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Notícias da Igreja no Brasil e no Mundo

Brasil
CNBB pensa em possível lei em prol da educação no Brasil
Mexer na família traz danos ao bem comum, diz cardeal
Santa Sé
Colaboradora do Papa pede reconhecimento da mulher da direção espiritual
Mundo
Católicos na política, uma presença que não se nota
Cáritas Espanha enfrenta grave crise de alimentos em Burquina Faso e Níger
Reino Unido cria site para defender Papa
Alerta do bispo de Faiçalabade sobre a situação dos cristãos
Em foco
Toy Story III: nobreza, amizade e trabalho em equipe
Prefeito de Madri: “Será a melhor Jornada Mundial da Juventude”
Entrevistas
Por que 20 países estão contra Tribunal Europeu e a favor do crucifixo
Espiritualidade
Evangelho do domingo: Tiago e seus trovões
Fórum
Papa em Portugal, desafio à Doutrina Social da Igreja
     Brasil

CNBB pensa em possível lei em prol da educação no Brasil

Segundo D. Dimas Lara, se poderia propor um Projeto de Lei de Iniciativa Popular

BRASÍLIA, quinta-feira, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O secretário geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Dimas Lara Barbosa, disse que pretende se reunir com os responsáveis pelas instituições católicas de ensino para propor um Projeto de Lei de Iniciativa Popular visando à melhoria da educação no país.

Dom Dimas abriu os trabalhos dessa quinta-feira no Congresso Nacional de Educação, promovido pela ANEC (Associação Nacional de Educação Católica do Brasil), evento que reúne 2 mil pessoas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

“No Ficha Limpa houve uma mobilização social muito bonita das escolas, com alunos levando fichas para as suas comunidades e recolhendo assinaturas”, recordou o secretário da CNBB, segundo informa a assessoria de imprensa do organismo episcopal.

“Imagine se fizéssemos um Projeto de Lei de Iniciativa Popular em prol da melhoria da educação no Brasil, como não seria?”

“Temos aproximadamente 2 milhões de alunos em escolas católicas, se apenas 500 mil se mobilizasse e recolhesse cinco assinaturas, só aí já conseguiríamos 2,5 milhões de assinaturas em apenas um mês. Nós não sabemos a força que nós temos”, afirmou o bispo.

Santa Sé



Mexer na família traz danos ao bem comum, diz cardeal

Segundo D. Odilo Scherer, Igreja não deixa de afirmar valor e importância da família

SÃO PAULO, quinta-feira, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Mexer no patrimônio que é a família, com medidas como a facilitação do divórcio e o “casamento gay”, traz danos ao bem comum.

É o que afirma o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, em artigo desta semana no jornal O São Paulo, ao comentar fatos que envolveram o tema da família nesses últimos dias.

Ao recordar que o Congresso Nacional aprovou uma emenda constitucional que facilita o divórcio no Brasil, criando a possibilidade de obtê-lo imediatamente, o arcebispo questiona se se tratou realmente de um “avanço” na legislação brasileira, como muitos disseram.

“A argumentação geralmente usada para justificar o divórcio e o seu apressamento é a não interferência do Estado nas questões da vida privada; é a pretensão da total ‘privatização’ do casamento. Mas a Igreja não vê as coisas desse jeito”, afirma Dom Odilo.

Evidentemente – prossegue o cardeal –, “há muito de privado no casamento, mas nem tudo se resolve como questão da vida privada dos cônjuges, uma vez que o casamento dá origem a uma instituição, a família, e tem implicações para terceiros e para a sociedade toda”.

“Como ficam os filhos no caso dos divórcios instantâneos? Até mesmo uma boa legislação para assegurar o bem deles não resolve tudo, pois nas relações familiares há bens que escapam à legislação, como afetos, sentimentos e outros detalhes do convívio familiar”, afirma.

Outro fato preocupante, segundo o cardeal, foi a aprovação, pelo Parlamento Argentino, do chamado “casamento gay”.

“A legalização civil da união de pessoas do mesmo sexo, que vem sendo chamada indevidamente de ‘casamento’, acaba sendo equiparada, de fato, ao casamento e à família natural e tradicional”, diz Dom Odilo.

“O fato de ter isso acontecido na Argentina, e não no Brasil, nada muda no nível de preocupação; em Brasília tramitam propostas de lei com o mesmo objetivo”, recorda.

Segundo o arcebispo, quando a sociedade e o Estado “descuidam, desprotegem e até agridem diretamente a família baseada no casamento entre um homem e uma mulher, de acordo com a natureza e no sentido tradicional, estão minando suas próprias bases”.

Dom Odilo assinala que a afirmação de que a família é a célula básica da sociedade continua verdadeira, apesar das teorias e ideologias contrárias.

“Estudos sociológicos sérios feitos recentemente na Itália e no Brasil demonstraram que o Estado tem muito menos problemas a resolver quando protege e promove a família.”

“E onde isso não acontece – destaca o purpurado –, o Estado e a sociedade têm muita dor de cabeça com a educação, a criminalidade, a violência e a promoção da boa ordem, da solidariedade e da paz social.”

A família “é um imenso bem social, por isso precisa ser bem amparada e protegida. O Papa João Paulo II qualificou a família como ‘patrimônio da humanidade’. Mexer nesse patrimônio traz danos ao bem comum”, afirma o cardeal.

