 Em foco
A missão determina nossa vida, diz bispo aos religiosos no Brasil
Abrir-se à missão é “deixar que Deus realize em nós sua vontade”
BRASÍLIA, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O presidente da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Esmeraldo Barreto de Farias, convidou os religiosos a se abrirem cada vez mais ao novo impulso missionário que a Igreja vive.
O bispo presidiu à Missa nessa terça-feira na Assembleia da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), evento que reúne cerca de 600 religiosos e religiosas em Brasília esta semana.
“Nosso relacionamento na família religiosa, no local onde moramos, com a Igreja Particular e com a Sociedade, terá uma marca especial: a Paixão pelo Reino que nos abre à família maior”, afirmou Dom Esmeraldo em sua homilia.
“Abrindo nosso coração, vamos ver com os olhos de Jesus e escutar com os seus ouvidos o chamado de Jesus desde as periferias, o sertão do Nordeste, desde a Amazônia, Haiti, África, Ásia...”
Segundo o prelado, abrir-se à missão “é certamente deixar que Deus realize em nós sua vontade, pois ‘ele quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade’ (1Tm 2,4)”.
“É vontade de Deus porque é a partir da missão que vamos compreender melhor o seu chamado, pois a missão determina nossa vida. Não foi assim com os profetas, com Maria, com os apóstolos e com todos os outros santos?”
O bispo considera que fazer parte da família de Jesus é suplicar com o profeta Miquéias: ‘Senhor, apascenta o teu povo, o rebanho de tua propriedade. Tu que tiraste o povo do Egito, da escravidão, manifesta também agora tua misericórdia, teu perdão. Senhor, sabemos que nos amas e que és fiel’.
“Trazer no coração esta oração é, de olhos fixos em Jesus, o bom Pastor, escutar também com o coração o povo da Amazônia, do sertão e das periferias, do Haiti, da África que eleva sua súplica ao Pai de Bondade”, afirmou Dom Esmeraldo.
Segundo o prelado, a se escutar a oração desse povo, deve surgir a pergunta: “fazendo parte da família de Jesus e tendo-lhe consagrado a nossa vida, porque não contemplar Jesus o Verbo Encarnado, o missionário que ia de cidade em cidade, de vida em vida, povoado em povoado, para reunir os filhos de Deus dispersos, a família de Deus?”
“Será que não é esse o caminho para deixar Deus realizar em nós hoje sua vontade?”, disse.
Eleição
A Irmã Márian Ambrósio foi reeleita, nessa terça-feira, diretora presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). Irmã Márian, de 63 anos, pertence à Congregação das Irmãs da Divina Providência e está na presidência da CRB desde 2007. Ela ficará à frente da instituição mais três anos.
Santa Sé
Bento XVI é sétimo papa mais velho da história
Segundo dados de Anura Guruge, aficionado da história dos papas
ROMA, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Bento XVI se tornou o sétimo pontífice mais velho na história dos papas dos últimos 600 anos.
A notícia foi dada a conhecer no blog "Popes-and-papacy.com", o qual indica que o Papa supera assim Gregório XIII, que faleceu aos 83 anos.
O blog pertence a Anura Gurugé, um aficionado ao estudo dos papas.
O especialista esclarece em seu blog que os dados sobre a idade dos papas têm um valor relativo, pois só podem ser estabelecidos com certeza desde os últimos 1400 anos.
Segundo Gurugé, o pontífice mais velho da história foi Leão XIII, que faleceu com 93 anos. João Paulo II, falecido aos 84 anos, precede Bento XVI no 6º lugar.
O atual pontífice poderia superar a idade do seu antecessor no dia 29 de fevereiro de 2012, para converter-se no 6º papa mais velho da história.
Neste blog, o autor apresenta algumas curiosidades como os nomes que os pontífices escolhem, algumas frases principais dos papas, a porcentagem da sua vida que cada pontífice dedicou ao ministério petrino. Também apresenta erros históricos e célebres livros sobre a vida dos papas.
Uma seção do seu blog está dedicada ao Colégio Cardinalício e àqueles que são os cardeais eleitores atualmente.
