 Santa Sé
A voz de quem reza une-se à da Igreja, diz Papa
Pontífice comenta o Evangelho de domingo ao recitar o Angelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de julho de 2010 (ZENIT.org) – “Quem reza nunca está sozinho”, porque sua voz une-se à da Igreja. Foi o que afirmou Bento XVI neste domingo, ao introduzir a oração do Angelus com os peregrinos, no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.
Referindo-se ao Evangelho deste dia, em que Jesus ensina aos seus discípulos a oração do Pai Nosso, o Papa destacou que se trata das “primeiras palavras da Sagrada Escritura que aprendemos desde crianças”. Palavras que “se imprimem na memória, moldam nossa vida, acompanham até o último suspiro”.
O Pai Nosso revela “que nós não somos filhos de Deus de maneira já completa, mas que devemos nos tornar seus filhos e sê-lo sempre mais mediante uma comunhão mais profunda com Jesus. Ser filhos se torna o equivalente a seguir Cristo”.
“Esta oração também acolhe e exprime as necessidades humanas materiais e espirituais: ‘dá-nos, a cada dia, o pão cotidiano, e perdoa-nos os nossos pecados’. E precisamente pelas necessidades e dificuldades de cada dia, Jesus exorta com vigor: ‘portanto, eu vos digo: pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta. Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate, a porta será aberta’”.
Segundo o Papa, não se trata de “um pedido para satisfazer os próprios desejos, mas sim para manter viva a amizade com Deus, que – diz sempre o Evangelho – dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem”.
“Sempre que rezamos o Pai Nosso, a nossa voz se une à da Igreja, porque quem reza nunca está sozinho. Cada fiel deverá buscar e encontrará na oração cristã o próprio caminho, o próprio modo de rezar, e se deixará conduzir pelo Espírito Santo, que o levará, por meio de Cristo, ao Pai”, disse o Papa.
Ao encerrar o Angelus, Bento XVI dirigiu-se aos peregrinos de língua portuguesa, quando saudou “especialmente o grupo de brasileiros vindos da diocese de Blumenau”.
Dor do Papa pelas vítimas do festival “Love Parade”
CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Neste domingo, após rezar o Angelus com os peregrinos, Bento XVI expressou seu profundo pesar pela tragédia no festival "Love Parade", sábado, em Duisburg (Alemanha), em que 19 jovens morreram pisoteados durante um tumulto e 340 ficaram feridos.
O mega festival de música eletrônica recebeu cerca 1,5 milhão de pessoas de toda Europa e outras partes do mundo.
A maioria das vítimas morreu pisoteada após um grande tumulto na entrada do túnel de acesso que conectava uma antiga estação de trem à área do desfile.
Na saudação em italiano e alemão no final do Angelus, o Papa dirigiu-se em oração a Deus pelos mortos, os feridos e suas famílias.
"Para os parentes e amigos que sofrem, assim como a muitos feridos, peço o conforto e a proximidade do Espírito Santo", disse o Santo Padre.
Deus chora na Terra
Trabalhar em uma nação sem Deus
Entrevista com uma doutora voluntária na Albânia
TIRANA, domingo, 25 de julho de 2010 (ZENIT.org) – As mesquitas e as igrejas foram fechadas à força em 1967, a prática religiosa não voltou a ser permitida durante quase 25 anos. De fato, a Albânia é conhecida como o primeiro Estado ateu do mundo.
Hoje, na Albânia pós-comunista, é difícil estimar o número de católicos que existe, entre uma população de 3,6 milhões do país; calcula-se que talvez 10%, enquanto 20% são ortodoxos. A maioria da população se diz muçulmana.
Nesse cenário, a doutora italiana Anna Maria Doro, membro da Comunidade de Sant'Egidio, tem trabalhado e compartilha sua experiência conosco nesta entrevista.
O que mais a marcou quando chegou à Albânia?
Doro: O que me impressionou foi a diferença entre os dois países: Itália e Albânia. A Albânia fica muito perto da Itália, somente 60 quilômetros do porto de Bríndisi ao porto de Vlore.
O país não mudou, permaneceu como há cem anos: poucos carros nas ruas, estradas ruins e apagões. A vida das pessoas está ligada a um sistema agrícola muito arcaico, muitos são pastores. Mas o que me comoveu foi o calor humano das pessoas. Os albaneses são muito acolhedores com os estrangeiros. A hospitalidade tem muito valor e inclusive quando estão numa situação difícil compartilham o que têm com seus hóspedes.
É verdade que há uma cerca elétrica que rodeia todo o país?
Doro: Houve uma espécie de cerca, por exemplo, ao longo da fronteira com a antiga Iugoslávia, que rodeava o lago. Até hoje não existem árvores na fronteira. Todas as árvores foram cortadas para evitar que as pessoas saíssem do país. Abandonar o país era proibido e as pessoas capturadas fugindo eram executadas e tinham a família perseguida. Encontrei pessoas que não puderam terminar seus estudos porque um primo de terceiro grau tinha tentado escapar.
Os deslocamentos dentro do país também eram proibidos. Às pessoas que viviam nas montanhas, que passavam por privações econômicas, era proibido emigrar às zonas urbanas, porque era um privilégio concedido aos membros leais ao regime viver na cidade. Existia um isolamento cultural total e as pessoas eram proibidas de ouvir notícias ou música estrangeira. Assim, o povo albanês não era consciente dos acontecimentos do mundo exterior durante esse período e tinham uma visão distorcida daquele mundo.
O ataque à Igreja foi terrível: a perseguição foi muito dura. Que exemplos nos poderia dar disso?
Doro: Começaram com o assassinato de 60 sacerdotes e muitas religiosas e a prisão de todos os sacerdotes do país. Os colégios confessionais foram fechados e as ordens religiosas suprimidas. Conheci uma religiosa estigmatina em Shkodër. Seu convento foi fechado. Eram umas 90. Voltaram a morar em suas casas, mas permaneceram sendo religiosas e a população continuava levando seus filhos para serem batizados por elas em segredo. Algumas dessas religiosas eram noviças e tiveram que esperar até 1991 para receber o hábito religioso, quando já tinham setenta anos.
A senhora é médica. Trabalha na Albânia desde 1995: quais os desafios para a medicina? A senhora trabalha com crianças: quais seriam os desafios nas estruturas médicas do país?