(Alexandre Ribeiro)





Colaboradora do Papa pede reconhecimento da mulher da direção espiritual

Flaminia Giovannelli analisa papel da mulher da Igreja

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Uma das mulheres com maior responsabilidade na cúria romana propõe dar um maior reconhecimento e espaço ao papel que a mulher pode oferecer na direção espiritual.

A proposta é formulada na edição italiana de hoje do L´Osservatore Romano, jornal da da Santa Sé, por Flaminia Giovannelli, primeira mulher leiga nomeada por Bento XVI como subsecretária do conselho pontifício Justiça e Paz.

"Minha imagem da igreja é aquela na qual João Paulo II e a Madre Tereza se dão as mãos...", começa explicando Giovannelli, nascida em Roma em 24 de maio de 1948, licenciada em Ciências Políticas e Ciências Religiosas.

Esta imagem é ilustrada depois com casos concretos de vida: "Quando penso em tantas religiosas que em suas congregações, em diferentes níveis, desempenham de maneira totalmente independente papéis extraordinários, não só para exercer a caridade, mas também para gestionar patrimônios, organizar escolas e hospitais e, sobretudo, para acompanhar a vida espiritual de suas irmãs, tendo o respeito de todos por seu admirável trabalho, acho que seu valor se afirma por si mesmo".

Segundo Giovannelli, que trabalha neste dicastério vaticano desde 1974, "em alguns âmbitos eclesiais, a mulher se destaca, penso especialmente no da direção espiritual".

"Se receber o sacramento da Reconciliação é essencial para o cristão, pois o reconcilia com Deus, a direção espiritual é de importância fundamental para a sua vida: saber racionalmente que nosso pecado foi perdoado nem sempre equivale a sentir-se perdoados."

A subsecretaria vaticana exclama: "Quão importante é a ajuda de alguém para reconhecer o plano que o Senhor tem para cada um de nós. E quantas vezes esta ajuda nos vem de uma mulher, precisamente pela sensibilidade e pela afetividade que lhe são próprias".

Por isso, propõe: "Penso que atribuir importância à tarefa de acompanhamento espiritual poderia ser ao mesmo tempo um reconhecimento do papel da mulher".

No que se refere à valorização do papel da mulher na Cúria Romana, objetivo já comentado no passado pelo cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado de Bento XVI, confessa: "Em meu trabalho, sempre tive a sensação de que as minhas idéias são levadas em conta precisamente porque são idéias de uma mulher, complementárias e, portanto, necessárias para alcançar um juízo objetivo sobre as questões pelas quais fui consultado".

"E isso é essencial - conclui. Isso não elimina que, segundo os organismos e a preparação das mulheres, facilitada ultimamente por seu acesso aos estudos mais propriamente eclesiásticos, estas poderiam assumir também papéis de maior responsabilidade. E é muito provável que isso aconteça."





Mundo



Católicos na política, uma presença que não se nota

Apresentado aos parlamentares italianos documento preparatório para as Semanas Sociais

ROMA, quinta-feira, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Os católicos devem voltar a ser uma presença significativa na política italiana, para o bem do país. Esta é uma das principais mensagens do encontro de apresentação do documento preparatório da 46ª Semana Social, realizado em 22 de julho.

O evento, realizado em Roma no Palácio Giustiniani do Senado, que contou com a presença dos líderes dos principais partidos italianos, foi aberto pelo presidente do Senado italiano, Renato Schifani, e pelo presidente do comitê científico e de organização das Semanas Sociais dos Católicos Italianos, Dom Arrigo Miglio.

"Esperamos que a próxima semana social represente um sinal concreto de empenho por crescer na esperança", disse Dom Arrigo Miglio em sua intervenção, na qual retomou as palavras de Bento XVI ao reafirmar que a Igreja "tem o bem comum em seu coração, o qual nos convida a partilhar os recursos econômicos, intelectuais, morais e espirituais, aprendendo a enfrentar juntos, em um contexto de reciprocidade, os problemas e desafios do país".

"Ver a Itália sob uma perspectiva unitária e solidária - sublinhou o prelado - significa enxergar não apenas seus problemas, mas também os recursos à disposição", tendo em mente que "o país não crescerá se não estiver unido".

Renato Schifani, por sua vez, recordou que "a Itália conheceu momentos da real fratura no seio da comunidade nacional, que foram superados somente quando se conseguiu recompor uma unidade fundamentada em princípios e ideais plena e concretamente partilhados".

Segundo o presidente do Senado, "saber partilhar não implica num desrespeito aos papéis, atribuições e funções determinados segundo as regras da democracia madura da alternância; ao contrário, significa se sentir parte, protagonistas até o fim, dos ideais que mantêm a coesão nacional".

No que se refere à presença dos católicos no âmbito político, Schifani afirmou que "o protagonismo dos católicos deve ser avaliado concretamente, com posicionamentos concretos em relação aos temas prioritários".

Para ele, o problema não é a ausência de católicos na esfera política, mas sim o fato de que "a presença dos católicos não é plenamente capaz de se fazer perceber".

Em uma entrevista concedida à Rádio Vaticano, Edoardo Patriarca, lembrando a expectativa manifesta pelo Papa Bento XVI sobre o nascimento de uma nova geração de católicos comprometidos com a política, disse que, ao falar com os jovens sobre política, nota-se claramente sua desilusão.

