 Brasil: Comunicação na Igreja deve ser marcada pela fé, diz arcebispo
Santuário de Aparecida acolhe Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação
APARECIDA, sexta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O modo de fazer comunicação na Igreja deve-se caracterizar por pessoas qualificadas e, principalmente, marcadas pela fé.
Foi o que destacou o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, nessa quarta-feira, ao abrir o Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom), no Santuário de Aparecida.
Dom Orani recordou que a Igreja “é chamada a anunciar o Cristo, a testemunhá-lo”. Segundo o arcebispo, atualmente há muitas ferramentas de comunicação para fazê-lo.
Mas no trabalho evangelizador no campo da comunicação social não bastam apenas as tecnologias.
“Para nós há uma diferença fundamental no modo de fazer comunicação. Nós fazemos comunicação sabendo que por trás tem uma pessoa com espiritualidade, que sabe que o centro de tudo o que fazemos é Jesus”, disse.
De acordo com o arcebispo, “nosso modo de fazer comunicação, além da técnica, das pessoas qualificadas, é justamente marcado por sermos pessoas que têm fé. Isso faz a diferença”, disse.
Ao presidir à missa de abertura dos trabalhos dessa quinta-feira no encontro da Pascom, Dom Orani afirmou que, além da formação intelectual, o comunicador católico deve ter consciência de que o conteúdo que transmite tem uma missão específica.
“Se não anunciarmos o Cristo vivo teremos perdido tempo, apesar de todas as graduações e pós-graduações que tivermos”, disse.
Em foco
Na gestão pública tem prevalecido a lógica individualista
Afirma Dom Mariano Crociata em curso para seminaristas
ROMA, sexta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Diante da predominância dos interesses individuais no âmbito da gestão pública, a Igreja é chamada a enfatizar a centralidade do bem comum como critério fundamental de qualquer interação social e institucional.
Foi que afirmou Dom Mariano Crociata, secretário da Conferência Episcopal Italiana (CEI), ao discursar em 20 de julho num ciclo de palestras de pastoral integrada para seminaristas, cujo tema foi “Educar as relações”, realizado em Sebato-Brunico, Itália.
Em sua intervenção, o prelado explorou diversas linhas de reflexão das quais partir para construir caminhos educativos mais fecundos, abordando desde as características mais marcantes da cultura contemporânea no que se refere à afetividade, até as responsabilidades individuais com a sociedade.
Ao abordar o tema da cidadania, Dom Crociata observou que neste âmbito se constata como “a gestão da coisa pública com frequência é conduzida unicamente nos termos ditados pela racionalidade técnica, alheia a qualquer sensibilidade de caráter ético ou de valores, incapaz de conjugar os interesses, as exigências organizacionais e econômicas com a atenção à pessoa, verdadeira referência última e fim de qualquer atividade econômica, política e social”.
Por outro lado, prosseguiu, “as implicações de uma exasperação do individualismo estético conduz muitos daqueles que não estão diretamente envolvidos com a gestão pública e a organização social ao desinteresse pelo bem comum, à indiferença no que se refere às consequências de seu próprio agir sobre a coletividade, excluindo qualquer forma de responsabilidade social”.
“Deste modo – afirmou o secretário geral da CEI –, não é surpresa que uma tal lógica individualista e privatizante encerre uma tendência sutil à ilegalidade (...), nos encontramos assim diante de um elemento que corrói por dentro as estruturas sociais e o tecido de relações sobre as quais se fundamenta a convivência”.
“Neste contexto – afirmou o prelado – “uma prática cristã centrada numa vaga concepção de ‘querer bem’ e na transmissão de uma postura tolerante no que se refere à religião facilmente deram origem a uma tendência à indulgência diante de comportamentos irresponsáveis em relação ao bem comum”.
Por essa razão, enfatizou a importância de que “o ensino da Doutrina Social da Igreja esteja apoiado em crentes e em instituições que priorizem o bem comum”.
“Caminhos educativos – prosseguiu – podem se tornar também propostas de estudo e reflexão, voltadas à formação de cidadão ativos, que somem à fé o senso de serviço ao bem comum, capaz de testemunhar a força motivadora e transformadora da fé”.
