil, arcebispo da Igreja sírio-malabar, responderam publicamente a essa objeção ecumênica argumentando que proclamar a verdade sobre a Mãe de Jesus apenas traria uma unidade cristã baseada na unidade da verdade e da fé, acompanhada da renovada intercessão de Maria, Mãe da unidade, como resultado da proclamação papal de seu papel de mãe espiritual universal.
João Paulo II usou o título co-redentora ao menos em seis ocasiões durante seu papado.
Bento XVI, sem usar o título, tem repetidamente afirmado a doutrina da co-redenção de Maria, ou “co-sofrimento” com Jesus, particularmente em seu discurso do Dia Mundial do Doente e em sua oração de 2008 pelas pessoas que sofrem na China, dirigida a Nossa Senhora de Sheshan.
Inícios
Ao refletir sobre o início desse movimento por um dogma mariano, temos de ressaltar que o cardeal Mercier (1851-1926), arcebispo de Mechelen (Bélgica) desde 1906 até sua morte, foi um líder eclesial chave de seu tempo. Além da liderança heroica demostrada durante a Primeira Guerra Mundial, o cardeal Mercier acolheu o famoso diálogo entre anglicanos e católicos conhecido como Conversas de Malinas, e obteve o estabelecimento da festa litúrgica da Beata Virgem Maria, Mediadora de Todas as Graças, com sua própria missa e ofício. Seu mentor espiritual foi o beato Columbano Marmion.
Aqui, em suas próprias palavras, está o exercício espiritual diário que foi recomendado pelo cardeal Mercier. É válido até hoje.
Ele escreveu: “Eu vou revelar o segredo da santidade e da alegria. Todos os dias durante cinco minutos, controle sua imaginação e feche os olhos, e pare de escutar todos os sons do mundo para entrar em si. Então, na santidade de sua alma batizada (que é templo do Espírito Santo) fale a esse Espírito Divino, dizendo: “Oh, Santo Espírito, amado de minha alma, te adoro”. Ilumina-me, guia-me, dá-me forças e me consola. Diga-me o que fazer. Dá-me tuas ordens. Prometo submeter-me a tudo o que quer de mim e aceito tudo o que permitir que aconteça. Deixe-me saber tua vontade”.
“Se você fizer isso, sua vida fluirá para a felicidade, serenidade e pleno consolo, mesmo no meio das tribulações. Vai dar graça em tempos de dificuldades, dando-lhe força para suportá-las, e alcançar os Portões do Paraíso cheio de méritos. Esta submissão ao Espírito Santo é o segredo da santidade”.
“E foi essa submissão ao Espírito Santo, é claro, a marca que distinguiu a vida de Maria, especialmente no momento na Anunciação (25 de março), quando ela disse, "Faça-se em mim segundo a tua palavra".
Diálogo
O diálogo do dia 25 vai incluir como palestrantes Dom Ramón Argüelles, arcebispo de Lipa (Filipinas) e presidente da Sociedade Mariana-Mariológica das Filipinas; padre Enrique Llamas, presidente da Sociedade Mariológica da Espanha. Estarão presentes também Judith Gentle, teóloga anglicana, escritora e membro da Sociedade Mariológica “Nossa Senhora de Walsingham”, da Grã-Bretanha.
As sessões matutinas serão constituídas de breves apresentações dos palestrantes, debatendo se é apropriado um quinto dogma mariano nesse momento, enquanto que as sessões vespertinas consistirão em um diálogo entre os palestrantes, a imprensa e o público nesse assunto.
A Academia Pontíficia Mariana foi convidada a participar no diálogo, mas posteriormente informou a revista Inside the Vatican que os membros da Academia não iriam participar. O evento, que é livre e aberto ao público, começará às 10h da manhã na Via Borgo Pio, 141.
* * *
Robert Moynihan é fundador e editor da revista mensal Inside the Vatican. É autor do livro Let God’s Light Shine Forth: the Spiritual Vision of Pope Benedict XVI (2005, Doubleday).
O blog de Moynihan pode ser encontrado no link www.insidethevatican.com. E Moynihan pode ser contactado no e-mail: editor@insidethevatican.com.