"Porém, devo dizer que, percorrendo nosso país neste ano, acompanhado por outros amigos, descobrimos muitos jovens atuando na administração pública (...); creio que estão desenvolvendo e amadurecendo novas vocações políticas."

"Penso que o convite à responsabilidade dos católicos, dos leigos católicos, é urgentíssima (...). Penso que os católicos têm tanto a oferecer, que não fazê-lo constituiria um pecado de omissão.".

"Não escondo os esforços que temos empreendido a fim de conscientizar os políticos de inspiração cristã - aqueles que se dizem católicos - a buscarem na Doutrina Social da Igreja um fio condutor que os oriente em sua atuação."

"Acredito que esta via deva ser promovida e reforçada", concluiu.





Cáritas Espanha enfrenta grave crise de alimentos em Burquina Faso e Níger

Programa de emergência de 200 mil euros está em andamento

MADRI, quinta-feira, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) - A Cáritas Espanhola sairá ao encontro da grave crise de alimentos vivida na região de Sahel, oferecendo 200 mil euros para programas de emergência em Burquina Faso e Níger.

Um total de 12 mil pessoas de Burquina Faso, que se encontram em situação crítica devido a grave crise de alimentos, poderiam contar com o acesso a alimentos básicos durante os próximos 6 meses graças a um programa de emergência lançado por OCADES - a Cáritas local - e o apoio econômico da Cáritas espanhola, que acaba de aprovar uma doação de 100 mil euros com destino a essa operação humanitária, informa o site da Cáritas Espanha.

Esta campanha urgente de distribuição de alimentos se desenvolverá nas dioceses de Dédougoou, Koupela, Faga N'Gourma, Kaya, Nouna, Ouagadougou, Ouahiguya e Dori.

O programa permitirá atender 1600 famílias e uma população de 4 mil crianças em condições de grave risco de desnutrição.

Cada grupo familiar receberá uma cesta básica composta especialmente por alimentos enriquecidos para melhorar o estado nutricional dos menores de 5 anos.

Dentro deste programa humanitário, a Cáritas Burquina Faso contempla também a distribuição de materiais de construção a 250 famílias que vivem em condições muito precárias após as graves inundações de outubro de 2009, nas quais perderam seus lares.

A equipe diretiva da Cáritas espanhola aprovou também outro fundo de 100 mil euros para apoiar o trabalho que está sendo desenvolvido pela Cáritas Níger para responder aos efeitos da fome neste país.

Esta nova ajuda se une aos 150 mil euros liberados pela Cáritas espanhola para o Níger no último mês de junho, como resposta ao apelo lançado pela Cáritas Internacional de 2,9 milhões de euros para financiar a distribuição de alimentos a 1,5 milhão de pessoas especialmente vulneráveis da região.

Todo o Sahel enfrenta uma crise de alimentos de consequências imprevisíveis devido aos pobres resultados da última colheita. No último mês de maio, a rede internacional da Cáritas alertava sobre a grave emergência que se registra novamente nesta regial subsaariana, onde se estima que pelo menos 10 milhões de pessoas são vítimas da fome em vários países.

Junto à Burquina Faso, Níger é um dos países mais afetados, com 8 milhões de pessoas em risco, além do Chade e Mali.

Como alertou Raymond Yoro, secretário-geral da Cáritas Níger, "estamos enfrentando uma possível emergência de sobrevivência infantil, já que 378 mil crianças se encontram em grave risco de padecer de desnutrição aguda e 1,2 milhão a mais em risco de desnutrição moderada".

A Cáritas Internacional advertiu que a atual escassez de alimentos pode ser mais aguda que a vivida durante a crise de 2005. Naquele então, recordam os responsáveis da Cáritas, "a lição que aprendemos foi que os atrasos na mobilização da ajuda custam vidas".

A irregularidade das chuvas, as más colheitas, o aumento nos preços dos alimentos e a pobreza crônica contribuíram para a intensificação da crise alimentar deste ano.

Muitas pessoas enfrentaram uma severa escassez de alimentos durante os últimos 6 meses e agora se veem obrigadas a recorrer a medidas extremas de subsistência, como vender seu gado, comer alimentos silvestres, tirar os filhos da escola e abandonar seus lares para ir em busca de alimentos a outros lugares.





Reino Unido cria site para defender Papa

No contexto da visita que o pontífice realiza ao país em setembro

LONDRES, quinta-feira, 21 de julho de 2010 (ZENIT.org) – No Reino Unido, acaba de se lançar um site com a finalidade de combater os ataques a Bento XVI, enquanto se prepara a visita papal de setembro ao país.

O Protect the Pope.com é um novo site que defende a figura do Papa Bento XVI e oferece informações e recursos para que os cristãos católicos respondam aos incidentes que constituem uma incitação ao ódio religioso.

O site é uma iniciativa de Nick Donnelly, diácono permanente da diocese de Lancaster, e autor de Catholic Truth Society. Ele é também membro da equipe editorial de The Catholic Voice of Lancaster, jornal da diocese de Lancaster.