Doro: A Comunidade de Sant'Egidio ajuda sobretudo nos setores sanitário e educacional. O setor sanitário está mal equipado como a maioria dos setores públicos da Albânia. Ajudamos com doações de remédios e equipamento sanitário para os hospitais. Especialmente no norte do país, que é a parte mais pobre, apoiamos 14 clínicas pediátricas para ajudar a lutar contra a desnutrição infantil. Obviamente, desde 1991, a situação econômica da Albânia melhorou, mas ainda existem muitas necessidades no setor sanitário e a população ainda sofre. Falta infraestrutura e ainda persistem os apagões e isso é muito difícil para as pessoas.
De alguma maneira parece haver um silêncio por parte da comunidade internacional sobre o país, a senhora percebe isso? Por que acha que essa situação existe?
Doro: Durante 40 anos era impossível saber algo sobre a Albânia. Agora a situação é certamente diferente. No geral, diria que os albaneses estão muito interessados em outros países e línguas, mas não existe reciprocidade nos europeus ocidentais e nos Estados Unidos. Os italianos, por exemplo, estão mal informados sobre a Albânia. Sua percepção se baseia nos primeiros albaneses que encontraram em 1991: pobres refugiados. Agora a situação é diferente. O albanês que emigra ao estrangeiro deveria contar com uma mudança de percepção na comunidade internacional e através do turismo. Existem lugares maravilhosos na Albânia.
Como a Igreja trabalha neste esforço de reconstrução do país?
Doro: A Igreja está fazendo um papel muito importante na Albânia. Tem ajudado na reconstrução da sociedade em termos de desenvolvimento humano e na comunicação do Evangelho. Isso começou no principio principalmente com a ajuda da Igreja universal. Muitos missionários – sacerdotes e religiosas – vieram da Itália, de Kosovo, Croácia e da Índia, Filipinas e Alemanha. Ajudaram a construir igrejas, escolas e clínicas. No início a Igreja se vu obrigada a atuar como uma administradora porque o Estado ou não estava presente ou era ineficaz. Acredito que a Igreja é um ponto de referência muito importante não somente para os católicos, mas para todos, incluindo aqueles que não possuem uma identidade religiosa clara, porque a Igreja é testemunha do amor cristão que é gratuidade, compaixão e amor, o que não é comum nessa sociedade.
As pessoas confiam muito na Igreja – porque viveram com ela durante tempos difíceis –, talvez mais que no Estado, não é mesmo?
Doro: Sim, confiam na Igreja e ela é muito respeitada não somente pelo Estado mas também por outras religiões porque a Igreja ajuda a todos sem distinção e as pessoas reconhecem isso.
Como é a relação entre muçulmanos e católicos na Albânia? Parece ser de harmonia absoluta?
Doro: Até agora sim. Os católicos visitam os muçulmanos durante suas festas e vice-versa. Agora existem alguns sinais de fraturas nas relações pelos acontecimentos internacionais e isso também se reflete na Albânia, mas, de modo geral, a relação é bastante boa e existem muitos casamentos entre ambos.
Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para "Onde Deus Chora", um programa semanal rádio-televisivo produzido pela Catholic Radio and Television Network, em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.
Entrevistas
López Barahona: “A clonagem humana é utilitarista e antinatural”
Entrevista com membro do novo conselho diretivo da Academia para a Vida
Por Patricia Navas
MADRI, domingo, 25 de julho de 2010 (ZENIT.org) – No dia 22 de junho, o Papa renovou o conselho diretivo da Academia Pontifícia para a Vida, nomeando quatro membros: o bispo auxiliar de Santiago do Chile, Dom Fernando Natalio Comalí Garib, e os professores Mounir Abdel Messih Shehata Farag (Egito), John Hass (Estados Unidos) e Mónica López Barahona (Espanha).
O conselho diretivo da Academia Pontifícia para a Vida é renovado a cada cinco anos, e o Papa e o presidente da Academia delegam a ele determinadas questões.
ZENIT entrevistou um dos novos membros, a espanhola Mónica López Barahona, professora de Oncologia molecular e Bioética na Universidade Francisco de Victoria e diretora geral da acadêmica do Centro de Estudos Biosanitários e da Cátedra de Bioética Jérôme Lejeune.
Na entrevista, a doutora, membro da Academia Pontifícia para a Vida desde 2006, oferece as razões pelas quais a ciência explica que a vida humana começa a partir da fecundação e destaca os principais avanços e ameaças atuais a respeito da vida humana.
ZENIT: Em sua opinião, quais são os principais avanços alcançados na defesa da vida humana?
Mónica López Barahona: A verdade é que são muitos. Eu talvez destacaria que hoje em dia a ciência fornece, a partir de diferentes áreas de conhecimento (Biologia Celular, Genética Molecular, Embrionária), dados inequívocos sobre a existência da vida humana a partir do momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo.
Sabemos também que desde a primeira divisão celular há um compromisso de diferenciação em cada um dos blastômeros que permite diferenciar um do outro.
Foram definidos com parâmetros biomédicos a morte e foi constatado que as células-tronco embrionárias não são uma alternativa terapêutica.
São somente alguns dos grandes marcos dos quais a última década foi testemunho.
ZENIT: Pode ser demonstrado cientificamente que a vida humana começa com a fecundação?
Mónica López Barahona: Sim. A biologia celular define a célula como unidade de vida, e pela genética molecular sabemos que existem no genoma humano ao menos 7 mil sequências ALU específicas da espécie humana.
Portanto, diante de um zigoto humano ou embrião unicelular, pelo fato de ser uma célula, nós nos encontramos frente a uma unidade de vida e por possuir em seu genoma estas sequências ALU, trata-se de vida humana.
Esta afirmação correta para o zigoto, seria também certa para outro tipo celular. Agora, o zigoto é a única célula que contém em si (de modo em que possa conter um organismo unicelular) todas e cada uma das estruturas que configuram o indivíduo da espécie humana.
De fato, se permitir seu desenvolvimento, durante as 42 semanas que dura a gestão na espécie humana, estas estruturas irão se manifestar em tempo e forma.
Isso só ocorre com o zigoto, já que somente ele é um indivíduo da espécie humana em estado unicelular.
Se for transferido ao útero de uma mulher, uma célula epitelial ou renal, as estruturas não iriam se manifestar em tempo e forma que configuram o indivíduo da espécie humana, apesar de que tal célula epitelial ou renal contém o mesmo genoma que contém o zigoto do qual surgiu.