“Cabe de fato à comunidade cristã a tarefa de participar da busca pelo bem comum, não apenas a partir de uma perspectiva política, mas fazendo sentir a própria presença e conservando a própria liberdade de julgamento e de iniciativa”, concluiu.
Santa Sé
Bento XVI começou seu terceiro livro sobre Jesus
Confirma o porta-voz vaticano, Pe. Lombardi
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O porta-voz vaticano confirmou que, há alguns dias, Bento XVI começou a preparar o terceiro volume da sua grande obra sobre Jesus, dedicado aos “Evangelhos da infância”.
O Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, no último editorial de Octava Dies, semanário do Centro Televisivo Vaticano, revela que, “depois de entregar, nos meses passados, o manuscrito do segundo volume, dedicado à Paixão e à Ressurreição, (…), Bento XVI começou agora a terceira e última parte” da sua obra sobre “Jesus de Nazaré”.
O porta-voz explica que, “como puderam constatar os próprios fiéis ao ver o Papa por ocasião do Ângelus, no domingo passado, Bento XVI, depois de poucos dias em Castel Gandolfo, parece revigorizado e sorridente, e começou imediatamente a dedicar-se à atividade de leitura e estudo que, ainda que requeira empenho, não o cansa”.
“E agora – como se escreveu –, começou a trabalhar para contemplar sua obra sobre Jesus. Está claro, portanto, quão importante é para ele acabar este grande projeto que começou há alguns anos.”
No prefácio ao primeiro volume, o Papa recordava que começou a trabalhar nele “durante as férias de verão de 2003”, quendo era cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e que deu forma definitiva aos capítulos de 1 a 4 de agosto de 2004.
Depois acrescentou: “Depois da minha eleição à sede episcopal de Roma, dediquei todos os momentos livres para levar adiante o livro”.
O Pe. Lombardi explica que, “por ocasião do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, muitas intervenções sublinharam a importância crucial desta obra do Papa como modelo de leitura teológica e espiritual dos Evangelhos, como guia para que os crentes encontrem, através dos Evangelhos, a pessoa de Jesus: 'o Jesus real, o Jesus histórico, em seu verdadeiro sentido'”.
Portanto, conclui o porta-voz, o sentido do livro é “levar-nos a encontrar Jesus. Trata-se do próprio coração do serviço do sucessor de Pedro para a Igreja e para os homens de todos os tempos. Bento XVI dedica a isso suas 'férias'. Obrigado. Boas férias, Santo Padre!”.
Milhares de coroinhas da Europa visitarão Papa
Na Praça de São Pedro, de 3 a 4 de agosto
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Milhares de coroinhas de toda a Europa viajarão a Roma nos dias 3 e 4 de agosto, para a décima peregrinação europeia promovida pela associação Coetus Internationalis Ministrantium (CIM), que neste ano tem como tema: “Beber da verdadeira fonte”.
Na tarde da terça-feira, 3 de agosto, na Praça de São Pedro, coroinhas procedentes de 12 nações europeias – entre as quais 44 mil procedentes da Alemanha, 8 mil da Hungria, França, Romênia e Suíça – assistirão a uma atividade musical com entrevistas e convidados, que terminará com a recitação das Vésperas e a intervenção do Santo Padre. No final, os participantes serão convidados a trocar lenços com as cores de sua própria nação com os dos membros de outros países.
No dia seguinte, 4 de agosto, os coroinhas assistirão à audiência geral com o Santo Padre. Após as boas-vindas aos grupos das nações presentes, o presidente do CIM e bispo auxiliar da Basileia (Suíça), Dom Martin Gächter, cumprimentará o Papa e lhe dará um pequeno lenço branco, em lembrança da perseguição.
Após as palavras de Bento XVI e sua bênção, os coroinhas da Europa prestarão homenagem ao Papa com cantos acompanhados por uma orquestra de Hamburgo.
Papa proclamará Templo da Sagrada Família como Basílica em Barcelona
Arcebispo de Barcelona detalha o programa da visita apostólica à Espanha
BARCELONA, sexta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI proclamará como basílica o templo da Sagrada Família de Barcelona no próximo dia 7 de novembro, o mesmo dia em que dedicará o templo expiatório criado por Antonio Gaudí, durante sua visita apostólica à Espanha.