Nick Donnely afirma: “desde 2006, temos o direito legal de nos proteger do ódio religioso. Com certeza as pessoas deste país têm liberdade de expressão, mas isso não significa que tenham o direito de criar um clima de hostilidade e medo. Trata-se de proteger nosso direito humano à liberdade de crença e à liberdade de culto.”

O site fornece informação da lei relativa ao crime de ódio religioso e proporciona aos católicos as formas para informar a polícia sobre incitamento ao ódio religioso ou atos de ódio religioso que possam acontecer durante a visita do Santo Padre.

O autor afirma em sua apresentação da página na internet: “Quando falo com outros católicos sobre a visita do Santo Padre em setembro, muitos expressam preocupação com sua segurança. O nível de hostilidade sem precedentes, ridículo, de certas figuras públicas e setores da imprensa fizeram que alguns católicos se sentissem verdadeiramente preocupados com que o Papa Bento fique envergonhado ou coisa pior".

O site pretende “desafiar as mentiras com a verdade simples, especialmente sobre a pessoa e as ações do Papa Bento XVI. [...] É importante que todos os católicos rezem pela segurança do Santo Padre, pelo êxito pastoral e espiritual de sua visita e pelo bem da Igreja neste país”.

(Nieves San Martín)





Alerta do bispo de Faiçalabade sobre a situação dos cristãos

“Forças obscuras criam tensão e ódio inter-religioso no país”, adverte

FAIÇALABADE , quinta-fera, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) - O assassinato dos irmãos cristãos católicos, Rashid e Sajid Emmanuel, em Faiçalabade, por um grupo de muçulmanos fanáticos, precisamente quando saíam do tribunal após serem considerados inocentes da acusação de blasfêmia, na terça-feira passada, desencadeou uma onda de violência anticristã no país.

Assim adverte Dom Joseph Coutts, bispo de Faiçalabade, em entrevista concedida à agência Fides, ontem, após presidir o funeral pelas duas vítimas. O prelado afirma, preocupado, que a situação dos cristãos é "dramática".

"O duplo assassinato de ontem e o rastro da violência são uma tragédia não só para a Igreja de Faiçalabade, mas para todos os cristãos do Paquistão", afirma o prelado.

Após o assassinato, muitos cristãos saíram às ruas, expressando sua dor, lágrimas, protestos, e ainda houve gestos violentos, como lançamento de pedras contra as lojas dos muçulmanos.

A reação foi muito violenta: na noite entre segunda e terça-feira, cerca de mil muçulmanos armados, vindos de suas mesquitas nas proximidades, entraram no bairro cristão de Waris Pura, em Faiçalabade, causando destruição, queimando, saqueando e espalhando pânico, porém não houve mortos, graças ao trabalho das forças de ordem.

Para o bispo e para os fiéis de Faiçalabade foi uma noite "muito longa". O pároco da Igreja do Santo Rosário, junto com outros três sacerdotes, passou a noite em claro, informa Fides, "andando por todo o bairro para pedir aos cristãos não reagir à violência".

Após o ataque da noite, a situação ficou muito tensa e as famílias cristãs estão fechadas em suas casas, presas por pânico.

Dom Coutts recordou o precedente em 1994, quando um cristão chamado Mansur Masih, acusado de blasfêmia e absolvido, foi assassinado ao sair do tribunal de Lahore, assim como um dos juízes que lhe absolveu.

Também recordou o ataque massivo contra a colônia cristã de Gojra, no ano passado, similar ao acontecido nas horas passadas em Waris Pura, depois do assassinado dos dois irmãos.

"Os ataques em massa criaram pânico, danificaram lojas e instalações", afirmou o bispo. Certamente, o impacto para as famílias cristãs indefesas, que se sentiam perseguidas foi forte.

Semear o ódio

Para Dom Coutts, existe toda uma estratégia usada pelas "forças obscuras que tratam de criar ódio e conflito entre as comunidades", e que utilizam a provocação para semear o ódio.

"Acredito que seja uma estratégia para levar tensão e ódio inter-religioso ao Paquistão", acrescentou.

Os dois irmãos assassinados foram acusados de colocar em circulação um folheto escrito à mão no qual havia acusações muito fortes contra o Islã e ofensas graves contra o profeta Maomé.

"Isso criou revolta nos grupos muçulmanos. Muitos deles agora pensam que os cristãos realmente querem desafiar o Islã e insultar ao Profeta", lamenta o prelado, negando categoricamente que este folheto seja obra dos cristãos.

Para contrapor isso, explica o bispo, "tento manter contato com as autoridades civis e os líderes religiosos, explicando que os cristãos não odeiam os muçulmanos e querem a paz", um trabalho "muito difícil" depois do que aconteceu.

Neste sentido, o prelado aponta a necessidade de abolir a lei sobre a blasfêmia, uma lei que é o "resultado de uma mentalidade e atitude cultural" e que "está na raiz desta situação trágica".

"Entre muitos líderes muçulmanos existe raiva também pela situação internacional, e circulam ideias radicais contra o Ocidente e contra o sionismo".

Dom Coutts pede ajuda para o exterior, especialmente uma "maior consciência" por parte da Igreja Universal, pois a situação dos cristãos paquistaneses é cada vez mais difícil.

"Nosso trabalho de mediação e estabelecimento da paz não é fácil, mas confiamos na ajuda de Deus e de todos os cristãos do mundo", conclui.