Gurugé vai atualizando a página de acordo com a idade dos purpurados e vai anunciando aos leitores quando estes superam a idade de 80 anos e perdem a faculdade de eleger o sucessor de Pedro.
Gurugé é também autor de livros como The next pope (O próximo papa), no qual apresenta 10 cardeais que, segundo o seu critério e seus estudos, poderiam suceder Bento XVI. Apresenta também o contexto dos conclaves anteriores, assim como a história dos últimos papas e os cargos que desempenhavam antes de ser eleitos.
Outra curiosidade que o blog oferece é o lugar onde estão enterrados os pontífices. Segundo o especialista, na Basílica de São Pedro, há entre 137 e 139 papas sepultados. Os demais estão enterrados em diferentes lugares, como na Basílica de São João de Latrão, São Lourenço, entre outras.
Ataque hacker à página do Vaticano foi campanha de marketing
Denuncia Pe. Fortunato Di Noto, fundador da associação Onlus
ÁVOLA, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) - O ataque hacker ao site do Vaticano, ocorrido no último sábado, foi parte de uma campanha de marketing, segundo denunciou o Pe. Fortunato Di Noto, fundador da Associação Onlus de combate à pedofilia e proteção às crianças.
"Trata-se de uma publicidade do mais extremo mau gosto, que explora a situação das vítimas de pedofilia e de abuso por sacerdotes", disse Di Noto.
"No sábado passado - explica - alguém posicionou um site de domínio ‘pedofilo.com' no topo dos resultados apresentados pelo Google ao submeter a palavra ‘vatican' à ferramenta de busca."
Os responsáveis pela operação - que num primeiro momento se desculparam com o Vaticano - anunciam em tom triunfal em sua homepage: Somos líderes em posicionamento (publicidade atrelada a resultados de busca em ferramentas de pesquisa na web). Sabemos verdadeiramente como posicionar um endereço online. Tivemos êxito em posicionar www.pedofilo.com no topo de uma lista de 65,8 milhões de resultados, inclusive o site www.vatican.va no Google, ao se buscar a palavra ‘vatican' (...). Somos contrários aos abusos sexuais por parte de sacerdotes e assim erguemos nossa voz, como tantas outras pessoas no mundo, para exigir que a Igreja ponha um fim a tais atos imperdoáveis".
E prosseguem: "Fomos capazes de fazer isso por meio do SEO (otimização para motores de busca) sem hackear nenhum servidor (...). Se deseja ser a primeira opção para seus clientes na internet, contate-nos imediatamente (...) todos os jornais do mundo demonstram que somos os melhores".
Para o Pe. Di Noto, é lamentável que "dramas tão graves sejam explorados para fazer marketing", como se já não bastassem os milhões de organizações pedocriminosas que ameaçam as crianças. "É obra de vagabundos virtuais", disse.
Papa erige nova diocese em Malauí
Karonga, com Martin Anwel Mtumbuka como primeiro bispo
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Bento XVI erigiu a nova diocese de Karonga (Malawi), com território desmembrado da diocese de Mzuzu e tornando-a sufragânea da sede metropolitana de Blantyre.
Segundo divulgou a sala de imprensa da Santa Sé, o papa nomeou como primeiro bispo diocesano de Karonga o reverendo Martin Anwel Mtumbuka, do clero de Mzuzu, que também é vice-chanceler da Universidade Católica de Malauí.
Don Mtumbuka nasceu no dia 5 de agosto de 1957, em Majimbula Village. Depois do ensino fundamental, entrou no seminário menor de Mzuzu, onde frequentou o ensino médio. Após isso, passou ao seminário filosófico de Kachebere e ao teológico em Zomba.
Foi ordenado sacerdote em 31 de julho de 1988 e incardinado na diocese de Mzuzu.
Após a ordenação, desempenhou vários cargos, entre eles o de vigário paroquial na catedral de Mzuzu entre 1988 e 1990; de reitor no seminário menor St. Patrick entre 1990 e 1993; de reitor do seminário menor de Mzuzu entre 2002 e 2005; de vice-chanceler da Universidade Católica de Malawi, na arquidiocese de Blantyre, desde 2005.