Quem fez o anúncio foi o bispo de Barcelona, cardeal Lluís Martínez Sistach, hoje, ao meio-dia, em uma coletiva de imprensa realizada diante de centenas de jornalistas na sala Gaudí do museu diocesano de Barcelona.
Com um amplo sorriso, o purpurado explicou numerosos detalhes da estadia do Papa em Barcelona, onde, além de consagrar o templo da Sagrada Família, visitará a escola para portadores de necessidades especiais, da fundação diocesana do Menino Deus.
A visita apostólica à Espanha começará no sábado, 6 de novembro, com sua chegada a Santiago de Compostela ao meio-dia, segundo o programa já aprovado pela comissão vaticana que prepara as viagens do Pontífice.
Bento XVI se dirigirá à catedral de Santiago, onde abraçará o santo, presidirá uma oração e contemplará o grande incensário do templo compostelano. Depois, presidiár uma Missa no Obradoiro, a praça da catedral.
Às 21h, está prevista sua chegada ao aeroporto do Prat de Barcelona, onde será recebido por uma delegação na qual provavelmente se encontrarão os Príncipes de Astúrias.
Bento XVI se transladará depois ao arcebispado de Barcelona, onde tem previsto chegar às 21h45, para passar a noite, junto às pessoas que o acompanharão na visita.
Na manhã seguinte, domingo 7 de novembro, o Bispo de Roma se transladará no papa-móvil do arcebispado até o templo da Sagrada Família, em um itinerário que ainda será definido.
Ao chegar ao templo de Gaudí, o veículo dará algumas voltas pelas redondezas para que as numerosas pessoas lá reunidas – talvez cerca de 500 mil, segundo o arcebispo – possam vê-lo de perto e cumprimentá-lo.
O Pontífice entrará no templo pela porta da rua Mallorca, revestir-se-á na sacristia e realizará o rito de abrir as portas do pórtico da Glória.
Após isso, começará a Eucaristia, com uma procissão do Papa, cardeais e bispos até o presbitério.
Durante essa Missa, será celebrado o rito de dedicação do altar; depois se rezará a ladainha dos santos e a oração de dedicação ou consagração da igreja a Deus.
A seguir, acontecerá a incensação do altar e de toda a igreja, que serão iluminados logo em seguida.
Ao acabar a Missa, por volta do meio-dia, o Papa sairá ao Pórtico do Nascimento do templo original para cumprimentar as pessoas e rezar o ângelus, do mesmo lugar onde se colocou João Paulo II durante sua visita a Barcelona, em 1982.
Depois da oração mariana e de sua alocução e saudação aos peregrinos, o Papa voltará a entrar na igreja e se dirigirá em procissão ao final do templo, onde haverá uma inscrição comemorativa dessa dedicação do templo.
Bento XVI voltará ao arcebispado no papa-móvil e será saudado por numerosas pessoas nas ruas de Barcelona. Na sede episcopal, o Papa almoçará com os bispos e com seu séquito às 13h.
Às 17h15, o Papa quis acrescentar uma visita à instituição do Menino Deus, dedicada a pessoas com Síndrome de Down e com outras deficiências e suas famílias, uma fundação diocesana confiada às Franciscanas do Sagrado Coração.
Em sua sede do bairro de Guinardó, rezará e conversará com os alunos, que estão lhe preparando um presente, e com suas famílias, além de abençoar a primeira pedra da sua nova residência.
O novo terminal do aeroporto do Prat acolherá, às 18h30, a despedida oficial do Papa, para a qual está prevista a assistência dos Reis da Espanha. Às 19h15, está prevista também sua saída de volta a Roma.
Segundo o cardeal Sistach, Bento XVI “descobriu na Sagrada Família a comcepção teológica da Igreja: celebrar a Eucaristia e o culto”.
Neste sentido, o purpurado explicou que não existem nichos no interior do templo,, mas que estão no interio (nas fachadas do Nascimento, da Paixão e da Glória), nem tampouco capelas laterais, mas somente o presbitério, o altar, a sede e o ambão, e três imagens: a cruz, Nossa Senhora e São José.