Em foco



Toy Story III: nobreza, amizade e trabalho em equipe

Continua sendo uma das maiores bilheterias em um mês de estreia

Por Carmen Elena Villa

ROMA, quinta-feira, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Recentemente chegou aos cinemas a terceira parte de Toy Story, uma divertida e criativa história cujas primeiras edições cativaram o público de todas as idades na última metade da década de 90.

Realizada pelos estúdios Pixar e distribuída por Walt Disney Pictures, Toy Story I sempre será lembrado na história do cinema por ser o primeiro filme feito em computador.

Onze anos depois, Andy, a criança alegre, criativa e sonhadora, retorna às telas já com 17 anos. Está prestes a entrar na universidade e, assim, deixar a casa de sua mãe. Chegou o momento de fazer uma triagem de todos os seus pertences: aquilo que levará consigo, aquilo que deixará no sótão e o que deve se desfazer ou ser doado.

São muitas as aventuras que os simpáticos brinquedos, comandados pelo cowboy Woody e o astronauta Buzz, devem enfrentar nesta terceira parte. Uma fuga do caminhão de lixo, porque a mãe de Andy misturou os itens a serem desfeitos, a chegada a um berçário onde eles conhecem centenas de brinquedos novos, entre eles o urso Lotso, Ken, o telefone da Fisher Price, entre outros divertidos jogos. Eles também devem decidir se para eles é melhor ou não permanecer neste jardim de infância aonde acidentalmente chegaram.

Além do roteiro sumamente criativo e entretido, ideal para qualquer idade, Toy Story III destaca valores como amizade, necessidade de se sentir querido pelos demais e a capacidade de sacrifício até dar a vida.

Agradavelmente surpreende que, num mundo onde se prioriza o individualismo e a distância, este filme ressalte tão fortemente a importância do trabalho em equipe, em que levam em conta as qualidades de cada um, onde cada um dá o melhor de si onde é necessário. Seus integrantes aceitam os próprios defeitos e equívocos. Às vezes, têm de renunciar a suas próprias opiniões para aderir à verdade e permitir que sua equipe continue.

Um filme que ressalta o valor e a importância da nobreza na amizade, acompanhada também da audácia e inteligência para trabalhar da melhor forma em momentos de tensão e adversidade.

Destaca ainda a figura da autoridade em toda comunidade ou equipe. Entendida não como a imposição dos próprios caprichos (que às vezes resultam frutos da falta de reconciliação pessoal), mas com a constante busca de decisões que permitem o bem para cada um de seus integrantes e, por fim, para a equipe em seu conjunto.

E, claro, não podem ficar de lado os incríveis efeitos de terceira dimensão, a forma como, por meio da animação por computador, sobressaem as características próprias de cada brinquedo, fato que permite ao espectador adulto se encontrar com sua infância e reviver aqueles momentos onde as brincadeiras e a fantasia faziam parte de sua vida cotidiana.

A canção "You’ ve got a friend in me", que acompanha as três versões deste filme, mostra, como disse o L’Osservatore Romano em sua edição de 10 de julho, referindo-se à saga de Toy Story, que “a amizade é o verdadeiro imã deste improvável mas unido grupo de brinquedos”.





Prefeito de Madri: “Será a melhor Jornada Mundial da Juventude”

Firmado convênio de colaboração com o arcebispado

Por Nieves San Martín

MADRI, quinta-feira, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O cardeal Antonio María Rouco Varela e o prefeito de Madri, Alberto Ruiz Gallardón, assinaram nessa terça-feira um convênio de colaboração entre município e arcebispado, para estabelecer canais de colaboração nos preparativos e realização da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Madri acolherá dois milhões de jovens para participar da XXVI JMJ, que acontecerá na terceira semana de agosto de 2011, com a presença do Papa Bento XVI.

Em sua intervenção no ato de assinatura do convênio, o cardeal Varela garantiu que Madri será reconhecida pela “qualidade humana dos jovens que virão, e que vão conquistar os corações dos madrilenhos”. Também destacou que a JMJ “é um acontecimento que expressa a vida da juventude da Igreja em seus atos litúrgicos e em torno da Palavra de Deus”. Segundo o prelado, a JMJ “trará à cidade paz e bem, além de respostas que satisfarão o coração dos jovens”.

O cardeal Rouco anunciou que nestas datas estarão em Madri cerca de mil bispos de todo o mundo para participar da festa de uma juventude “alegre, bela, inteligente e festiva”.

Por sua vez, o prefeito da cidade, Alberto Ruiz Gallardón, destacou que a celebração da JMJ fará “um acontecimento de transcendência excepcional para a cidade, cujo êxito requer esforço igualmente extraordinário por parte de todos”.

O acordo aborda diversos aspectos para a coordenação entre a administração local e os organizadores da JMJ. O município irá ceder espaços como colégios públicos e poliesportivos para alojar os jovens. Também se disponibilizarão espaços para os encontros dos jovens, e serão cedidas instalações para a celebração de eventos culturais. O município garantirá ainda o apoio da Polícia Municipal. A administração local também se comprometeu a instalar um relógio de contagem regressiva num lugar emblemático da cidade.

Ruiz Gallardón destacou também que “Madri não só estará à altura, mas também superará todas as expectativas para fazer desta a melhor Jornada Mundial da Juventude de todas as celebradas até agora”.