Uma nova diocese de Karonga compreende o atual decanato norte de Mzuzu e os dois distritos civis de Karonga e Chipita.
Abrange uma superfície de 14 mil quilômetros quadrados, com uma população de 400 mil pessoas, 61 mil das quais são católicas.
Há cinco paróquias e os fiéis são atendidos por 9 sacerdotes diocesanos, 6 sacerdotes religiosos, 5 irmãos religiosos, 40 religiosas e 38 catequistas.
A igreja paroquial St. Marie de Karonga se converte na igreja catedral da nova diocese. Malauí tem uma população total de aproximadamente 15,5 milhões de habitantes; 80% deles são cristãos.
Energia nuclear, um direito inalienável para o desenvolvimento
Por Antonio Gaspari
ROMA, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) – “A energia nuclear é um direito inalienável para o desenvolvimento econômico e social”. É o que lembrou Dom Giampaolo Crepaldi, arcebispo de Trieste, no encerramento da convenção promovida pela Sociedade de Gerenciamento de Instalações Nucleares (SOGIN), realizado em Trieste, Itália, em 16 de julho, cujo tema foi “A segurança nuclear é um bem comum”.
O já secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz revelou que a Santa Sé está entre os fundadores da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) visando a “promover o bem comum”, e acompanha de perto “os processos de desarmamento e não-proliferação nuclear, bem como as possíveis aplicações pacíficas da tecnologia nuclear”.
“Garantir a segurança das instalações nucleares e dos depósitos – precisou o arcebispo –, regulando severamente a produção, distribuição e o comércio de material nuclear, parecem-me ser os pressupostos de uma política energética integrada, capaz de contemplar, ao lado das várias formas de energia limpa, também a energia nuclear”.
A Doutrina Social da Igreja, enfatizou Dom Crepaldi, insere a energia nuclear no âmbito da “responsabilidade comum da humanidade de construir o próprio progresso futuro, no respeito, não como se diz com frequência, aos ‘direitos do ambiente’, uma vez que o ambiente, naturalisticamente entendido, não tem direitos, mas sim aos direitos dos homens, inclusos os pobres de hoje e de amanhã e as gerações vindouras”.
O prelado sublinhou que a Santa Sé tem “afirmado repetidamente a necessidade de utilizar e favor do desenvolvimento dos países pobres os recursos energéticos que derivam da aplicação dos tratados de desarmamento nuclear”.
Para Dom Crepaldi, a Igreja “tem em grande consideração” a ciência, a técnica e o progresso humano”, e ao mesmo tempo convida o homem a uma “postura de prudência, que não significa passividade, incerteza, renúncia ou paralisia das decisões”.
Francesco Mazzuca, comissário do governo italiano, explicou o papel e as atividades da SOGIN, organização controlada pelo Ministério da Economia, responsável pela gestão das centrais nucleares no país desde 1999.
“A SOGIN implementará em Trieste um parque tecnológico que contará com um centro de excelência, com laboratórios experimentais dedicados à formação, pesquisa e desenvolvimento na área”, afirmou. A escola deverá firmar convênio com o Centre for Theoretical Physics (ICTP), fundado em 1946 pelo físico paquistanês Abdus Salam, prêmio Nobel de Física em 1979, a fim de favorecer a cooperação internacional e a formação de cientistas nos países emergentes.
Após ter destacado a importância econômica e estratégica da tecnologia nuclear civil, o sub-secretário de desenvolvimento econômico da Itália, Stefano Saglia, disse que “uma central nuclear não pode ser vista como algo indesejável; é, ao contrário, uma oportunidade”.
Roberto Menia, representante do ministério do meio ambiente italiano, forneceu alguns dados que confirmam os benefícios econômicos e ambientais da produção de energia a partir de fontes nucleares, afirmando que “as usinas nucleares já não assustam ninguém”.