O cardeal incentivou todos a acolherem o Papa e a assistir ao ato de consagração da Sagrada Família. Para facilitar isso, foram suspensas todas as Missas nas paróquias e centros de culto de Barcelona no dia 7 de novembro de manhã, exceto em prisões, hospitais e mosteiros de clausura.
Mundo
Presidente do episcopado alemão inocentado de acobertar pedofilia
Muitos jornais publicaram a acusação, poucos, a decisão da Justiça
MUNIQUE, sexta-feira, 24 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O arcebispo de Friburgo, Dom Robert Zollitsch, presidente da Conferência Episcopal Alemã, não foi cúmplice do sacerdote que nos anos sessenta teria abusado sexualmente de um menor de idade, segundo o Tribunal de Constanza, que pediu o arquivamento do caso.
As investigações indicaram que Dom Zollitsch não encobriu ou favoreceu o religioso cisterciense do mosteiro de Birnau, hoje com 69 anos, acusado de abusos contra um coroinha nos anos sessenta.
A acusação tinha sido publicada por grande parte dos meios de informação do mundo nos primeiros dias de junho. Poucos, no entanto, deram agora a notícia de sua inocência por parte da justiça.
Segundo a suposta vítima dos abusos, Dom Zollitsch, que naquela época era responsável pelos funcionários da arquidiocese, tivera conhecimento dos abusos, supostamente perpetrados entre 1987 e 1992 e, no entanto, teria confirmado em seu cargo o religioso cisterciense, convertendo-se em cúmplice.
As investigações, no entanto, estabeleceram que nesse período de tempo o hoje arcebispo não tinha conhecimento dos abusos e, portanto, não se lhe podem atribuir responsabilidades.
Quênia: ante novo projeto de Constituição, Igreja defende a vida
O texto será submetido a referendo dia 4 de agosto
Nairóbi, sexta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – A Igreja no Quênia continua defendendo a vida e lutando contra o aborto, especialmente diante do referendo sobre a Constituição previsto para 4 de agosto.
A Constituição proposta pode abrir portas para uma legislação mais liberal sobre o aborto, que atualmente é ilegal no país, assim como o reconhecimento de tribunais muçulmanos.
Nesse contexto, a Comissão Justiça e Paz organizou o encontro “O aborto e seus efeitos”, para informar sobre o projeto de Constituição e a postura da Igreja, no dia 11 de julho, na basílica da Sagrada Família de Nairóbi, segundo informações da agência CISA.
No encontro, o ginecologista Ngatia Njogu, do Kanyatta National Hospital, destacou a necessidade de que a Igreja mostre sua preocupação pelas questões relativas à vida humana.
No encontro, o professor Kihumbu Thairu, vice-chanceler da Universidade PCEA, também convidou a Igreja a continuar promovendo sua preocupação pelas questões relativas às implicações morais do projeto de Constituição para o povo do Quênia.
Governo americano
Três membros republicanos do Congresso dos Estados Unidos acusaram o governo Obama de utilizar dinheiro destinado à educação cívica no Quênia para apoiar o projeto de Constituição.
Segundo informou a agência Associated Press, uma investigação sobre os fundos de apoio do governo americano à reforma constitucional do Quênia mostram diversas subvenções de apoio ao “sim” na campanha do referendo.
A embaixada dos Estados Unidos no Quênia anunciou na sexta-feira que essas subvenções, precisamente nove, foram suspensas.
Reino Unido: Igreja pede atenção aos doentes terminais
No Dia pela Vida, que Inglaterra e Gales celebram neste domingo
LONDRES, sexta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – No Dia pela Vida, que a Inglaterra celebra neste domingo, a Igreja enfocará a atenção aos doentes terminais.
O evento leva como lema Lord, for your faithful people, life is changed, not ended (Senhor, para seus fiéis a vida se transforma, não termina, n.d.r.), informa o site www.dayforlife.org.
A 25 de julho será destacada a importância do sacramento da unção de enfermos, da oração pelos falecidos e do acompanhamento aos doentes terminais em sua viagem até Deus.