As administrações públicas colaboram na organização do acontecimento, facilitando o uso de instalações e serviços públicos, mas não contribuem economicamente. O financiamento da JMJ provém das contribuições dos jovens que participarão e das empresas patrocinadoras.

A inscrição para participar da JMJ iniciou este mês. Segundo o cardeal, “já se inscreveram milhares de jovens de cerca de cem países”.







Entrevistas

Por que 20 países estão contra Tribunal Europeu e a favor do crucifixo

Entrevista a Grégor Puppinck, diretor do Centro Europeu para o Direito e a Justiça

Por Jesús Colina

ESTRASBURGO, quinta-feira, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) - A sentença contra o crucifixo nas escolas italianas suscitou a oposição mais ampla do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH): 20 países se opuseram e saíram oficialmente em defesa da Itália.

A edição italiana do L'Osservatore Romano de 22 de julho explica os motivos em um artigo escrito por Grégor Puppinck, diretor do Centro Europeu para o Direito e a Justiça (European Centre for Law and Justice, ECLJ), organização não-governamental com sede em Estrasburgo, comprometida com a liberdade de culto e de pensamento, em especial perante o TEDH e as Nações Unidas.

Puppinck, especialista em liberdade religiosa nas principais instituições internacionais, no artigo mostra que a oposição à sentença não se deve somente a motivos de caráter político e jurídico, mas também espiritual.

"O debate sobre a legitimidade da presença do símbolo de Cristo na sociedade italiana é o emblema de uma vontade de secularizar a Europa", adverte neste entrevista na qual repassa os argumentos apresentados no jornal da Santa Sé.

ZENIT: Comecemos pela questão central: o que implica a sentença contra o crucifixo?

Grégor Puppinck: O assunto foi apresentado ao Tribunal de Estrasburgo por Soile Lautsi, cidadã italiana de origem finlandesa, que havia pedido em 2002 à escola pública em que estudavam seus dois filhos, Vittorino da Feltre, em Abano Terme (Pádua), que retirasse os crucifixos das salas de aula. A direção da escola se negou a isto por considerar que o crucifixo faz parte do patrimônio cultural italiano, e posteriormente os tribunais italianos deram razão a este argumento. Perante a Corte de Estrasburgo, a senhora Lautsi argumentou que a exposição do crucifixo nas salas de aulas dos seus filhos constituiria uma violação de sua liberdade de convicção e, portanto, do direito de receber uma educação pública segundo suas convicções religiosas.

Ao dar razão à demandante, o Tribunal considerou que a presença de um símbolo religioso nas salas de aula é algo mal em si, que não pode ser justificado. Até este momento a Corte sempre havia considerado, pelo contrário, que os Estados são livres neste campo, que é necessário respeitar sua cultura e sua tradição, e que o único limite que não pode ser superado é o de submeter os alunos à doutrinação ou a um proselitismo abusivo.

Com o objetivo de dar um fundamento legal à sua decisão, a Corte criou uma obrigação nova, segundo a qual, o Estado estaria "obrigado à neutralidade confessional no âmbito da educação pública, na qual a participação nos cursos é requerida sem levar em consideração a religião e que deve buscar formar nos alunos um pensamento crítico". Em outras palavras, a Corte afirma na sentença Lautsi que uma sociedade, para ser democrática, deve renunciar à sua identidade religiosa.

A Itália apresentou um recurso contra esta sentença perante a Grande Sala do Tribunal de Estrasburgo, que foi ouvido no dia 20 de junho. A sentença da Corte é aguardada para o outono boreal.

ZENIT: Por que esta sentença gerou a oposição de 20 países e o apoio à Itália?

Grégor Puppinck: O caso Lautsi tem uma importância considerável. É emblemático, pois põe em questão a presença visível de Cristo nas escolas de Roma, da Itália, e de toda a Europa. Este caso se converteu em um símbolo do atual conflito sobre o porvir da identidade cultural e religiosa da Europa. Este conflito enfrenta os promotores da secularização total da sociedade e os que defendem uma Europa aberta e fiel à sua identidade profunda. Os promotores da secularização veem no secularismo a solução que permite gestionar o pluralismo religioso e veem o pluralismo como um argumento que permite impor o secularismo.

Em tudo isso não há neutralidade alguma. A "secularização" não é um fenômeno estritamente espontâneo. Inclusive no essencial, procede de opções políticas, como a política anticlerical da França do século XX, ou a que é atualmente promovida pelo governo espanhol. A mesma coisa acontece com esta primeira sentença Lautsi, que não só se fundamenta em argumentos jurídicos, mas antes de tudo em um preconceito político.

A Europa é diversa e somente uma minoria de Estados, como a França, renunciou oficialmente à sua identidade Cristã. Outros permaneceram fiéis ou voltaram a abraçá-la, como acontece em certos países que foram comunistas. O pluralismo religioso, o cosmopolitismo, que serve de paradigma à argumentação do Tribunal, é uma realidade de ficção alheia ao território europeu.

Fica cada vez mais claro que as instituições públicas da Europa Ocidental, e a sentença Lautsi não é mais que um exemplo, optaram por limitar a liberdade religiosa e impor a secularização da sociedade com o objetivo de promover certo modelo cultural no qual a ausência de valores (neutralidade) e o relativismo (pluralismo) são os únicos valores que justificam um projeto político que quer ser "pós-religioso" e "pós-identitário", em uma palavra, "pós-moderno". Este projeto político tem uma tendência ao monopólio enquanto sistema filosófico.