Mundo
Venezuela: Hugo Chávez proibirá emissora de televisão católica no país
Outra atitude na tensão criada pelo governo
Por Nieves San Martín
CARACAS, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu ao ministro do Interior, Tareck El Aissami, "revisar" a concessão de um canal de televisão ao arcebispado de Caracas para "recuperá-lo" e "colocá-lo às ordens do povo". Trata-se de outra atitude em relação à tensão com a Igreja criada pelo governo, em uma série de ataques dirigidos especialmente contra o cardeal Urosa, arcebispo de Caracas.
O presidente venezuelano fez este pedido sobre a emissora de sinal aberto Vale TV (Valores Educativos Televisão) depois de ratificar sua vontade de revisar o convênio da Venezuela com o Vaticano e de convidar ao núncio apostólico, Pietro Parolin, a "falar" sobre o tema.
"Revisemos [a concessão da Vale TV], Tareck, para recuperar esse canal e colocá-lo às ordens do povo", repetiu Chávez em um programa televisivo com membros da Polícia Nacional Bolivariana.
A Vale TV se identifica em seu site como um canal aberto e sem fins lucrativos dedicado à cultura, pertencente à Televisão Nacional, canal 5, o primeiro canal público de televisão da Venezuela, fundado em 1952.
Em 1998, o então presidente da Venezuela, Rafael Caldera, outorgou a concessão deste canal ao arcebispado de Caracas, que iniciou suas emissões em 4 de dezembro desse mesmo ano. Neste sentido, Chávez garantiu que Caldera "entregou" o canal 5 à "hierarquia eclesiástica" em 1998, "violando uma série de procedimentos".
A atual polêmica entre a hierarquia eclesiástica venezuelana e o governo surgiu no início de julho, quando o arcebispo de Caracas, Cardeal Jorge Urosa, disse que Chávez violava a Constituição ao querer impor uma "ditadura comunista" no país, e o governante lhe chamou de "troglodita" e "indigno" e ameaçou processá-lo por injúrias.
Nesse contexto, o mandatário revelou que o secretário do Estado Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, disse nessa semana ao seu ministro de Relações Exteriores, Nicolás Maduro, estar "preocupado" pelas suas recentes declarações sobre a revisão do acordo de 1964.
"Parece que no Vaticano estão muito preocupados porque eu anunciei, e vamos fazer, uma revisão do convênio", disse Chávez, em relação à firma de Modus Vivendi de 6 de março de 1964, entre o Estado venezuelano e a Nunciatura Apostólica.
Este documento compromete a transferência à Igreja Católica de recursos provenientes da exportação de petróleo para o financiamento de obras sociais e projetos educativos.
Redução de investimento atrasará 20 anos de ajuda contra AIDS
Adverte Cáritas Internacional na Conferência de Viena
Por Nieves San Martín
VIENA, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) - A Cáritas Internacional adverte que um corte nos fundos para programas de luta contra o HIV no mundo fará retardar em 20 anos a campanha contra a AIDS. O comunicado foi dado na Conferência Internacional sobre esta doença que, acontece de 18 a 23 de julho em Viena.
A Conferência Internacional reúne em Viena especialistas de saúde, cientistas, governos e ativistas.
Entre as questões mais delicadas da agenda, estão as políticas das grandes empresas farmacêuticas a respeito dos países do Sul do mundo, em especial africanos, entre os mais afetados pelo HIV/AIDS.
Dom Robert Vitillo, representante especial sobre HIV e AIDS da Cáritas Internacional, foi palestrante em uma sessão sobre "Acesso Universal", em uma "pré-conferência" da rede católica, em 16 e 17 de julho, na qual também participou a secretária-geral de Cáritas Internacional, Lesley-Anne Knight.
O programa contra a AIDS das Nações Unidas, UNAIDS, estima que é necessário neste ano conseguir 27 milhões de dólares para abordar a pandemia, mas as estimativas otimistas sobre os fundos disponíveis preveem um corte de mais de um terço. Os custos aumentam à medida que mais pessoas são infectadas, especialmente se cortarem também a prevenção e os programas de teste.
Dom Vitillo disse que já existem pessoas que foram excluídas do tratamento em países que visitou, como Uganda, por causa de falta de fundos.