Também se incidirá na presença consoladora e no apoio da comunidade de fé e de todos os que “nos precederam no sinal da fé”.
As conferências episcopais da Inglaterra, Irlanda, Escócia e Gales trabalham unidas parar celebrar este dia, que na Escócia foi celebrado a 31 de maio, e na Irlanda acontece a 3 de outubro.
Iniciada por João Paulo II, este dia celebra a dignidade da vida humana desde a concepção até a morte natural.
Nas paróquias, no último domingo do mês de julho se realiza todos os anos uma coleta para atividades relacionadas coma vida apoiadas pela Igreja.
O dinheiro recolhido é utilizado para financiar, entre outras iniciativas, o centro de assessoramento e psicoterapia City Pregnancy Couselling Psychtherapy, a atenção à infertilidade, a pesquisa ética com células-tronco, a distribuição nas paróquias de um DVD sobre espiritualidade e distúrbios e o centro Anscombe Bioethics.
Casos Opostos
No Reino unido, dois casos diferentes sobre a forma de enfrentar a incapacidade física e a morte apareceram recentemente nos meios de comunicação.
Richard Rudd, 43 anos, paraplégico desde outubro de 2009, quando sofreu um acidente de moto, conseguiu fazer-se entender, por meio de movimento dos seus olhos, que não queria que fossem desligados os equipamentos que mantêm sua vida.
Antes do acidente, dissera que não queria viver em uma situação como a atual. Por isso sua família pediu o desligamento das máquinas. Porém, ele mudou de opinião e conseguiu manifestá-la ao médico, que no mês de novembro, antes de desligá-lo, decidiu pedir por três vezes que, se quisesse viver, olhasse para a direita, e Richard olhou nas três vezes.
Para seus pais, o caso de Rudd questiona a validade dos testamentos de vida, que se firmam em boas condições de saúde.
Um caso muito diferente é o do britânico Tony Nicklinson, de 54 anos, que sofreu um derrame cerebral em 2005 e agora ativou os tribunais para que sua mulher possa lhe aplicar eutanásia legalmente.
Para o grupo contrário à eutanásia No less Human, os esforços de uma pessoa com deficiência para legalizar a eutanásia comprometem a segurança de todos.
Uma representante desta entidade pró-vida, Janet Thomas, declarou à agência Independent Catholic News que “o assassinato de pessoas vulneráveis, inocentes, nunca é correto, ainda quando estas pessoas peçam".
“A sociedade, por meio de suas leis contra o assassinato e o suicídio assistido, atua a favor da vida”, acrescentou.
Chile: Governo estuda proposta de indulto entregue pela Igreja
Com motivo do bicentenário da independência do país
Por Carmen Elena Villa
SANTIAGO DE CHILE, sexta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O presidente da Conferência Episcopal Chilena, Dom Alejandro Goic, explicou que a proposta de indulto apresentada na quarta-feira passada ao governo de seu país “não busca reabrir as graves feridas do passado, nem pretende que elas sejam fechadas por decreto”. Busca-se "com todo empenho o bem maior para o Chile”.
Na quarta-feira, houve uma reunião de Alejandro Goic e o cardeal Francisco Javier Errázuriz, arcebispo de Santiago, para propor a diminuição de algumas penas aos presos, com motivo do bicentenário da independência que acontecerá no próximo dia 18 de setembro.
O texto da Igreja local, chamado “Chile, uma mesa para todos no Bicentenário”, foi entregue ao presidente do Senado. O cardeal Errázuriz destacou o quanto é “preocupante” a situação atual dos presídios chilenos.
Propostas
O texto propõe absolver as penas dos presos não envolvidos em fatos sangrentos, que tenham boa conduta e que sofrem de doenças terminais. Para os presos com doenças terminais, é proposto comutar as penas. Indica-se também diminuir as condenações das pessoas maiores de 70 anos e das mulheres que têm filhos menores de 18 anos.
“Nosso pedido não anula nem contradiz as regras da lei e da Justiça”, explicou Dom Goic.
A proposta de indulto também faz alusão às pessoas que cumprem penas por delitos contra os Direitos Humanos. Os parâmetros para as reduções nas penas seriam: grau de responsabilidade individual, se atuaram com liberdade, comportamento e grau de arrependimento.