ZENIT: Mas esta sentença provocou uma reação política sem precedentes, que ninguém esperava...

Grégor Puppinck: Pois é. Três semanas depois da audiência perante a Grande Sala do Tribunal de Estrasburgo, cada dia fica mais claro que se chegou a uma vitória realmente considerável contra a dinâmica da secularização. Apesar de que juridicamente a Itália ainda não ganhou, politicamente já alcançou uma vitória magistral. De fato, hoje, pelo menos vinte países europeus ofereceram seu apoio oficial à Itália, em defesa pública da legitimidade da presença dos símbolos cristãos na sociedade e, em particular, nas escolas.

Em um primeiro momento, dez países participaram do caso Lautsi como amicus curiae,isto é, "terceira parte". Cada um destes países - Armênia, Bulgária, Chipre, Grécia, Lituânia, Malta, Mônaco, Romênia, Federação Russa e San Marino - entregou à Corte um documento escrito no qual a convidava a anular a primeira decisão. Estes documentos não tem somente o interesse jurídico, mas são, antes de tudo testemunhos extraordinários de defesa de seu patrimônio e da sua identidade diante da imposição de um modelo cultural único. A Lituânia, por exemplo, não hesitou em comparar a sentença Lautsi com a perseguição religiosa que sofreu e que se manifestava precisamente na proibição de símbolos religiosos.

A estes dez países, uniram-se outros dez. Os governos da Albânia, Áustria, Croácia, Hungria, Macedônia (ARYM), Moldávia, Polônia, Sérvia, Eslováquia e Ucrânia colocaram publicamente à prova a sentença da Corte e pediram que as identidades e tradições religiosas nacionais fossem respeitadas. Vários governos insistiram no fato de que a identidade religiosa constitue a fonte dos valores e da unidade européia.

Desta forma, com a Itália, já quase a metade dos Estados membros do Conselho da Europa (21 de 47) se opôs publicamente a esta tentativa de secularização forçada das escolas e afirmou a legitimidade social do cristianismo na sociedade européia. Por trás dos argumentos reais de defesa da identidade, da cultura e da tradição cristã nacional, estes 20 Estados afirmaram e defenderam publicamente seu apego ao próprio Cristo; recordaram que está em conformidade com o bem comum o fato de que Cristo esteja presente e seja honrado na sociedade.

Esta coalisão que agrupa quase toda a Europa central e do leste mostra que ainda hoje se dá uma divisão cultural interna na Europa; mostra também que esta divisão pode ser superada, como testemunha a importância do apoio oferecido à Itália por países de tradição ortodoxa, independentemente da orientação política do momento.

A importância do apoio oferecido por países de tradição ortodoxa se deve em grande parte à determinação do patriarcado de Moscou a defender-se frente o avanço do secularismo. Aplicando a petição do patriarca Kiril de Moscou à "unidade das igrejas cristãs contra o avanço do secularismo", o metropolita Hilarion, presidente do Departamento para as Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, propôs a constituição de uma "aliança estratégica entre católicos e ortodoxos" para defender juntos a tradição cristã "contra o secularismo, o liberalismo e o relativismo que prevalecem na Europa moderna". Este apoio deve ser entendido provavelmente como uma aplicação desta estratégia.

O Conselho da Europa, do qual depende o Tribunal de Estrasburgo, afirma em sua Carta Fundadora o "apego inquebrantável" dos povos da Europa aos "valores espirituais e morais que conformam seu patrimônio comum". Estes valores espirituais e morais não são de caráter privado, constituem a identidade religiosa da Europa e são reconhecidos como fundadores do projeto político europeu. Como recordava recentemente o Santo Padre, o cristianismo se encontra na origem destes valores espirituais e morais. A aliança destes 21 países indica que é possível construir o porvir da sociedade européia sobre este fundamento, com a condição de fazer uma reflexão lúcida sobre o modelo cultural ocidental contemporâneo e na fidelidade a Cristo. A Europa não pode enfrentar o futuro renunciando a Cristo.



Espiritualidade



Evangelho do domingo: Tiago e seus trovões

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo

OVIEDO, sexta-feira, 25 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Mt 20, 20-28 ), 17º do Tempo Comum. Na Espanha, comemora-se a festividade de São Tiago Apóstolo.

* * *

O Evangelho deste dia (festividade de São Tiago), é um caso surpreendente. Estavam subindo a Jerusalém um Mestre e um grande grupo de discípulos. Entre eles estavam os Doze, que era o grupo mais íntimo que Jesus havia escolhido, chamando-os pelo seu próprio nome em sua habitual circunstância profissional e familiar. Reunirá estes amigos mais próximos, para dizer-lhes por que estão fazendo esta viagem de subida a Jerusalém. E o que lhes vem a dizer é o que particularmente o que o espera nesta meta de chegada: sua prisão, seu julgamento condenatório, sua morte.

No caminho, dois dos discípulos mais próximos, os filhos de Zebedeu, aproveitarão a sua própria mãe para dizer ao Senhor: "Concede que nos sentemos em tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda". Era como pedir-lhe duas cadeiras ministeriais no governo do céu ou como pedir-lhe uma recomendação eficaz lá na vida eterna.