ZENIT: Em que momento ou com quais critérios se considera hoje que a vida humana chega ao seu fim?
Mónica López Barhona: O critério aceito cientificamente para considerar que a vida chegou ao fim é critério da morte cerebral.
ZENIT: Quais esperanças podemos ter nas células-tronco adultas e nas células-tronco embrionárias?
Mónica López Barahona: Na data de hoje, julho de 2010, existem mais de 2.900 ensaios clínicos com células-tronco adultas e nenhuma com células-tronco embrionárias.
Estes dados contidos no site www.clinicaltrials.gov manifesta que as células tronco embrionárias não são uma alternativa terapêutica para as patologia; as adultas são.
Além disso, deve-se sempre ser levado em consideração que a obtenção das células-tronco embrionárias leva à morte do embrião, enquanto a obtenção de células-tronco adultas não causa morte direta de forma alguma.
ZENIT: Deveriam pedir às mães para guardar seu cordão umbilical?
Mónica López Barahona: O cordão umbilical é um material biológico que tem um verdadeiro presente terapêutico e um futuro cheio de possibilidades, um material biológico que não deveria ser descartado.
ZENIT: Quais são as principais ameaças e atentados contra a vida humana na atualidade?
Mónica Lopez Barahona: O aborto, a fecundação in vitro, a utilização de embriões para pesquisa, o diagnóstico pré-natal e pré-implante e a eutanásia.
ZENIT: Quais soluções poderiam ser oferecidas ao problema dos milhares de embriões congelados?
Mónica López Barahona: Só há duas alternativas que respeitam a vida do embrião; ambas entram em âmbito de mal menor, pois houve uma desordem moral prévia que levou a congelar uma vida humana.
As únicas alternativas compatíveis a respeito da vida do embrião são: mantendo-os congelados por tempo indefinido até que eventualmente morram de “morte natural”; ou descongelá-los para transferi-los aos úteros de mulheres que desejam engravidar, alternativa que pode ser chamada de “adoção pré-natal”.
Esta segunda opção entende a vida como bem primário e busca seu desenvolvimento; para colocá-la em prática é necessário abordar muitas questões relacionadas e garantir que se ofereça como solução ao problema já apresentado, com a garantia de que no futuro não sejam gerados mais embriões para congelar.
ZENIT: Existem números concretos de quantos embriões congelados pode haver neste momento no mundo?
Mónica López Barahona: Os números não são rigorosos, nem em nível mundial, nem em cada país. Por exemplo, na Espanha não sabemos quantos embriões congelados existem.
ZENIT: Cada vez mais é facilitado o acesso à pílula abortiva. Que consequências têm sua utilização no organismo da mulher?
Mónica López Barahona: Pode ter consequências muito graves, pois está sendo oferecida como um método anticoncepcional a mais, e a pílula abortiva não é só anticoncepcional, já que se a concepção já foi produzida; provoca o aborto do embrião.
Trata-se de expor a mulher a uma administração não-fisiológica de hormônios e a potenciais hemorragias incontroláveis e nem sempre no contexto de um hospital ou centro de saúde. Ambas as coisas supõem um risco para a mulher e causam morte do embrião.
ZENIT: É possível fazer clonagem humana hoje? Que problemas existem?
Mónica López Barahona: A clonagem humana levanta vários problemas éticos: a geração de uma vida humana in vitro, geração da mesma sem contribuição do espermatozóide, seleção do genoma de um indivíduo humano no caso da denominada “clonagem terapêutica” para que este seja compatível com outro doente e o impedimento da recombinação genética natural em um processo de fecundação com intervenção dos gametas no caso da denominada “clonagem reprodutiva”.
Enfim, é uma prática utilitarista e antinatural.
Até hoje não há dados publicados sobre a clonagem humana reprodutiva e sim tentativas de clonagem humana “terapêutica”, nas quais o embrião gerado não foi desenvolvido ou não foi permitido seu desenvolvimento até fases avançadas do desenvolvimento embrionário.
ZENIT: Que significado tem sua nomeação na Academia Pontifícia para a Vida?
Mónica López Barahona: A academia tem um conselho diretivo que se renova a cada cinco anos, no qual o presidente e o Santo Padre delegam as questões que consideram adequadas. Espero poder ser um instrumento fiel ao serviço da Igreja por meio deste Conselho Diretivo da Academia da Vida. A tarefa está dividida por outros quatro membros escolhidos, todos eles pessoas de grande dimensão humana, intelectual e científica.
ZENIT: Como se dá, na prática, a assessoria dos especialistas à Santa Sé?
Mónica López Barahona: Na Academia Pontifícia para a Vida, normalmente se constituem grupos multidisciplinares de trabalho para estudar temas concretos vinculados a diferentes áreas da Bioética. O presidente convoca os que considera adequados para participar nos mesmos.
ZENIT: Como recebeu a nomeação?
Mónica López Barahona: Surpreendeu-me muito, muitíssimo mesmo. Após a recepção da nomeação, surgiu em mim uma profunda gratidão ao Santo Padre e ao presidente da Academia pela confiança que colocaram em mim. Pensei na certeza da disponibilidade que nós leigos devemos ter ao serviço da Igreja e... rezei, rezei e continuo rezando. Peço ao Senhor que me ajude a ser um instrumento fiel a sua vontade neste conselho diretivo.
Crônicas romanas
Quando Madre Teresa me servia o café da manhã
Centenário de seu nascimento é ocasião para lembrar a mulher cuja bondade não tinha limites
Por Renzo Allegri
ROMA, domingo, 20 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Em muitas partes do mundo estão em curso manifestações em memória do centenário do nascimento de Madre Teresa de Calcutá, celebrado em 26 de agosto. Grandes cerimônias estão sendo preparadas na Índia - país onde a Madre viveu a maior parte de sua existência terrena e onde está sepultada - e na Albânia, onde nasceu, mas inúmeras iniciativas de menor porte estão previstas nas paróquias e associações voluntárias de todo o mundo, organizadas principalmente pelos jovens, para lembrar esta figura extraordinária.
