 Leituras Bíblicas
Carta aos Colossenses 3,1-5.9-11.
Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. Aspirai às coisas do alto e não às coisas da terra.
Vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, a vossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória.
Crucificai os vossos membros no que toca à prática de coisas da terra: fornicação, impureza, paixão, mau desejo e a ganância, que é uma idolatria. Não mintais uns aos outros, já que vos despistes do homem velho, com as suas ações, e vos revestistes do homem novo, aquele que, para chegar ao conhecimento, não cessa de ser renovado à imagem do seu Criador.
Aí não há grego nem judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro, cita, escravo, livre, mas Cristo, que é tudo e está em todos.
Livro de Eclesiastes 1,2.2,21-23.
Ilusão das ilusões - disse Qohélet - ilusão das ilusões: tudo é ilusão. Porque há quem se esforce com sabedoria, conhecimento e bom êxito, para deixar o fruto do seu labor a outro que não se esforçou. Também isto é ilusão e grande mal. Pois que resta ao homem de todo o seu esforço, de toda a azáfama com que se afadigou debaixo do Sol?
Todos os seus dias são apenas dor e todo o seu trabalho, apenas arrelia; mesmo durante a noite o seu coração não se aquieta. E também isto é ilusão.
Evangelho segundo S. Lucas 12,13-21.
Dentre a multidão, alguém lhe disse: Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo. Ele respondeu-lhe: «Homem, quem me nomeou juiz ou encarregado das vossas partilhas?»
E prosseguiu: «Olhai, guardai-vos de toda a ganância, porque, mesmo que um homem viva na abundância, a sua vida não depende dos seus bens.» Disse-lhes, então, esta parábola: «Havia um homem rico, a quem as terras deram uma grande colheita.
E pôs-se a discorrer, dizendo consigo: 'Que hei-de fazer, uma vez que não tenho onde guardar a minha colheita?' Depois continuou: 'Já sei o que vou fazer: deito abaixo os meus celeiros, construo uns maiores e guardarei lá o meu trigo e todos os meus bens.
Depois, direi a mim mesmo: Tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.' Deus, porém, disse-lhe: 'Insensato! Nesta mesma noite, vai ser reclamada a tua vida; e o que acumulaste para quem será?' Assim acontecerá ao que amontoa para si, e não é rico em relação a Deus.»
A Mensagem
Todos nós desejamos segurança, felicidade... Mas onde a podemos encontrar?
Muitos a procuram nas COISAS, nos bens terrenos e, para isso, se dedicam febrilmente em empreendimentos grandiosos e lucrativos. Às vezes basta a simples visita de um ladrão, um fracasso nos negócios, o desemprego, uma doença... e lá se vai o que acumularam...
Outros buscam segurança e felicidade nas PESSOAS, e quantas vezes acabam depois profundamente decepcionados... Percebem que, o que este mundo oferece, não é suficiente para estancar a sede de felicidade. Só Deus pode nos tornar plenamente felizes...
As Leituras bíblicas aprofundam essa Verdade:
A 1a Leitura lembra a situação insuportável do povo de Deus pela ganância dos poderosos de então. Isso levou o autor sagrado a afirmar: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". (Ecle 1,2; 2,21-23)
Essa afirmação é atribuída a Salomão que, apesar de ser um rei sumamente sábio, rico e poderoso, lembrava que as coisas terrenas são passageiras, uma "bolha" de sabão e convidava ao desapego delas.
Na 2a Leitura, São Paulo nos exorta a mesma coisa: "Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto... e não as da terra... " (Cl 3, 1-5.9-11)
No Evangelho, Cristo denuncia a cobiça e a preocupação exagerada pelos bens terrenos... (Lc 12,13-21)
Um desconhecido pede a Jesus para resolver um problema de herança. Jesus se recusa, porque é difícil fazer justiça quando existe cobiça. E adverte: "Tomai cuidado contra todo tipo de GANÂNCIA..., a vida de um homem não consiste na abundância de bens..."
Para ilustrar essa verdade, conta a Parábola do RICO INSENSATO, que construiu grandes celeiros para armazenar a colheita abundante, pensando assim ter segurança para viver tranqüilamente. Pura ilusão: Naquela mesma noite veio a morrer... e se apresentou de mãos vazias diante de Deus...
E Jesus conclui: "Assim acontece com quem guarda tesouros para si e não é rico diante de Deus."
O pecado foi "acumular apenas para si". Não agradeceu a Deus, nem partilhou com os irmãos.
A ganância pelos bens terrenos é a causa de muitos males... Quantas brigas e divisões em família... na divisão da herança!
Quantas lutas... para vencer o concorrente... e ter mais! Quantas fraudes, injustiças e corrupção... no desejo insaciável de bens! Quantas discriminações: porque as pessoas valem pelo que têm!
Pura ilusão: A fonte da vida está só em Deus... E a morte nos convence dessa dura realidade...
Esta parábola não se destina apenas àqueles que têm muitos bens; mas destina-se a todos aqueles que (tendo muito ou pouco) vivem obcecados com os bens, orientam a sua vida no sentido do "ter" e fazem dos bens materiais os deuses, que condicionam a sua vida e o seu agir.
A Palavra de Deus nos questiona.
O ensinamento de Jesus toca em cheio os cristãos encantados com o capitalismo neoliberal e sua apologia do lucro e do acúmulo de bens. Ficam anestesiados diante das necessidades dos irmãos. Cristãos vivendo na riqueza, enquanto muitos irmãos na fé vivem na indigência, sem experimentarem a solidariedade dos seus irmãos e irmãs na fé abastados.
Hoje em dia é muito comum pôr tudo no seguro... Há seguro de vida para carros, roubos, incêndios, acidentes pessoais... A nossa vida, que continua na eternidade, também deve ser assegurada. Mas a vida eterna não pode ser assegurada com as riquezas desse mundo... e sim com os tesouros reconhecidos por Deus.
O dinheiro nos dá a falsa sensação de segurança. O único fundamento seguro de nossa existência é Deus... E, nele, o próprio dinheiro adquire outro sentido: Não será mais instrumento de SEPARAÇÃO entre os homens, mas sim de COMUNHÃO, um sinal de amor...
Onde estamos depositando a nossa segurança e construindo a nossa felicidade?
Não nos esqueçamos: nosso coração foi feito por Deus, e apenas em Deus encontrará a verdadeira e plena felicidade...
Estamos celebrando o mês vocacional.
A Vocação é um dom gratuito, um chamado, um convite, uma proposta de Deus, que se apresenta à nossa liberdade e nos pede uma tomada de decisão. Esse chamado é um grande mistério de amor entre nós e Deus, que conhece bem o coração de cada um.
No domingo queremos lembrar, de modo especial, a Vocação Sacerdotal. Aos nossos Padres, a nossa gratidão e a nossa prece!... Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 01.08.2010
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