"Descuidar o HIV e a AIDS colocará em risco milhões de vidas humanas nos países pobres - afirma Dom Vitillo. Se as pessoas não tiverem acesso ao tratamento, voltaremos aos anos 80, nos quais não havia suficientes camas de hospital e as pessoas morriam sem receber nenhuma atenção."
Os efeitos deste corte de fundos vão desde a denegação de tratamento as pessoas afetadas até políticas que bloqueiam que se inscrevam novos pacientes nos programas de medicação. Junto aos cortes de fundos para os serviços de saúde, as ajudas para órfãos e crianças vulneráveis também poderão ser afetadas.
Cáritas esteve promovendo o acesso universal ao tratamento para as pessoas com HIV e AIDS, assim como oferecendo tratamento e atenção.
A campanha da Cáritas "HAART para Crianças" está motivando os governos e empresas farmacêuticas a melhorarem os testes e tratamento para crianças com HIV e tuberculose nos países pobres. HAART quer dizer em inglês Terapia Antirretroviral Altamente Ativa, a combinação de remédios que ajudam a prolongar a vida de crianças e adultos que vivem com HIV. Sem acesso a tais medicamentos salva-vidas, mais da metade das crianças com HIV morrerão antes de seu segundo ano de vida.
Durante a Conferência Internacional sobre AIDS, como sua última ação na Campanha "HAART para Crianças", a Cáritas entregará 20 mil assinaturas para representantes do governo austríaco.
Segundo Dom Vitillo, estas assinaturas mostram a preocupação do povo austríaco por seus irmãos e irmãs que vivem com AIDS nos países desenvolvidos.
A exigência de um maior compromisso por parte das potências industriais para garantir o acesso universal à atenção e aos fármacos mais eficazes caracterizaram a abertura este domingo em Viena da Conferência.
"As promessas não mantidas matam", dizia um dos cartazes dos manifestantes que protestavam pelo atraso e tarefas não cumpridas dos países do G8.
Há cinco anos, na cidade escocesa de Gleneagles, os representantes das oito maiores economias do planeta se comprometeram a garantir o acesso universal à atenção sobre o HIV/AIDS antes de 2010.
No mês passado, no Canadá, os governos destes mesmos países admitiram não ser capazes de respeitar o prazo dado.
Neste domingo, a falta de "vontade política" foi o tema central da intervenção de Julio Montaner, presidente da International Aids Society, sociedade que organiza a conferência de Viena.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2008 as pessoas afetadas pelo HIV eram mais de 33 milhões. No mesmo ano, o número de mortes havia diminuído em relação com 2004 em 2,2 milhões. Segundo estimativas apresentadas na semana passada pela ONU em Accra, na região subsaariana, a incidência da AIDS foi reduzida entre 2001 e 2008 em cerca de 17,4%.
Etapa da beatificação de sacerdote americano assassinado na Guatemala
Um esquadrão de morte matou Pe. Stanley Rother
OKLAHOMA CITY, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Nesta terça-feira, na arquidiocese de Oklahoma City (Estados Unidos), foi realizada a cerimônia de clausura da fase diocesana do processo de canonização do Pe. Stanley Rother, missionário na Guatemala que foi assassinado por um esquadrão de morte.
Em uma solene Celebração Eucarística, o arcebispo desta cidade, Dom Eusebius J. Beltrán, ordenou o encerramento de todos os documentos que testemunham os sucessos ocorridos em 28 de julho de 1981 na localidade de Santiago Atitlán, Guatemala, para seu imediato envio à Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano.
O sacerdócio do padre Stanley Rother esteve marcado por um trabalho missionário desde muito jovem entre os indígenas Tzutuhil da Guatemala, onde a arquidiocese de Oklahoma City, à qual pertencia, lhe enviou para trabalhar na missão sustentada pela jurisdição norte-americana.
"O padre Rother foi um sacerdote bom e feliz. Foi muito leal ao Evangelho e a seu serviço aos mais pobres", declarou arcebispo Beltrán a ZENIT, que alentou a esperança de que hoje o servo de Deus seja declarado santo e mártir.
O fato que é tema de investigação corresponde ao assassinado do sacerdote por um suposto grupo armado, durante a ditadura que assolou a Guatemala durante os anos setenta e oitenta, onde também quatro sacerdotes e muitos catequistas perderam a vida defendendo a fé.