Ao lado de Padre Pio e João Paulo II, Madre Teresa foi uma das pessoas que marcaram profundamente a história do cristianismo de nosso tempo. Padre Pio, com a chama de sua altíssima experiência mística; João Paulo II, com o vento impetuoso de sua ação e suas constantes viagens apostólicas; Madre Teresa, com o amor, desprendido e absoluto, pelos mais necessitados. Seu exemplo e seus ensinamentos inspiraram crentes e não crentes, e permanecem vivos ainda hoje.
Todos os que conheceram Madre Teresa guardam lembranças extraordinárias. Especialmente aqueles que tiveram a oportunidade de viver próximos a ela. Mas também os jornalistas que dela se aproximaram em seu trabalho. Nós, jornalistas, graças à nossa profissão, nos vemos próximos de todo tipo de personagem. Por quarenta anos, fui enviado especial de grandes jornais, tendo a oportunidade de conhecer e entrevistar um incontável número de pessoas famosas: artistas, políticos, cientistas, atletas, divas do espetáculo, assassinos e santos.
Entre os “santos”, houve Padre Pio, Madre Teresa, João XXIII e outros, cujos processos de beatificação estão em curso, como João Paulo II, Giorgio La Pira, Marcello Candia, Frei Cecilio Cortinovis. Escrevi artigos e livros sobre todos eles; e de todos conservo recordações especiais, porque estas pessoas tinham um carisma irresistível, e uma vez tendo-os conhecido, é impossível esquecê-los. Representavam a vida em sua acepção essencial e eterna, transmitindo esperanças que ultrapassam as barreiras do tempo. Mas de todos eles, sem dúvidas minhas lembranças mais vívidas se referem à Madre Teresa.
Graças a uma série de estranhas coincidências, tive diversos encontros com ela, longas conversas, viagens de automóvel em sua companhia. Posso dizer que desenvolvi por ela um profundo afeto, e que ela demonstrava tal benevolência, que de minha parte considerava uma amizade – algo que eu, em minha vaidade superficial, por vezes tirei proveito, pedindo-lhe favores que eu mesmo julgava impossíveis, mas que a Madre, em sua infinita bondade, sempre encontrava um meio de me contentar.
Incrível. Estou certo de que todos aqueles que estiveram próximos de Madre Teresa puderam constatar sua amorosa disponibilidade. Era certamente uma grande santa, mas também uma mulher de uma sensibilidade deliciosa, de uma boa vontade tão grande que se sentia triste quando não conseguia atender a algum pedido.
Escrevi muitos artigos sobre Madre Teresa, e também alguns livros. Neste momento, para o centenário de seu nascimento, reuni em um pequeno volume, publicado pela Editrice Ancora, algumas memórias e, principalmente, algumas de suas palavras; não gostava muito de falar. Mas, quando o fazia, era fascinante em seu modo essencial e incisivo de expor seus pensamentos. Fala preferivelmente por meio de imagens; seus argumentos eram uma sequência de fatos que levava a uma conclusão inevitável.
O título de meu livro é “Madre Teresa me disse” (“Madre Teresa mi ha detto”); um título pretensioso. Talvez somente alguém que tivesse de fato vivido em Calcutá ao lado da irmã pudesse usar um título como esse, mas este não é meu caso. Conheci Madre Teresa, entrevistei-a em diversas ocasiões, e nada mais. Porém, como já disse, somente por sua benevolência, me sentia muito próximo a ela, e este título, “Madre Teresa me disse”, reflete de fato uma extraordinária realidade.
Em 1965, lendo um livro de Pier Paolo Pasolini, encontrei algumas linhas dedicadas à Madre Teresa, a quem o escritor havia conhecido durante uma de suas viagens à Índia. O fato de Pasolini ter sido tão profundamente tocado pela irmã atiçou minha curiosidade. Foi o primeiro contato. Passei a recolher informações, e cada novo dado minha curiosidade aumentava.
Decidi então que devia encontrar e entrevistar aquela freira; algo que só foi possível após uma espera de 15 anos. Mas não se tratou apenas de uma entrevista, e sim de uma série de encontros.
Os aspectos que mais me impressionaram de imediato foram sua enorme sensibilidade e sua bondade ilimitada. Eu era um jornalista com outro qualquer, na prática um incômodo que a fazia perder tempo; mas mesmo quando eu divagava em perguntas talvez inúteis e pouco pertinentes, jamais vi um mínimo sinal de desaprovação de sua parte.
Quando estava em Roma e pedia para vê-la, ela me recebia no convento no Celio, onde se encontra a Casa das Missionárias da Caridade, por ela fundada. Ela dizia: “Te aguardo amanhã de manhã, às cinco e meia”. Neste horário havia a missa reservada às irmãs, e a Madre desejava que, antes de falar comigo, nos uníssemos por alguns instantes em oração. Chegava sempre pontualmente e encontrava, à porta do convento, uma irmã que já me aguardava e então seguíamos para a capela. Participava da missa ao lado da Madre, que permanecia ajoelhada no chão, no fundo da capela; para mim, porém, ela pedia uma cadeira. Do lugar onde ficava podia observar todas as irmãs e também a Madre, que não fazia nada de especial; ficava encolhida de joelhos, concentrada em oração silenciosa, como se não existisse. Mas justamente daquela posição de anulação física, transmitia uma energia poderosa, despertando infinitas considerações que horas de conversa não seriam capazes de sugerir.
Após a missa, a irmã que me recebera me acompanhava até uma saleta no interior do convento, onde, infalivelmente, chegava Madre Teresa pouco depois, trazendo nas mãos uma bandeja com o café da manhã. Madre Teresa me servia o café; fazia questão de fazê-lo e não permitia que nenhuma outra irmã o fizesse. Na primeira vez, me senti embaraçado, e fiz menção de impedi-la, dizendo não estar com fome e nunca ter fome de manhã. Ela percebeu meu constrangimento, mas não havia como impedi-la; serviu-me com um comovente amor materno. Café, leite, marmelada, biscoitos. Aquela sua atenção falava mais que as entrevistas. Em seguida, após o café da manhã, ela me concedia seu tempo. Eu tomava minhas anotações com as perguntas, ligava meu gravador, e ela respondia.
Ouvindo novamente estas gravações, me dei conta de que algumas de minhas perguntas eram realmente estúpidas, inúteis e superficiais, mas ela respondia com calma, levando a conversa para temas importantes ou ressaltando, em determinados fatos, o aspecto no qual residia um ensinamento importante.
Como disse, quando passei a me sentir mais íntimo da Madre, pedi-lhe favores talvez pouco pertinentes à sua condição de religiosa.