Com a paciência de Deus, Jesus lhes dirá docemente: "Não sabeis o que pedis". E aproveitará o momento para falar-lhes do poder. Porque os discípulos poderiam pensar que era preciso organizar-se como se organizam os sistemas de poder econômico ou político. Jesus quer desfazer este equívoco e dizer que o poderio que Ele traz e vive não é o da força prepotente, mas o do serviço discreto e preciso. Servir como quem dá a vida ao invés de aproveitar para obter benefícios: este é o segredo da entrega do Senhor - algo que, naquele então e sempre, todos nós precisamos aprender.

São Tiago foi até a Espanha, que então era a última e mais distante província do Império Romano, para contar às pessoas o que ele havia encontrado. Ele faz parte deste grupo de apóstolos mais íntimo do Senhor e contará com o imenso privilégio de ter visto Jesus em seu momento mais luminoso e no mais escuro de sua vida. São Tiago estará no monte Tabor quando Jesus, revestido de luz, antecipará a glória da beleza de Deus. Também estará no horto de Getsêmani, quando o Senhor vive a intensa e cruel agonia do suplício que se aproximava. De tudo isso é testemunha São Tiago, discípulo de Jesus: de como Deus quis nos abraçar no mais belo da luz e quis, igualmente, ser nosso nas horas mais difíceis de sua entrega.

Seu sepulcro em em Compostela foi visitado por inúmeros peregrinos, romeiros da vida, que se encaminham até lá como buscadores das sendas de Deus. E neste caminho vão devagar, permitindo-se um tempo para pensar e orar, para pedir e oferecer, para compreender, em seu andar, como o próprio Deus se tornou para nós não somente o Caminho, mas também o Caminhante ao nosso lado.





Fórum



Papa em Portugal, desafio à Doutrina Social da Igreja

Por Dom Giampaolo Crepaldi

ROMA, quinta-feira, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI, em Fátima, lançou a todos que se ocupam de Doutrina Social da Igreja um desafio verdadeiramente radical, que não podemos deixar de recolher.

A 13 de maio, o Papa convidou os católicos comprometidos no campo social a uma presença, a um testemunho vivo no mundo. Também indicou explicitamente a necessidade de se remeter, neste compromisso, ao horizonte da Doutrina Social da Igreja: “O estudo da sua Doutrina Social, que assume como principal força e princípio a caridade, permitirá marcar um processo de desenvolvimento humano integral que adquira profundidade de coração e alcance maior humanização da sociedade. Não se trata de puro conhecimento intelectual, mas de uma sabedoria que dê sabor e tempero, ofereça criatividade às vias cognoscitivas e operativas para enfrentar tão ampla e complexa crise”.

Tratou-se de um forte convite à presença, “cientes, como Igreja, de não poderdes dar soluções práticas a todos os problemas concretos, mas despojados de qualquer tipo de poder, determinados ao serviço do bem comum, estais prontos a ajudar e a oferecer os meios de salvação a todos”, sem renunciar ou retirar-se, mas conscientes de que há que estar presentes, juntos, sob a guia da Igreja e de sua Doutrina Social.

Este convite, dirigido a grandes massas de pessoas comprometidas, no entanto contrasta objetivamente com a recente evolução da sociedade portuguesa, objeto de uma secularização muito violenta, que no passar de poucos anos permitiu a aprovação de leis fortemente contestadas pelo Papa, como o aborto e o reconhecimento das uniões homossexuais. Este contraste foi o pano de fundo de toda viagem de Bento XVI, já missionário em uma terra dessacralizada, mais que peregrino em uma nação cristã. E esta é a grande questão: que resta do compromisso social e político dos católicos, de sua Doutrina Social, de suas atividades caritativas se decai a fé, se a apostasia das raízes cristãs cresce ao redor e se Deus está cada vez menos presente na cena pública, porque está cada vez menos presente nas consciências?

Volta o problema fundamental ao qual este pontífice parece ter dedicado todas as suas forças, o tema da famosa Carta sobre a retirada da excomunhão aos bispos de Ecône: “No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais. Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo”.

Algo parecido disse também em Fátima, no dia 11 de maio: “a prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia, na política. Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista”. Fala-se de sonhos de novas gerações de políticos católicos, mas os católicos são cada vez menos, fala-se de presença pública do cristianismo, mas os cristãos são cada vez menos.

Não podemos deixar de acolher este desafio. Ou também a Doutrina Social da Igreja serve para “levar o homens a Deus”, a “fazer Deus presente neste mundo”, ou do contrário está destinada a tornar-se árida. Significa portanto que deve-se ter sempre presente que também a Doutrina Social é educação para a fé e que esta vive dentro da fé viva da Igreja da qual está a serviço e da qual é ao mesmo tempo expressão. Não se trata de dizer: dado que a fé diminui, deixemos ou abandonemos a Doutrina Social, ou a consideremos simplesmente um código ético útil ao diálogo com os crentes. Trata-se muito mais de relançar a Doutrina Social como “instrumento de evangelização”.

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*Dom Giampaolo Crepaldi é arcebispo de Trieste e presidente do Observatório Internacional “Cardeal Van Thuan” sobre a Doutrina Social da Igreja.




Data :- 22/07/2010


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