O Pe. Rother foi pároco da cidade de Santiago Atitlán, onde defendeu a vida e a prática religiosa de seu povo, razão pela qual recebeu diversas ameaças antes de sua morte, sobre o que os contemporâneos testemunharam, entre eles expoentes do povo indígena.
Portugal: Igreja preocupada com crianças imigrantes
LISBOA, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH) da Igreja em Portugal, D. António Vitalino, destacou a preocupação da Igreja no país com as crianças imigrantes.
O prelado alertou para “a delinquência, o abuso e o tráfico, a exploração” desses menores que são ou foram obrigados a imigrar com seus familiares.
Em texto assinado para o semanário Agência Ecclesia, o bispo destaca que “os adultos, a sociedade e os Estados programam a sua vida e as suas estruturas quase exclusivamente a partir de si mesmos”.
“Embora muitos digam que emigram por causa da família, sobretudo dos filhos, para lhes dar um futuro melhor, no entanto acabam por prejudicá-los ao pensar apenas nos valores financeiros e econômicos”, afirma.
Para o presidente da CEMH, é importante recordar que muitas crianças “vivem em condições desumanas, sem alimentação conveniente, sem cuidados de saúde, sem higiene e sem casa, sem escola adequada”.
No texto que anuncia a semana nacional de migrações 2010 (8 a 15 de agosto), a CEMH refere-se aos “filhos dos imigrantes nascidos em Portugal, muitos deles votados à marginalidade, sem documentos nem registo de existência, excluídos pelo país onde nasceram e não aceites pelo país de origem dos pais por não os considerar seus”.
“A estes é preciso fazer justiça dando-lhes uma identidade e nacionalidade, pois não conhecem outro país senão aquele que os viu nascer e que, ao excluí-los está a contribuir para que surjam organizações juvenis marginais”, destaca o texto.
Primeira rádio cristã na Terra Santa é esperada para o Natal
Impulsionada por Pe. Raed Abusahlia, na igreja paroquial latina da Cisjordânia
TAYBEH, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) – A primeira emissora totalmente cristã na Terra Santa pode ser inaugurada no próximo Natal, graças à colaboração de Rádio Vaticano, segundo informa a agência árabe Abouna.
A ideia nasceu do Pe. Raed Abusahlia, de 45 anos. Ele é o chanceler do Patriarcado Latino de Jerusalém. Há alguns anos, é pároco na comunidade palestina de Taybeh, na Cisjordânia. A estação de rádio busca oferecer uma nova nova voz aos cristãos da região.
Em entrevista a Rádio Vaticano no dia 8 de julho, o sacerdote explicou que a Terra Santa necessita de uma “voz cristã que abranja a totalidade do território da Jordânia, Israel, Territórios Palestinos e Chipre”.
“Ainda que existam vários programas de televisão e rádio, não há explicitamente uma emissora cristã”, disse.
Para o Pe. Raed, a localidade de Taybeh, situada 300 quilômetros ao nordeste de Jerusalém, é o lugar mais adequado para a nova estação de rádio. Ali é único lugar na Terra Santa totalmente cristão. Além do mais, está sobre uma montanha, o que pode facilitar a difusão.
Para preparar a nova estação, o sacerdote teve de enfrentar a burocracia e apresentar diversos documentos oficiais às Autoridades Palestinas.
“Nossa voz será uma voz cristã, mas também uma voz diferente: será de paz, esperança, diálogo e reconciliação”, disse. “Vamos estar abertos a tudo e sobretudo às outras Igrejas na Terra Santa”, disse.
Padre Raed está convencido de que o meio mais eficaz para obter a paz é a oração. “Somente quando houver paz em Jerusalém teremos paz no mundo”, afirma o sacerdote.