Certa vez lhe perguntei se aceitaria ser madrinha em um batizado. No Natal de 1985, Al Bano (Albano Carrisi), o famoso cantor de Puglia, foi pai pela terceira vez: era uma menina, Cristel. Somos muito amigos, desde o início de sua carreira, e ele é padrinho de batismo de um de meus filhos. Em maio de 1986, Cristel já estava com cinco meses e ainda não havia sido batizada; sabia que Al Bano tinha uma sólida e concreta fé. Indaguei então por que ainda não havia batizado sua filha. Me respondeu que adiara a cerimônia de batismo porque não desejava que o rito religioso se transformasse num evento público, com fotógrafos e jornalistas, com ocorrera em seu casamento; queria uma cerimônia religiosa privada, e me pediu que o ajudasse a organizá-la, de preferência em Roma.
Falei então com o bispo eslovaco Dom Pavel Hnilica; uma pessoa extraordinária, também ele um santo, amigo pessoal de Madre Teresa; foi ele que me apresentou à irmã. Perguntei-lhe se poderia batizar a filha de um amigo, perguntando também se seria possível ter Madre Teresa como madrinha. “Não acredito que consiga”, disse o bispo, “mas te aconselho a pedir diretamente a ela; é uma mulher imprevisível”. A Madre estava em Roma. Me enchi de coragem e fiz o pedido; ela me fitou séria por um tempo, e em seguida disse: “Como religiosa, não posso assumir esta responsabilidade jurídica. Mas posso fazê-lo como madrinha espiritual”. E assim foi. O batismo foi celebrado na capela privada do bispo. Somente um fotógrafo estava presente, e as fotografias foram mais tarde distribuídas gratuitamente, sendo publicadas até no Japão.
Dois anos mais tarde, em agosto de 1988, alguns amigos me contaram uma história muito comovente. Um jovem casal de um país próximo ao Lago de Bracciano teve gêmeos quíntuplos. Como costuma ocorrer nestes casos, os bebês permaneceram um longo período na incubadora, e foram salvos graças ao grande amor de seus pais e ao empenho dos médicos. Quando finalmente deixaram o hospital, pensou-se logo nos batismos. “É preciso fazer uma grande festa”, diziam os amigos do casal. Um deles me pediu que organizasse algo que atraísse a atenção dos jornais. Pensei em Madre Teresa. Tinha a certeza que ela, ao saber da história, aceitaria. E assim se deu. A cerimônia foi realizada na antiga capela de Santa Maria di Galeria. Cada um dos cinco bebês tinha seu próprio padrinho, conforme estabelece a Igreja, mas todos tiveram Madre Teresa como sua “madrinha espiritual”. A Madre, embora tão atarefada, dedicou metade daquele dia ao batizado. Os jornais, naturalmente, cobriram o evento, publicaram fotografias e foi uma grande festa.
Quando penso na Madre, a imagem que me vem à mente é dela em oração. A primeira vez que viajei de automóvel em sua companhia, tive a honra de sentar-me ao seu lado. Íamos da Casilina, na periferia de Roma, onde há uma casa das “Missionárias da Caridade”, ao Vaticano, onde a Madre seria recebida pelo Papa.
O automóvel partiu em alta velocidade; estávamos atrasados, e não se podia fazer o Papa esperar. Madre Teresa olhava a paisagem pela janela; seu olhar era sereno. Após alguns minutos, pediu-me que a acompanhasse em suas orações. Fizemos o sinal da cruz, e ela, com um rosário nas mãos, iniciou as orações em voz baixa, recitando o “Pai Nosso” e a “Ave Maria” em latim. Nós orávamos com ela.
Enquanto o automóvel acelerava, nervoso, através do tráfego caótico e intenso, freando bruscamente e se precipitando perigosamente nas curvas; eu mantinha-me agarrado à manopla da porta. Madre Teresa, ao contrário, estava completamente absorta em suas orações e mal se dava conta do que ocorria.
Encolhida sobre seu assento, estava em diálogo com Deus. Seus olhos estavam semi-cerrados. Seu rosto rugoso, reclinado sobre o peito, estava transfigurado; parecia quase emitir luz. As palavras das orações saíam de seus lábios precisas, claras, lentas, quase como se se detivesse para saboreá-las uma a uma. Não tinha a cadência de uma fórmula continuamente repetida, e sim o frescor de uma conversa viva e apaixonada. Parecia realmente que a Madre se dirigia a uma presença invisível.
Certa lhe perguntei, de surpresa: “Tem medo de morrer?”. Estava em Roma por alguns dias e quis visitá-la antes de retornar a Milão. Ela me fitou por algum tempo, como se quisesse compreender a razão da minha pergunta. Pensei ter feito mal em mencionar o tema, e tentei mudar de assunto. “A senhora me parece descansada”, disse. “Ontem me parecia muito cansada”. “Durmi bem esta noite”, respondeu ela. “Nos últimos anos, a senhora sofreu cirurgias delicadas, como a do coração; deve se preservar, viajar menos”, disse. “É o que todos me dizem, mas devo pensar na obra que Jesus me confiou. Quando não servir mais, será Ele quem me fará parar”.
E, mudando de assunto, perguntou-me “Onde mora?”. “Em Milão”, respondi. “Quando volta para casa?”. “Espero que ainda esta noite. Quero tomar o último avião, para que amanhã, sábado, possa estar com minha família”. “Ah, vejo que está feliz em voltar para casa, para sua família”, disse-me sorrindo. “Estou fora há quase uma semana”, respondi para justificar meu entusiasmo. “É natural que esteja feliz. Vá encontrar sua esposa, suas crianças, sua casa. É certo que seja assim”.
Permaneceu em silêncio por alguns instantes e então, retomando a pergunta que havia feito, prosseguiu: “estarei feliz como você se pudesse dizer que morreria esta noite. Morrendo, irei para casa também eu. Irei ao paraíso. Irei me encontrar com Jesus. Consagrei minha vida a Jesus; ao tornar-me freira, tornei-me a esposa de Jesus. Veja, tenho neste dedo uma aliança, como as mulheres casadas; fui desposada por Jesus. Tudo o que faço aqui nesta terra, faço por amor a Ele. Assim, ao morrer, voltarei para casa. Para meu esposo. Além do mais, no paraíso, encontrarei todos os que me são caros. Milhares de pessoas morreram nos meus braços. Já são mais de quarenta anos dedicados aos doentes e moribundos. Eu e minhas irmãs recolhemos nas ruas, principalmente na Índia, milhares e milhares de pessoas prestes a morrer. Nós as trouxemos às nossas casas e as ajudamos a morrer serenamente. Muitas delas espiraram em meus braços, enquanto eu sorria para elas e acariciava seus rostos trêmulos. E quando morrer, reencontrarei todas estas pessoas. Lá, estão à minha espera. Quem saberá a festa que farão ao rever-me? Como poderia temer a morte? Eu a desejo, a aguardo, porque finalmente me possibilitará voltar para casa”.