Opositores
Contudo, o pedido gerou polêmica de vários setores do país, especialmente da parte dos familiares dos desaparecidos e executados durante o regime de Augusto Pinochet.
Diante disso, Dom Goig garantiu que “esperamos que nosso pedido seja analisado com respeito, sem preconceitos ideológicos, com generosidade e amizade cívica”. Ele considera que esta proposta se apresenta num contexto de “sã laicidade, que reconhece as competências do Estado e as das confissões religiosas”.
Por sua parte, a porta-voz Ena von Baer disse que o governo “vai tomar decisões com base nos compromissos com a verdade e a justiça, a unidade nacional e a segurança cidadã e as considerações humanitárias”.
Patriarca latino defende identidade multirreligiosa de Jerusalém
Ele condena a irrupção de extremistas na Esplanada das Mesquitas
JERUSALÉM, quinta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Sua Beatitude Fouad Twal, patriarca latino de Jerusalém, condenou a irrupção nessa segunda-feira de um grupo de extremistas judeus israelenses na Esplanada das Mesquitas (Monte do Templo).
“Esta provocação abala a convivência religiosa e deteriora a situação política já por si mesma tensa”, afirma o patriarca, em comunicado enviado nessa quinta-feira a ZENIT.
Dom Fouad Twal deplora “toda ação que busque modificar a identidade multirreligiosa de Jerusalém”, afirma a nota.
Segundo o patriarca, “nesta cidade, que é santa para as três religiões monoteístas, todo grupo de crentes deve respeitar os direitos históricos e os sentimentos religiosos dos demais. Estes atos, no entanto, destroem a confiança e acendem as paixões religiosas”.
Portanto, o patriarca latino pede ao governo israelense que puna os autores e garanta que estes atos não voltem a acontecer.
Entrevistas
A Igreja ao lado dos georgianos
Entrevista com Dom Giuseppe Pasotto, administrador apostólico do Cáucaso dos latinos
Por Serena Sartini
TIBLISI, sexta-feira, 23 de julho de 2010 (ZENIT.org) – A Igreja Católica na Geórgia constitui uma minoria: há cerca de 50 mil católicos espalhados por todo o país, divididos em três ritos, o latino (25 mil), o armênio (20 mil) e o caldeu (cerca de 5 mil). Dom Giuseppe Pasotto, bispo originário de Verona, na Itália, é há 16 anos administrador apostólico do Cáucaso dos latinos.
Nesta entrevista a ZENIT, ele ilustra a situação atual das diversas confissões no país, as mudanças ocorridas com as guerras de 1992 e de 2008, que envolveram a Geórgia, a Ossétia e a Abcásia, e analisa a situação do diálogo inter-religioso e ecumênico na região.
“A Igreja Católica constitui uma pequena minoria – explica Dom Pasotto. Historicamente, a Igreja católica latina sempre esteve presente na Geórgia. Em 1.200, já contava com um bispo. Durante o período comunista, a igreja de São Pedro e São Paulo de Tblisi foi um das poucas a permanecer abertas. Mais tarde, em 1991, após a queda do muro de Berlim e o colapso da URSS, o núncio deu novo fôlego à Igreja Católica, recomeçando do zero. Era necessário ensinar tudo, até mesmo o sinal da cruz. Fez-se nascer uma Igreja do zero.”
“Por minha experiência pessoal – acrescentou o bispo –, penso que a Igreja Católica na Geórgia foi ‘salva’ pelo rosário. Neste anos, retomamos todas as atividades – formação de catequistas, reabertura dos seminários – visando a reestruturar a Igreja, bem como as instituições de caridade. Um momento significativo foi a realização do primeiro Sínodo da Igreja Católica Georgiana, em 2005-2006. O evento definiu a direção a ser seguida pela Igreja Católica no país. Do ponto de vista da formação, houve a reestruturação do seminário, onde hoje convivem católicos, muçulmanos, ortodoxos e protestantes, tanto como estudantes como professores”.
ZENIT: Como tem sido a atuação da Cáritas na Geórgia desde a guerra até os dias de hoje?