Crônicas romanas
O segredo do professor Ratzinger
Por Pe. Piero Gheddo*
ROMA, quarta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Como leitura para os momentos de descanso, escolhi “Ratzinger professor”, de Gianni Valente. Um texto verdadeiramente interessante para conhecer o Papa Joseph Ratzinger em seus anos de juventude, e assim compreeender melhor seu pontificado hoje. Seria impossível sintetizar em um espaço tão reduzido toda a riqueza desta reconstrução da juventude e maturidade do homem que o Senhor Jesus escolheu como seu Vigário na terra para nosso tempo. Mas gostaria de destacar apenas dois pontos que evidenciam a coerência de Joseph Ratzinger, desde os tempos de sua juventude quando estudante e sacerdote até os dias de hoje, como Pontífice da Igreja universal.
Primeiramente. A lectio magistralis proferida em 24 de junho de 1959, no início de sua carreira como docente na Universidade de Bonn, tinha por título “O Deus da fé e o Deus dos filósofos [1]. A “questão urgente” apresentada pelo jovem professor de 32 anos referia-se ao divórcio moderno entre fé e razão, entre uma religião confinada ao campo pessoal e privado, ínitimo e sentimental, e a busca racional que, desede Kant, renega toda possibilidade de conhecer ou ter acesso a Deus.
Citando São Tomás, Ratzinger afirma que é possível superar toda contraposição deletéria entre a linguagem da fé e a linguagem da razão. O Deus que gradualmente se manifesta no Antigo e no Novo Testamento coincide, ao menos em parte, com o “Deus dos filósofos”, isto é, com a concepção que os homens têm de Deus. O problema é de linguagem. Os Padres da Igreja fizeram uma notável síntese da fé bíblica e do espírito helênico. Do mesmo modo, escreve o jovem Raztinger, “se (hoje) é essencial, para a mensagem cristã, ser não uma doutrina esotérica em busca de iniciados, mas a mensagem de Deus dirigida a todos, então é essencial, para tal, traduzi-la também na linguagem comum da razão humana”.
O jovem sacerdote e professor alemão não se permitia iludir. Em um artigo publicado em 1958, Ratzinger escreve que considerar a Europa um continente “predominantemente cristão” é um “erro estatístico” [2]: “Esta Europa, cristã no nome, é berço há mais de 400 anos de um novo paganismo, que cresce sem encontrar oposição no próprio coração da Igreja, e ameaça demoli-la de dentro”. A Igreja Católica do pós-guerra parece ter se tornado “cada vez mais, e de uma maneira totalmente nova, Igreja de pagãos. Não mais, como em outros tempos, Igreja de pagãos tornados cristãos, mas sim a Igreja de pagãos que se dizem ainda cristãos, mas que na verdade se tornaram pagãos”.
O segundo ponto é a profundidade de penasmento aliada à clareza do professor Ratzinger ao ensinar teologia, que o torna muito popular entre os estudantes. Em tempos em que os “barões das cátedras” com frequência falavam em linguagem difícil e não se preocupavam em se fazer compreender pelos estudantes, Ratzinger introduzia uma nova maneira de lecionar: “Lia as aulas na cozinha para sua irmã Maria, pessoa inteligente mas que jamais havia estudado teologia. Se sua irmã manifestava aprovação, era sinal de que aula estava boa”, conta o biógrafo em seu livro.
E um estudante daquele tempo acrescenta: “A sala estava sempre lotada, os estudantes o adoravam. Tinha uma linguagem bela e simples. A linguagem de um fiel. Ratzinger não fazia exibições de erudição acadêmica nem usava o tom oratório habitual da época. Expunha sua lições de modo claro, com uma linguagem de límpida simplicidade, mesmo ao abordar as questões mais complexas.
Muitos anos mais tarde, o próprio Ratzinger explicava o segredo do sucesso de suas aulas [3]: “Nunca tentei criar um sistema meu, uma teologia minha particular. Falando mais especificamente, trata-se simplesmente do fato de que eu me propunha a pensar com a Igreja, e isto significa, principalmente, com os grandes pensadores da fé”. Os estudantes precebiam, através de suas lições, que não estavam apenas a receber noções de conhecimentos acadêmicos, mas que entravam em contato com algo realmente grande, com o âmago da fé cristã. Era este o segredo do jovem professor de teologia, que tanto atraía os estudantes.