Em geral, nas entrevistas ou nas conversas, Madre Teresa era concisa, dando resposta curtas e rápidas. Mas naquela ocasião, diante de minha estranha pergunta, ofereceu-me um verdadeiro discurso. E enquanto me dizia aquelas coisas, seus olhos brilhavam com uma serenidade e uma felicidade surpreendentes.
Análise
Continua o debate sobre o suicídio assistido
Pertubadoras notícias de abusos
Padre John Flynn, L. C.
ROMA, domingo, 25 de julho de 2010 (ZENIT.org) - Em muitos países se continua debatendo sobre o tema do suicídio assistido, com vitórias e derrotas para ambas partes.
No Reino Unido, a Sociedade real Britânica de medicina convocou recentemente uma conferência para ouvir os pontos de vista opostos sobre o tema, informava no dia 5 de julho LifeNews. A votação ocorrida no final do evento mostrou uma grande maioria contra a moção de apoiar o suicídio assistido.
No lado negativo, no dia 25 de junho, o Tribunal de Justiça Federal da Alemanha declarou que o suicídio assistido é legal em certas circunstâncias, segundo o Deutsche Welle.
A decisão se referia a um caso no qual a filha de uma paciente doente terminal em estado de coma havia cortado o tubo de alimentação da mãe.
Antes de entrar em coma, Erika Kuellmer disse à filha que não queria que a mantivessem viva se viesse a ficar em coma. Pouco depois de que isso ocorreu, a filha consultou um advogado, Wofgang Putz, que a aconselhou como proceder. Ela cortou o tubo, que foi recolocado pelo hospital. Sua mãe morreu duas semanas depois.
No ano pasado, Putz foi condenado por homicídio frustrado por seu papel no caso, mas agora foi absolvido com esta última sentença. O Tribunal Federal declarou que, se um paciente manifesta de modo explícito que não quer tratamentos que usem tubo de alimentação para mantê-lo vivo, permite-se então dar fim ao tratamento. O suicídio assistido é ilegal na Alemanha.
Outros países
Nos países em que o suicídio assistido é legal, existe a preocupação com os abusos. Na Suíça, a organização Dignitas está sendo investigada cada vez mais, informava a BBC dia 2 de julho passado.
O governo está examinando projetos de lei que endurecerão a legislação tornando mais difícil que quem não seja cidadão suíço possa colocar fim na própria vida indo à Suíça.
Dignitas, fundada por Ludwig Minelli, já ajudou a mais de mil pessoas a morrer nos últimos 12 anos, de acordo com a BBC. Os membros pagam polpudos honorários para pertencer à organização, junto a fortes somas para o suicídio assistido.
Sob as leis atuais isso é legal, desde que nem Minelli nem Dignitas obtenham benefício algum. Mas a BBC afirmava na Suíça que se apresentaram acusações de que Minelli tornou-se milionário desde que fundou Dignitas
A investigação atual a qual está submetida a organização também é resultado da descoberta, no começo de 2010, de um grande número de urnas de cremação no fundo do lago Zurich. Segundo a reportagem do London Times de 28 de abril, uma antiga funcionária da Dignitas, Soraya Wernli, afirmou que a clínica teria jogado 300 urnas no lago.
A Holanda, onde o suicídio assistido é legal há vários anos, é outro país onde aparecem perguntas sobre o que está ocorrendo. Segundo uma reportagem do Telegraph de Londres de 2 de junho, os casos de eutanásia aumentaram em 13% em 2009 com relação às cifras do ano anterior.
Phyllis Bowman, presidente da organização britânica Right to Life, declarou ao Telegraph que estava segura de que o aumento em número se deve a um tratamento inadequado da dor por parte dos médicos holandeses.
O número de casos de eutanásia poderia aumentar muito mais se o parlamento cedesse à pressão de permitir aos mais velhos o direito ao suicídio assistido. Diz-se que uma campanha para permitir isso reuniu mais de 100.000 assinaturas de petição, informava Associated Press no dia 8 de março.
Marie-Jose Grotenhuis, porta-voz da campanha "Of Free Will" explicava que o grupo quer formar pessoas sem preparação médica a administrar uma poção letal a pessoas com mais de 70 anos que “considerem suas vidas completas” e queiram morrer.
A lei atual sobre suicídio assistido requer que dois médicos estejam de acordo em que o paciente está sofrendo de maneira insuportável uma doença sem esperança de recuperação, e que queira morrer antes de proceder.
A Bélgica também suscitou interesse quanto à prática da eutanásia. Uma pesquisa recente, “O Papel das Enfermeiras nas Mulheres Assistidas por Médico na Bélgica”, revelava que cinco das enfermeiras entrevistadas estiveram envolvidas na eutanásia de um paciente. Cerca da metade delas – 120 de 248 – admitiram que os pacientes não tinham nem requerido nem consentido com a eutanásia, informava o Catholic Herald, de 18 de junho.
A eutanásia involuntária é ilegal na Bélgica, onde se legalizou a eutanásia voluntária em 2002. A eutanásia soma agora 2% de todas as mortes mencionadas no artigo.
O estudo, publicado no Canadian Medical Association Journal, concluía que as ressalvas aprovadas na legislação de 2002 são ignoradas de forma rotineira. Os investigadores acreditam também que o número de enfermeiras envolvidas na eutanásia involuntária é maior que o das cifras de estudo, dado que era provável que nem todas as enfermeiras admitissem estar envolvidas em práticas ilegais.
"Uma vez que se legaliza qualquer forma de eutanásia, inevitavelmente a gente empurra os limites para mais longe,”, dizia ao Catholic Herald, o doutor Peter Saunders, diretor da aliança Care Not Killing, uma coalizão de mais de 50 organizações médicas, de deficientes e religiosas britânicas que se opõem à eutanásia.