Dom Giuseppe Pasotto: No que se refere à atuação humanitária, somos muito ativos. A Cáritas está presente desde 1994 e sua atuação tem sempre crescido. A Cáritas conduz hoje algo em torno de 70 a 80 projetos, alguns de grande envergadura, priorizando três frentes: pronta intervenção, formação e projetos de desenvolvimento. Mas houve também uma ampla campanha de auxílio e apoio psicológico para os jovens no período pós-guerra.
A Cáritas na Geórgia trabalha nas regiões onde sua presença é mais necessária, mas não tem permissão para entrar na Abcásia. Mesmo assim, há atividades humanitárias e de auxílio na região, graças à atuação de uma paróquia local.
ZENIT: O senhor tem permissão para entrar em território abecásio sem problemas?
Dom Giuseppe Pasotto: Sim, inclusive estive lá recentemente; meu título me permite circular sem maiores problemas, uma vez que sou bispo de todo o Cáucaso.
ZENIT: Como evoluiu a situação após o conflito de 2008?
Dom Giuseppe Pasotto: Para a comunidade católica, não houve maiores repercussões. Para os georgianos, porém, foi um grande golpe na esperança e confiança que depositavam no futuro. Se encontram mais empobrecidos e mais isolados, e com um território bastante reduzido, porque perderam duas grandes regiões. O povo georgiano está desmoralizado. Em nível político, permanece a questão de qual rumo tomar a partir de então. Provavelmente se compreendeu que a intervenção militar não resolve os problemas, ao contrário, cria problemas novos, e afasta possíveis soluções. Aqueles que defendem um diálogo com a Rússia são tachados traidores; os que rejeitam o diálogo são considerados separatistas. É preciso restabelecer o diálogo.
ZENIT: Esta é uma responsabilidade que cabe somente à Geórgia?
Dom Giuseppe Pasotto: Para além da responsabilidade da Geórgia, há uma responsabilidade compartilhada por toda a comunidade internacional. Os georgianos não poderão fazê-lo sozinhos. O povo georgiano está desiludido, porque esperava ser melhor amparado nos momentos difíceis. Acredito haver muitos interesses políticos e econômicos por trás das divisões.
ZENIT: Como é a situação do diálogo ecumênico?
Dom Giuseppe Pasotto: A situação na Geórgia é difícil. O diálogo com outras confissões vai bem. O diálogo com os ortodoxos, porém, é difícil. Quando João Paulo II esteve aqui, não pudemos sequer rezar o Pai Nosso juntos. Não podemos orar juntos; nosso batismo não é reconhecido pelos ortodoxos. Somos de fato reconhecidos como Igreja, mas sob o ponto de vista jurídico não somos reconhecidos.
ZENIT: Por quê?
Dom Giuseppe Pasotto: Porque durante séculos não houve um trabalho voltado para o desenvolvimento desta comunhão. Precisamos aprender a dialogar. Precisamos alcançar uma liberdade de confiança, sem a qual o diálogo é impossível. Nós, como Igreja Católica, estamos empenhados, e há sinais de que as coisas caminham nesta direção. Há que trabalhe contra. Precisamos encontrar pontos em comum, como a caridade e a cultura, sem abordar os aspectos teológicos. Quando cheguei à Geórgia, na primeira vez que usei o termo “ecumênico” me disseram que havia dito uma heresia.
ZENIT: Como é a situação religiosa na Abcásia?
Dom Giuseppe Pasotto: É complicada, uma vez que o Patriarca não pode ir à Abcásia. É preciso encontrar uma solução, e o Patriarcado da Geórgia tem mantido um diálogo com o Patriarcado de Moscou em Abcásia.
ZENIT: Como são as relações Estado-Igreja?
Dom Giuseppe Pasotto: A separação entre Igreja e Estado é ainda muito difícil. Há algum tempo, um bispo ortodoxo me confidenciou: a Igreja Ortodoxa jamais foi politicamente tão forte como é hoje.
ZENIT: Tem observado mudanças desde a guerra de 2008?
Dom Giuseppe Pasotto: As pessoas estão vivenciando a experiência de passar de uma condição econômica boa para uma ruim, na medida em que os presidentes vão e vêm.
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