[* Pe. Piero Gheddo (www.gheddopiero.it), editor de Mondo e Missione e Italia Missionaria, é um dos fundadores da agência Asia News (1986). Como missionário, esteve em todos os continentes e é autor de mais de 80 livros. Foi diretor do Departamento Histórico do Pime em Roma e postulador de diversas causas de canonização. Hoje vive em Milão.]
[1] J. Ratzinger, “Der Gott des Glaubens und der Gott der Philosophen”, “O Deus da fé e o Deus dos filósofos”, Marcianum Press, Venezia 2007.
[2] J. Ratzinger, “Die neuen Heiden und die Kirche” (Os novos pagãos e a Igreja), na revista “Hochland”.
[3] J. Ratzinger, “Il sale della terra – Cristianesimo e Chiesa cattolica nella svolta del millennio - Un colloquio con Peter Seewald”, San Paolo 1997, pag. 74.
Fórum
Crítica aos ídolos modernos
Por Luigi Conti
ROMA, quarta-feira, 20 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Já está nas livrarias italianas o último livro de Michael Schooyans, "Conversações sobre os ídolos da modernidade", publicado pela editora Edizioni Studio Domenicano.
Pe. Michael Schooyans não é um articulista ou jornalista profissional, nem tampouco um monge de longas barbas brancas; é um octogenário cheio de energia, que dividiu a vida entre a experiência de missionário na América Latina - especialmente no Brasil - e as atividades de docência junto à Universidade Católica de Lovanio, no intrigante campo da filosofia política e do estudo das ideologias contemporâneas.
Os dois últimos pontífices o honraram com uma estima incondicional, nomeando-o membro da Academia Pontifícia de Ciências Sociais, da Academia Pontifícia para a Vida e do Conselho Pontifício para a Família - fato que se torna fácil de compreender ao ler algumas páginas de seu último livro.
O livro é uma coletânea de entrevistas, divididas por assunto, uma escolha que tem seus prós e contras. Sem dúvida, a despeito do trabalho de redação, não se poder evitar notar algumas repetições e certa fragmentação do discurso, o que, em textos do gênero, é o preço inevitável a pagar; por outro lado, esta estrutura oferece uma leitura ágil, incompleta, porém livre do peso próprio de um ensaio no estilo clássico.
Aos leitores que ainda não tiveram a oportunidade de ter contato com este autor em alguma de suas obras anteriores, como "A nova desordem mundial" ou "Terrorismo de face humana", vale dizer que se trata de um dos mais agudos e corajosos analistas dos problemas de nosso tempo, uma voz, entre muitas, capaz de um contraponto às falsas promessas do pensamento unânime globalizado, nos campos mais diversos como a defesa da vida, o caráter central da família, as novas fronteiras da bioética e da medicina.
Sem se permitir seduzir pelos clássicos ‘mantras' do politicamente correto, ao ser indagado a respeito do mais importante recurso à disposição do Brasil, o Pe. Schooyans responde: "Os meninos de rua - desde que se aceite o desafio de educá-los"; a aqueles que sustentam que os recursos naturais representam a limitação última, ele responde que estas não existem, já que nada do que possa ser definido como recurso o é por natureza, e sim apenas pela ação da inteligência humana; e que assim, não outro recurso autêntico além da própria vida humana - cujo florescer hoje todos parecem temer.
Acompanhando seus argumentos, caracterizados por uma lucidez nítida e cristalina, seja a respeito dos desvios das agências da ONU ou dos perigos do ecologismo tão em moda, permitindo-se enxergar o planeta a partir de sua ótica, nota-se entre que seu diagnóstico contundente dos problemas contemporâneos não esconde seu otimismo confiante.
Cada resposta é um desafio a fazer renascer no leitor a paixão e a confiança no homem e na razão, uma onda de ar fresco em meio à atmosfera sufocante dos debates atuais sobre o homem e sobre a política, cada vez mais marcados por uma mentalidade mortífera quase anti-humana.
Um desafio à atmosfera cultural construída pelas grandes agências de pensamento de nossos tempos, capilarmente difundida por um poder cada vez mais submetido aos interesses da mídia, para quem os governos democráticos progressivamente perdem terreno.
|