Um ponto digno de reflexão para os que debatem atualmente uma proposta ante o parlamento escocês para permitir o suicídio assistido é a Lei de Assistência ao Final da Vida, apresentada por um membro independente do parlamento, que está sendo examinada por um comitê explicava num informe, em 29 de junho passado o Christian Institute do Reino Unido. Em notas recebidas do público pelo comitê, 86%, ou seja, 60 pessoas ou organizações, expressavam sua oposição à lei.
Um atentado à santidade da vida humana
A Igreja Católica também se mostrou crítica ante a proposta. “Será um atentado contra a santidade fundamental da vida humana e permitirá que muitas vidas sejam colocadas em risco por meio de diversos graus de coação psicológica, social ou cultural”, informava o jornal Scotsman dia 5 de julho.
A Igreja da Escócia, a Igreja Metodista e o Exército da Salvação tornaram público um comunicado conjunto dizendo que a lei abriria uma brecha na proibição de tirar a vida humana, acrescentava o artigo.
Num artigo de opinião publicado no dia seguinte no Scotsman, a doutora Rosemary Barrett, uma das diretoras do Conselho sobre Bioética Humana escocês, afirmava que a utilização do tratamento contra a dor ou a não utilização de máquinas que prolonguem a vida é muito diferente da eutanásia, na qual se tem a intenção direta de pôr fim à vida.
Enquanto seguia nos últimos meses o debate sobre a eutanásia na Grã-Bretanha, fica cada vez mais manifesto que a oposição a que se debilitem as leis procede de muitos lados. Brendan O'Neill, editor da página de comentários Spiked, dirigiu-se a um encontrou em Londres e no dia 17 de maio publicava os comentários em sua página.
Falando como ateu e como "humanista radical", afirmava que é um mistério como o “direito de morrer” tenha começado a ser visto como uma causa progressiva.
De uma perspectiva humanista, declarava que a eutanásia é contrária ao que deveríamos fazer por um doente terminal, porque poderia fazer que suas decisões finais fossem mais agônicas. E para o resto de nós: “Parece-me pouco irrefutável que a campanha pela legalização do suicídio assistido esteja unida com uma maior incapacidade da sociedade de hoje para valorizar e celebrar a vida humana”, indicava.
Numa recente conferência, David Jones, diretor do centro de bioética no St. Mary's University College, sustentava que a legalização do suicídio assistido conduzirá logicamente à tolerância com a eutanásia não-voluntária, informava o jornal Telegraph, dia 1º de julho. Uma advertência para não deixar-se levar a este precipício que conduz a uma perigosa indiferença pela vida humana.
Fórum
O aborto no cinema
Por Franco Baccarini*
ROMA, domingo, 22 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Nos últimos anos assiste-se a uma multiplicação de filmes sobre o tema do aborto; um fenômeno paralelo à também crescente atenção dada ao assunto nos âmbitos político e social, de forma que não se trata de uma mera coincidência. Dado o pouco espaço à disposição, tratarei de apenas dois filmes.
O primeiro título que submeto à atenção do leitor é “L'amore imperfetto” (“O amor imperfeito”), Itália-Espanha, 2000, dirigido por Giovanni Davide Maderna, com Enrico Lo Verso e Marta Belaustegui.
A palavra “imperfeito” do título remete à questão que está na base do ótimo filme de Maderna, que passou quase despercebido pelo público. A questão é a seguinte: seria imperfeito o amor que estabelece por uma criança destinada à morte antes mesmo de nascer?
A questão suscita imediatamente outra: seria imperfeito o amor por uma vida que nasce, apenas pelo fato desta ser imperfeita? E podemos encontrar uma terceira questão, chave para o filme de Maderna: quão longe podem ir a fé e a esperança se o filho que Angela - a protagonista - porta em seu ventre está destinado a não viver?
Também neste caso, é oportuno apresentar uma breve sinopse para melhor compreender o assunto de que tratamos. Sergio e Angela são dois jovens recém-casados que esperam pelo primeiro filho, tão desejado; já sabem que a criança nascerá com uma gravíssima má formação cerebral que deve condená-lo à morte, mas esperam por um milagre. Quando a gravidez chega ao fim, o menino nasce com a doença diagnosticada; os dois jovens ficam de tal forma abalados pelo drama que qualquer diálogo se torna impossível, e a vida do casal é destruída.
Na verdade, e este detalhe é de fundamental importância, a posição da mulher é claramente distinta daquela do homem: ela tem fé, enquanto ele em nada crê. Angela, a esposa espanhola de Sergio, sofre profundamente, como é compreensível, e após o nascimento da criança, apóia-se em uma profunda fé em Deus, que irá ampará-la também na quase imediata separação da criança, à diferença de seu marido, que, desprovido de fé, se entregará ao mais absoluto desespero. A jovem mãe, tão corajosa e tão duramente provada pela dor, deverá então enfrentar também o distanciamento afetivo e espiritual do próprio marido.
O filme, segundo admite o próprio diretor, é inspirado numa história real, e se move entre fé, esperança e incomunicabilidade, despertando intensas e profundas reflexões, também à luz de experiências verídicas vividas por associações como “La Quercia Millenaria ONLUS”, dedicada precisamente ao acompanhamento de casais que enfrentam o drama de uma gravidez problemática.
Gostaria de tratar ainda de outro filme: “Bella” (México, 2006), dirigido por Alejandro Monteverde e interpretado por Eduardo Verástegui, Tammy Blanchard, Ali Landry e Manual Pérez. Cabe ressaltar que o filme, transcorridos cinco anos desde sua estréia, ainda luta para encontrar distribuidores dispostos a exibi-lo nas telas dos cinco continentes, muito embora seu valor tenha sido confirmado com a vitória do People's Choice Award 2006 no Festival de Cinema de Toronto. O arcebispo da Filadélfia, cardeal Justin Rigali, pediu a todos os que tiverem a oportunidade que assistam ao filme – o protagonista é um modelo de católico.
“Este filme está destinado a exercer um impacto extraordinário na vida das pessoas”, disse o presidente do comitê da Conferência Episcopal norte-americana.