Angelus
Bento XVI: infortúnios, ocasiões para refletir
Hoje durante a oração do Angelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 7 de março de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a seguir as palavras pronunciadas hoje pelo Papa Bento XVI, ao introduzir a oração mariana do Angelus, na praça de São Pedro.
* * *
Caros irmãos e irmãs,
a liturgia deste terceiro domingo de Quaresma nos apresenta o tema da conversão. Na primeira leitura, trata do Livro do Êxodo, de Moisés, que enquanto pastoreava ovelhas, vê uma sarça em chamas que não se consumia. Ele se aproxima para observar o prodígio, quando uma voz o chama pelo nome, convocando-o a tomar consciência de sua própria indignidade e ordenando-lhe que tirasse as sandálias, porque aquele é um lugar santo.
“Eu sou o Deus de teu pai” – grita a ele a voz – “o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó”; e acrescenta: “Eu sou aquele que sou” (Ex 3,6a.14).
Deus se manifesta das mais diversas maneiras na vida de cada um de nós. Para poder reconhecer sua presença, no entanto, é necessário que nos acheguemos a Ele conscientes de nossa miséria e com profundo respeito. Do contrário, nos tornamos incapazes de encontrá-lo e de entrar em comunhão com Ele. Como escreve o apóstolo Paulo, esta história nos é contada como uma advertência: nos lembra de que Deus se revela não para os astutos ou auto-suficientes, mas sim àquele que se apresenta pobre e humilde diante Dele.
Em uma passagem do Evangelho, Jesus é interpelado a respeito de alguns acontecimentos trágicos: o assassinato, no interior do templo, de alguns Galileus por ordem de Pôncio Pilatos, e o desabamento de uma torre sobre alguns transeuntes (cfr Lc 13,1-5). Em face à conclusão fácil de considerar tais eventos uma punição divina, Jesus restitui a verdadeira imagem de Deus, que é bom e não pode desejar o mal, advertindo contra a ideia de que estes infortúnios teriam origem na conduta dos que sofrem, afirmando: “Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo.” (Lc 13,2-3).
Jesus convida a fazer uma leitura diferente daqueles fatos, posicionando-os na perspectiva da conversão: os infortúnios, os eventos trágicos, não devem despertar em nós sentimentos de culpa, mas devem representar ocasiões para refletir, para superar a ilusão de que é possível viver sem Deus, e reforçar, com a ajuda do Senhor, nosso empenho em mudar nossas vidas.
Diante do pecado, Deus se revela pleno de misericórdia, e não deixa de chamar os pecadores a evitarem o mal, a crescerem em seu amor e a ajudarem concretamente o próximo em necessidade, para assim viverem a alegria da graça e não irem de encontro à morte eterna. Mas a possibilidade de conversão exige que aprendamos a interpretar os fatos da vida na perspectiva da fé, animados pelo temor a Deus. Em face do sofrimento e do luto, a verdadeira sabedoria está em reconhecer a precariedade da existência e ler a história humana com os olhos de Deus, o qual, desejando sempre o bem a seus filhos, por um desígnio inescrutável de seu amor, permite às vezes que estes sejam provados pela dor, para que possam ser conduzidos a um bem maior.
Caros amigos, oremos a Maria Santíssima, que nos acompanha em nosso itinerário quaresmal, para que ajude cada cristão a retornar ao Senhor com todo o coração. Que suporte nossa decisão de renunciar ao mal e de aceitar com fé a vontade de Deus em nossa vida.
[Traduzido por ZENIT]
* * *
Após a conclusão da oração do Angelus, o Papa cumprimentou os diversos grupos de fiéis e peregrinos presentes em vários idiomas. Em português, ele disse:
"Saúdo cordialmente a todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular aos fiéis paroquianos de Santo António de Nova Oeiras, no Patriarcado de Lisboa, desejando que esta vinda a Roma vos confirme na fé e na necessidade de a transmitir aos outros, porque é dando a fé que ela se fortalece. A Santíssima Virgem guie maternalmente os vossos passos. Acompanho estes votos, com a minha Bênção Apostólica."
|