“Bella” conta a história de uma jovem grávida que perde o emprego, e de um homem que não consegue superar o trauma causado por um incidente no passado. A amizade muda a vida dos dois e abre caminho para novas esperanças. O protagonista, Verástegui, é considerado um católico exemplar, após ter vivido uma vida bem diferente. A conversão o transformou num decidido defensor do direito à vida. O produtor executivo do filme é Steve McEveety, o mesmo de “A Paixão de Cristo”.
“Romântico, por vezes dramático, introspectivo, para muitos é o filme cristão do ano e um hino à vida de rara eficácia (...) Nina é uma garçonete que acaba de descobrir que está grávida, e por essa razão é demitida. Pensa em abortar (...). Nina, com a ajuda de um rapaz, José, compreende o valor da criança que está em seu ventre (...). O ator principal, Eduardo Verástegui, nas fases iniciais de preparação do filme, visitou um clínica de aborto a fim de melhor entender os sentimentos das pessoas que estão para realizar um gesto tão fatal. Lá, fez amizade com um jovem casal mexicano; meses mais tarde, recebeu um telefonema do casal pedindo-lhe a permissão de chamar seu filho de Eduardo [1]”.
Já em 2002, escrevi num artigo para a revista “Silarus” [2] em que digo que, além de serem expectadores conscientes, é necessário que os católicos estejam empenhados em promover autores, produtores e artistas, a fim fazer frente às produções com temáticas contrárias à vida, que banalizam questões como o aborto, a eutanásia, a sexualidade e promovem modos de vida egoístas e consumistas.
A esta necessidade respondeu perfeitamente a Metanoia Films, a partir de uma intuição de Verástegui, com a ajuda do produtor Steve McEveety e a direção competente de Monteverde.
Se os longas costumam ser trabalhosos e custosos (“Bella” foi rodado em três semanas e com poucos recursos), exigindo uma máquina de produção e distribuição de grande escala, seria desejável que ao menos se apoiasse o desenvolvimento de grupos dedicados à produção de curtas-metragens, com o duplo objetivo de formar novos autores, atores e técnicos e de responder ao monopólio niilista que domina as grandes telas.
* Franco Baccarini é especialista em bioética e crítico de cinema.
[1] Bricchi Lee L., Bella. Dagli Usa il film cristiano del 2007, in “Avvenire”, 11 novembre 2007, p. 7.
[2] Baccarini F., L'evangelizzazione e i media, in “Silarus”, n. 220/2002; e “Cinema e spiritualità (Il sacro nella civiltà delle immagini)”, su “Silarus”, n. 223/2002.
Angelus
Bento XVI: quem reza nunca está sozinho
Discurso ao introduzir o Angelus com os peregrinos em Castel Gandolfo
CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras que o Papa dirigiu neste domingo ao meio dia, do balcão do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, ao introduzir a oração do Angelus junto dos fiéis e peregrinos presentes.
Caros irmãos e irmãs!
O Evangelho deste domingo apresente Jesus recolhido em oração, um pouco separado dos seus discípulos. Quando ele termina, um dos discípulos diz: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11, 1). Jesus não faz objeção, não fala de fórmulas estranhas ou esotéricas, mas com muita simplicidade diz: “Quando orardes, dizei: Pai...’”, e ensina o Pai Nosso (cfr Lc 11, 2-4), trazendo-o da sua própria oração, com que se dirigia a Deus, seu Pai. São Lucas apresenta o Pai Nosso em uma forma mais breve que a do Evangelho de São Mateus, que entrou em uso comum. Estamos defronte às primeiras palavras da Sagrada Escritura que aprendemos desde crianças. Elas se imprimem na memória, moldam nossa vida, acompanham até o último suspiro. Elas nos revelam que nós não somos filhos de Deus de maneira já completa, mas que devemos nos tornar seus filhos e sê-lo sempre mais mediante uma comunhão mais profunda com Jesus. Ser filhos se torna o equivalente a seguir Cristo” (Bento XVI, Gesù di Nazaret, Milão 2007, p. 168).
Esta oração também acolhe e exprime as necessidades humanas materiais e espirituais: “dá-nos, a cada dia, o pão cotidiano, e perdoa-nos os nossos pecados” (Lc 11, 3-4). E precisamente pelas necessidades e dificuldades de cada dia, Jesus exorta com vigor: “portanto, eu vos digo: pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta. Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate, a porta será aberta” (Lc 11,9-10). Não é um pedido para satisfazer os próprios desejos, mas sim para manter viva a amizade com Deus, que – diz sempre o Evangelho – dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem” (Lc 11,13). Experimentaram-no os antigos “padres do deserto” e os contemplativos de todos os tempos, tornando-se, com motivo da oração, amigos de Deus, como Abraão, que implorou ao Senhor que salvasse os poucos justos do extermínio da cidade de Sodoma (cfr Gen 18, 23-32). Santa Teresa d’Ávila convidava suas irmãs de comunidade, dizendo: Devemos suplicar a Deus que nos livre de todo perigo e sempre tire todo o mal. E o quão imperfeito seja o nosso desejo, esforcemo-nos em insistir nesse pedido. Que custa tanto pedir, se nos voltamos para o Todo-Poderoso?” (Cammino, 60 (34), 4, in Opere complete, Milão 1998, p. 846). Sempre que rezamos o Pai Nosso, a nossa voz se une à da Igreja, porque quem reza nunca está sozinho. “Cada fiel deverá buscar e encontrará na oração cristã o próprio caminho, o próprio modo de rezar, e se deixará conduzir pelo Espírito Santo, que o levará, por meio de Cristo, ao Pai” (Congregação para a Doutrina da Fé, Alcuni aspetti della meditazione cristiana, 15 de outubro 1989, 29: AAS82 [1990], 378).
Hoje se celebra a festa do apóstolo São Tiago o Maior, que deixou o pai e o trabalho de pescador para seguir Jesus, sendo o primeiro dos apóstolos a dar a vida por Ele. De coração dirijo um pensamento especial aos peregrinos presentes em Santiago de Compostela! Que a Virgem Maria nos ajude a redescobrir a beleza e a profundidade da oração cristã.
Após rezar o Angelus, o Papa saudou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:
Saúdo também os peregrinos de língua portuguesa, especialmente o grupo de brasileiros vindos da diocese de Blumenau. Agradecido pela amizade e orações, sobre todos invoco os dons do Espírito Santo para serem verdadeiras testemunhas de Cristo no meio das respectivas famílias e comunidades que de coração abençoo.
[Traduzido por ZENIT
© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana]
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